FPI inicia nova etapa de fiscalização no oeste da Bahia
Ação reúne órgãos estaduais e federais para combater desmatamento e fiscalizar atividades produtivas na região oeste.19 Mai 2026 / 16h42

Fiscalização em propriedade rural de Cocos encontrou pichações, escavações irregulares e sinais de extração mineral próximos a cavernas com pinturas rupestres
Por: Redação Sudoeste Bahia
Foto: Divulgação | FPI
A Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco na Bahia identificou danos arqueológicos e espeleológicos em uma propriedade rural localizada no Povoado do Tatu, no município de Cocos, no oeste baiano. A vistoria ocorreu nesta segunda-feira (18) e apontou que a extração e o beneficiamento de rocha calcária representam a principal ameaça ao patrimônio histórico e ambiental da região. Na área fiscalizada estão localizados dois sítios arqueológicos registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional: o abrigo do povoado do Tatu e a gruta do povoado do Tatu, ambos com pinturas rupestres atribuídas a civilizações pré-coloniais. Durante a inspeção, as equipes encontraram pichações, rabiscos e nomes escritos nas paredes das cavernas, inclusive em áreas onde existem registros históricos. Também foram identificadas rochas quebradas e sinais de escavação clandestina dentro de uma das grutas. Segundo a arqueóloga Rimara Motta, a retirada irregular de sedimentos pode ter destruído materiais arqueológicos importantes, como fragmentos de cerâmica, pedras lascadas e possíveis vestígios de sepultamentos indígenas. Além dos danos diretos aos sítios arqueológicos, a fiscalização encontrou indícios de extração mineral nas proximidades das cavernas. De acordo com os técnicos, havia sinais de retirada de calcário e possível uso de explosivos na área, situação que ameaça formações geológicas e patrimônios ainda não catalogados. O espeleólogo Admir Brunelli destacou que as formações rochosas da região possuem milhões de anos e fazem parte da antiga formação do Mar Bambuí, responsável pela origem das cavernas existentes no local. Após a vistoria, a FPI informou que irá comparar os danos atuais com levantamentos realizados pelo Iphan em 2023 para verificar se houve ampliação da degradação ambiental e patrimonial. O Iphan pretende buscar um acordo extrajudicial com os responsáveis pela propriedade, incluindo medidas compensatórias, pesquisas arqueológicas, conservação dos sítios e ações de educação patrimonial em Cocos e no Povoado do Tatu.
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