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Levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 23 e 27 de abril29 Abr 2026 / 09h00

Estado teve 103 casos em 2025 e ocupa o terceiro lugar no Brasil; especialistas alertam para subnotificação e violência marcada por ódio e controle.
Foto: Reprodução
A Bahia registrou 103 feminicídios em 2025. O número representa uma queda de 6% em relação ao ano anterior, mas não é motivo para comemoração. O estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional desse tipo de crime, atrás apenas de duas unidades da federação, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No Brasil, foram 1.470 mulheres assassinadas por serem mulheres. Para especialistas, o cenário pode ser ainda pior. Muitos casos deixam de ser classificados como feminicídio por falhas na notificação.“Nem todo assassinato de mulher é registrado com essa conotação. Isso reflete uma cultura que ainda não reconhece totalmente esse tipo de violência”, afirma a psicóloga e professora da Ufba, Darlene Andrade.Pelo Código Penal, feminicídio é o assassinato motivado pela condição de a vítima ser mulher. É uma forma qualificada de homicídio, com pena que pode chegar a 40 anos de prisão. Na prática, a maioria dos crimes nasce dentro de casa. Maridos, companheiros e ex-companheiros aparecem como principais autores. Muitos casos acontecem após o fim do relacionamento, quando a mulher tenta seguir a própria vida.Em 2025, a Bahia registrou episódios de extrema brutalidade. Em Lauro de Freitas, a contadora Laina Santana, de 37 anos, foi morta a marretadas pelo marido, na frente das duas filhas. Em Salvador, Fabiana Correia Cardoso, de 43 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro e segue desaparecida. Em Jequié, Aluana dos Santos foi morta a facadas mesmo tendo medida protetiva contra o agressor. Para Darlene, a crueldade é parte do recado.“É uma violência que carrega ódio. A mensagem é: você não manda em si, você me pertence”, diz.Ela reforça que não se trata de doença ou descontrole emocional.“Não é patologia. É cultura. Os homens são criados numa lógica que normaliza a dominação e a violência”, afirma. Apesar dos avanços na legislação e do aumento do debate, o feminicídio continua sendo uma ferida aberta na Bahia. Os números mostram que a redução ainda é pequena diante da gravidade do problema.
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