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Levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 23 e 27 de abril29 Abr 2026 / 09h00

Levantamento nacional revela alto índice de agressões entre mulheres evangélicas. Em Carinhanha, relatos expõem silêncio imposto pela fé e pela cultura.
Foto: Câmara dos Deputados
Uma em cada quatro mulheres evangélicas no Brasil já sofreu algum tipo de violência doméstica, segundo a pesquisa “Visível e Invisível: Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Este é o primeiro levantamento da instituição que utiliza a religião como fator de análise. Após a divulgação destes dados, moradoras de Carinhanha, no oeste da Bahia, informaram que vivem ou viveram situações semelhantes. A maioria optou pelo anonimato, temendo represálias e expondo a omissão das lideranças religiosas diante dos abusos.Uma dessas mulheres, evangélica há mais de duas décadas, relatou que sofreu agressões físicas e psicológicas ao longo de 15 anos de casamento. Segundo ela, os sinais começaram cedo. “No segundo ano, ele já demonstrava ciúmes excessivos, até com irmãos da igreja. No terceiro, vieram as primeiras agressões”, contou. Noemia*, de 45 anos, também compartilhou sua experiência. Ela afirma ter sido forçada a manter relações sexuais com o então companheiro, ue usava argumentos religiosos para justificar os abusos.“Ele dizia que meu corpo pertencia a ele, porque éramos casados, e usava a Bíblia pra validar isso. Eu chorava, resistia, mas ele não parava”, relatou.Noemia conta que, por muito tempo, acreditou que a culpa era dela. Passou a buscar respostas na fé, orando para mudar seus sentimentos.“Procurei ajuda com a esposa de um pastor e descobri que ela vivia o mesmo. Muitas mulheres passam por isso, mas a igreja silencia”, lamenta. A omissão de líderes religiosos, apontada nos depoimentos, contribui para que casos de violência permaneçam ocultos. Segundo o IBGE, os evangélicos representam o segmento religioso que mais cresce no país, o que torna ainda mais urgente o enfrentamento dessa realidade nas comunidades de fé.Nota: Os nomes das vítimas foram alterados para preservar sua identidade. Nenhuma denominação religiosa foi citada por questões de segurança. Com informações do Portal Folha do Vale.
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