Da persuasão à mobilização: o que está em jogo nas eleições de 2026
Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados se sentem frustrados, pois reconhecem que ganham mais, mas a vida não melhorou devido à explosão do custo de vida.
Por: Yuri Almeida*
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Foto: Yuri Almeida | Arquivo pessoal
Há uma grande dissonância entre os indicadores econômicos oficiais (PIB em crescimento, inflação controlada e desemprego baixo) e a percepção da maioria dos brasileiros, onde 43% afirmam que a economia piorou e 61% dizem ter menos poder de compra. A chave para essa contradição é o conceito de affordability (relação entre renda e custo de vida). Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados se sentem frustrados, pois reconhecem que ganham mais, mas a vida não melhorou devido à explosão do custo de vida. Este paradoxo impede que os bons números oficiais se traduzam em dividendos políticos para a reeleição do presidente Lula, refletindo uma tendência global de enfraquecimento da correlação entre sentimento econômico e aprovação presidencial. Gratidão não se traduz em votos: Apesar de o Governo Federal apresentar um pacote robusto de "entregas" e políticas sociais, como o Bolsa Família, que historicamente beneficiaria os incumbentes, os dados mostram que a aprovação do governo não registra saldo positivo há mais de um ano. Isso ocorre porque a “dinâmica da gratidão automática” parece ter se esgotado. Para cerca de 70% dos brasileiros, os programas sociais deixaram de ser vistos como favores e passaram a ser percebidos como direitos consolidados, uma vez que a rede de proteção foi mantida e ampliada por governos anteriores (Jair Bolsonaro e o Congresso). O desafio da comunicação política é reconstruir a narrativa, mostrando que as escolhas políticas concretas (votar em A ou B) levam a desfechos diferentes na vida das pessoas. Um país que se descobriu mais à direita: Com a perda de força explicativa da economia e das entregas de governo, os valores ganharam espaço na explicação do voto. O Brasil passou por um deslocamento para posições mais conservadoras e tradicionais. A autodeclaração de direita aumentou de 28% para 36% desde 2007, e a de centro subiu de 28% para 37%. A esquerda, por sua vez, recuou a 23%. A maior novidade é que apenas 4% permanecem indefinidos, em comparação com 22% em 2007. Essa migração se deu porque o discurso da direita conseguiu organizar valores conservadores que antes não se reconheciam em nenhum projeto político. Curiosamente, a juventude, embora mais conservadora em alguns temas, tende a buscar o centro e rejeitar a polarização, abrindo uma oportunidade para discursos menos binários em 2026. Lula, direita, bolsonarismo e a calcificação do eleitorado: Os valores influenciam a percepção das lideranças, ilustrando a confusão do eleitorado: 45% veem Lula como um radical de esquerda. O eleitorado está praticamente calcificado e dividido em dois grandes blocos de 35% cada: um alinhado a Lula (lulismo, maior que a esquerda) e outro alinhado à direita (maior que o bolsonarismo). A calcificação é o processo, descrito por Nunes e Traumann (Biografia do Abismo), em que o eleitor se agarra ao seu campo político por medo da vitória do "outro lado", transformando grupos de apoio em "fã-clubes" menos permeáveis à persuasão. Essa dinâmica é alimentada por uma polarização imaginada, onde os eleitores superestimam o peso dos extremos (pensam que há 35% de lulistas e 32% de bolsonaristas, enquanto os números reais são 20% e 13%, respectivamente), o que reforça o clima de "guerra cultural". A batalha de 2026: mais mobilizar do que convencer: A eleição de 2026 tende a ser uma disputa pautada pelo desejo de mudança. As simulações da Quaest indicam um quadro competitivo, com Lula operando próximo ao seu piso e com dificuldades para crescer entre os independentes (cerca de 25%). Flávio Bolsonaro replica o movimento, consolidando seu campo e crescendo entre os independentes (18%). No entanto, o centro é enganoso: embora 29% dos eleitores se posicionem no meio, uma grande parte é apática e desinteressada da vida pública. Diante de um eleitorado calcificado e um centro reduzido e desinteressado, a lógica da campanha se desloca da persuasão (mudar a opinião) para a mobilização (levar o eleitor a votar). Com abstenções crescentes, a margem de decisão se torna estreita, e o que decidirá a eleição é a capacidade de transformar simpatizantes em militantes e eleitores desanimados em participantes ativos. Desafios e oportunidades para 2026: Fórmulas simples serão insuficientes em 2026. Governos não podem mais confiar apenas em números econômicos positivos, pois o eleitor prioriza a capacidade real de pagar o custo de vida. Da mesma forma, programas sociais não garantem mais votos automaticamente. Oportunidades surgem no espaço dos valores e da narrativa. Partidos e candidatos que souberem equilibrar o entendimento do país mais conservador com a demanda por moderação da juventude terão vantagem. A disputa será travada sobre um centro pequeno e de baixa energia cívica, e a prioridade das campanhas será mobilizar afetos e contar uma história convincente sobre como decisões políticas produzem ou não uma vida melhor. A máxima que resume 2026 é a percepção de justiça na vida concreta – e a capacidade de mobilizar afetos em torno dela – que decidirá quem governa o país. *Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais.
Trio Wagner, Rui e Jerônimo vence trio de ACM Neto nas redes sociais durante o Carnaval
O Carnaval brasileiro, como nos lembra Roberto DaMatta, não é apenas festa: é um ritual de inversão que expõe o “fundo da sociedade”, vira a roupa social do avesso
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Foto: Yuri Almeida | Arquivo pessoal
O Carnaval brasileiro, como nos lembra Roberto DaMatta, não é apenas festa: é um ritual de inversão que expõe o “fundo da sociedade”, vira a roupa social do avesso e dramatiza, em poucos dias, hierarquias, conflitos e sonhos de igualdade que marcam o Brasil ao longo do ano. À luz dessa chave antropológica, os dados do estudo do LabCaos sobre o desempenho do Trio Puro G (Wagner, Rui e Jerônimo), do trio de ACM Neto (Neto, Roma e Coronel) e do engajamento do presidente Lula, no Instagram, durante o Carnaval de 2026 deixam de ser mera estatística de campanha e se tornam um capítulo a mais da disputa por sentidos e pertencimentos na democracia brasileira. DaMatta descreve o Carnaval como um “ritual de inversão”: em uma sociedade hierárquica, autoritária e patronal, por alguns dias “se pode fazer tudo”, como se a ordem fosse virada “de cabeça para baixo” e o “fundo do poço viesse para cima”. Esse movimento não é puro descontrole, mas um drama social estruturado em que a rua deixa de ser apenas espaço de estranhos e se torna uma espécie de casa ampliada, onde desconhecidos se tratam com intimidade e as distâncias de classe, raça e poder são momentaneamente relativizadas.
Eleições em rede: capital político digital e disputa pelo governo de Pernambuco em 2026
De um lado, as pesquisas Datafolha e Real Time Big Data indicam João na dianteira da corrida, com possibilidade de vitória em primeiro turno
Por: Yuri Almeida
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
A provável disputa entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, pelo governo de Pernambuco em 2026 oferece um laboratório privilegiado para observar como o capital político é produzido, disputado e convertido em apoio eleitoral nas redes sociais. Mais do que medir a popularidade, o estudo do LABCaos, agência especializada em marketing político, aponta que os dados de Instagram e buscas na internet permitem compreender a política como um ecossistema de atenção, engajamento e reputação, em que visibilidade não é sinônimo automático de aderência, e volume não equivale necessariamente a capacidade de mobilização. Veja o estudo completo em: https://www.instagram.com/estouyurialmeida/. De um lado, as pesquisas Datafolha e Real Time Big Data indicam João na dianteira da corrida, com possibilidade de vitória em primeiro turno, enquanto Raquel enfrenta patamares mais elevados de rejeição. De outro, o comportamento das audiências digitais revela uma dinâmica menos linear: a partir de agosto de 2025, com o acirramento da disputa, a governadora passa a registrar uma taxa de engajamento três vezes superior à do prefeito, invertendo a relação entre quem mais “fala” e quem mais “movimenta” sua base nas redes. A política conectada, nesse sentido, deixa de ser apenas disputa de narrativas e passa a ser disputa de densidade relacional: quem consegue transformar seguidores dispersos em comunidades ativas. Os dados de volume de buscas ajudam a iluminar essa tensão entre visibilidade e controvérsia. João aparece com maior volume de interesse no Google nos últimos 90 dias, associado a termos como “impeachment” e temas de alta temperatura, o que sugere um tipo de atenção muitas vezes atravessada por conflito, crise ou curiosidade episódica. Raquel, por sua vez, aparece associada a consultas sobre partido, contexto local e temas de gestão, indicando uma busca mais informativa e menos centrada em escândalo. Em termos teóricos, trata‑se de duas formas de atenção: uma atenção quente, volátil, alimentada por polêmicas; outra morna, mas potencialmente mais estável, ancorada em atributos de governança e identidade partidária. No Instagram, a assimetria de audiência é evidente: João, com quase o dobro de seguidores, acumula mais de 24 milhões de interações no período analisado, superando os 20,4 milhões de Raquel quando se considera o volume bruto de curtidas, comentários e compartilhamentos. Se olharmos apenas esse indicador, a conclusão apressada seria a de que o prefeito detém maior força digital. Porém, ao introduzir métricas relacionais – taxa de engajamento, crescimento de base e distribuição geográfica do engajamento – o quadro se complexifica. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, de acordo com o estudo do LABCaos, Raquel amplia sua base em mais de 437 mil seguidores, alcançando crescimento de 42%, contra um saldo positivo de 106 mil novos seguidores para João, o que equivale a 3,7%. Em termos de ciência política digital, isso significa que a governadora está em fase de expansão de audiência, enquanto o prefeito opera em regime de saturação: sua base já é grande, mas cresce pouco e apresenta picos de perda, o que pode indicar desgaste, fadiga ou exposição excessiva a conflitos. A diferença de engajamento reforça essa leitura: Raquel registra taxa de 4,1%, com média de 856 comentários por post e 3,9 conteúdos diários; João, 2,1%, 850 comentários por post e 3,1 conteúdos por dia. Ou seja, a governadora fala mais, ativa mais resposta proporcionalmente e, ao mesmo tempo, cresce mais rápido. Outro dado relevante é a geografia do engajamento: 35% das interações de João se concentram no Recife, enquanto Raquel tem 20% de seu engajamento na capital, diluindo melhor sua presença pelo estado. Em termos eleitorais, isso aponta para uma base mais enraizada de João no espaço urbano recifense e uma trajetória de construção de capilaridade estadual por parte de Raquel. Em disputas para o governo, essa diferença é estratégica: o candidato que concentra demais sua força na capital tende a enfrentar dificuldades na conversão desse capital urbano em votos no interior, enquanto uma presença mais distribuída pode favorecer narrativas de governança para “todo o estado”. A análise dos melhores conteúdos, todos em formato reels, revela ainda a centralidade da dimensão afetiva na política em rede. Conteúdos humanizados, em família, e peças que ligam João a Lula, assim como conteúdos de Raquel associados à gestão, aparecem entre os que mais performam. Esse padrão confirma a hipótese de que a competição não se dá apenas em torno de políticas públicas, mas da capacidade de encarnar identidades: o “prefeito próximo de Lula” e a “governadora gestora” operam como arquétipos que estruturam percepções e heurísticas do eleitor. Em linguagem de redes, são enquadramentos simbólicos que facilitam a circulação, o compartilhamento e a memorização dos conteúdos. Por fim, a disputa em Pernambuco projeta efeitos nacionais ao introduzir uma variável adicional: o posicionamento do presidente Lula diante de dois palanques potencialmente competitivos. Um eventual palanque duplo, ou a adoção de uma postura neutra, reorganiza fluxos de atenção, alianças e antagonismos nas redes, embaralhando a fronteira tradicional entre governo estadual e prefeitura da capital. Em um ambiente em que métricas de engajamento, taxa de crescimento de seguidores e cartografia digital do apoio já influenciam decisões estratégicas de campanha, ignorar esses dados significa abrir mão de compreender como se distribui, em tempo real, o capital político na ambiência digital. *Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais.
Brasil no espelho: o que podemos aprender com o livro de Felipe Nunes?
Religião e família continuam sendo os pilares centrais da autoimagem brasileira.
Por: Yuri Almeida e Guilherme Barbosa*
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Foto: Divulgação
O Brasil que emergiu da redemocratização não é apenas mais plural; é também mais conflituoso consigo mesmo. À medida que o país passou a se ver como um conjunto de múltiplas identidades — raciais, regionais, de gênero, geracionais, religiosas —, o espelho devolveu uma imagem desconfortável: na média, continuamos sendo uma sociedade conservadora, profundamente religiosa, apegada à família, desconfiada do outro e cética em relação a soluções coletivas. O grande mérito empírico de Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, está em organizar, com base em quase 10 mil entrevistas (maior levantamento já feito sobre valores, atitudes e percepções no país), esse emaranhado de crenças em 137 indicadores e nove segmentos de identidade.
As mulheres encontraram o caminho para vencer a direita nas redes
Análise exclusiva do LabCaos revela: enquanto a direita aposta no volume, as deputadas de esquerda dominam a taxa de engajamento e ensinam o caminho das pedras para o campo progressista.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
Há anos, analistas políticos e marqueteiros repetem o mesmo mantra: "a direita domina as redes sociais, e a esquerda fala para as bolhas". Durante muito tempo, os dados corroboraram essa tese. No entanto, estudo realizado pelo LabCaos sobre a performance das deputadas federais em 2025 revela uma mudança tectônica no cenário digital brasileiro. Veja o estudo completo clicando aqui. Os dados são evidentes: se existe uma saída para a esquerda vencer o debate na ambiência digital, esse caminho está sendo pavimentado pelas mulheres. O estudo analisou o engajamento das 89 deputadas federais no Instagram entre janeiro e dezembro de 2025 e os números contam uma história que muitos insistem em ignorar: a hegemonia da direita está sendo desafiada pela eficiência das parlamentares progressistas. A primeira lição que os dados nos trazem é a diferença entre fazer barulho e gerar conexão. Se olharmos apenas para o volume bruto de interações, a direita ainda mostra força, com nomes como Bia Kicis acumulando quase 69 milhões de interações. É o famoso "canhão" de audiência. Porém, o jogo muda quando refinamos o olhar para a taxa de engajamento — a métrica que define quem realmente mobiliza sua base proporcionalmente. Das 10 deputadas com melhor taxa de engajamento, 7 são de esquerda. A líder absoluta, Jack Rocha (PT), atingiu 26,87% na taxa de engajamento. Para se ter uma ideia do abismo, isso é quase o triplo da taxa de deputadas bolsonaristas tradicionais como Bia Kicis, que tem 8,96%. Isso sinaliza que o campo progressista, através de suas mulheres, parou de panfletar digitalmente e começou a conversar. O "Fenômeno Erika Hilton" e a narrativa de combate: Se Jack Rocha domina na taxa de engajamento, Erika Hilton (PSOL) nos dá uma aula de expansão de base e mobilização. Ela foi a deputada que mais conquistou novos seguidores no período, somando quase 900 mil novos perfis. O segredo? Uma estratégia de comunicação agressiva e didática. A análise dos posts mostra que ela domina a técnica de rotulagem. Ao apelidar projetos adversários com nomes de alto impacto emocional — como "PEC da Bandidagem" — ela fura a bolha e pauta o debate. Mais do que isso, ela cria um senso de causalidade: atribui a queda de projetos da oposição à capacidade de "mobilizar as redes". O estudo do LabCaos também desmonta a ideia de que a esquerda não sabe lidar com a polarização. As mulheres encontraram o tom certo. As menções a Bolsonaro são massivamente negativas, focando na sua condenação pelo STF e críticas à obstrução do Congresso. Já Lula é trabalhado de forma majoritariamente positiva, associado a pautas pragmáticas como a isenção do Imposto de Renda e proteção social. Enquanto a direita aposta no medo, as mulheres de esquerda estão conseguindo engajar combinando o combate ao bolsonarismo com a defesa de direitos sociais concretos. As parlamentares da esquerda encontraram um caminho para pautar os debates e defender o Governo Lula com uma eficiência que falta a muitos homens da base governista. Elas entenderam que rede social exige emoção, combate e simplificação. O campo progressista, muitas vezes preso a discursos institucionais, deveria olhar menos para teorias antigas e aprender com a prática dessas deputadas. A esquerda pode vencer a direita nas redes? Pode. Mas os dados mostram que a liderança desse processo é feminina. Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em campanhas eleitorais.
O uso da Inteligência Artificial no Marketing Político
A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais.
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O cenário político contemporâneo é indissociável das dinâmicas digitais. Nesse contexto de transformações tecnológicas aceleradas, a Inteligência Artificial (IA) emerge não apenas como uma tendência, mas como uma ferramenta indispensável na análise de dados aplicada ao marketing político. Sua capacidade de processar e interpretar volumes massivos de informações — o chamado Big Data — está redefinindo o diagnóstico, o planejamento estratégico e a monitoramento das campanhas eleitorais. A IA tem se tornado um vetor fundamental para aprimorar a compreensão do comportamento do eleitorado digital e das complexas dinâmicas de engajamento político nas redes sociais. A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais, gerando indicadores objetivos cruciais para a performance das candidaturas. Entre as métricas essenciais, destacam-se a base de seguidores, o crescimento absoluto, o volume de interações e, sobretudo, a taxa de engajamento — indicador que traduz a relevância e a ressonância do conteúdo perante a audiência. A eficácia estratégica não se resume a um único número. É imperativa uma análise integrada das métricas. Mais do que a quantidade, a qualidade da interação — o sentimento e a receptividade do público — é a verdadeira bússola das ações de comunicação política. O conteúdo qualitativo atua como um termômetro da aceitação das mensagens e orienta ajustes finos na narrativa das campanhas. A IA também se destaca na segmentação de conteúdos e no benchmarking das postagens mais eficazes. A análise das publicações de maior sucesso entre os candidatos permite identificar temas, timings e estilos comunicativos que geram conexão real com nichos eleitorais específicos. Essa inteligência orienta a produção de roteiros e publicações, otimizando o investimento de tempo e recursos. Além da otimização em tempo real, a IA abre caminho para planejamentos e projeções eleitorais, além o uso de modelos que combinam técnicas estatísticas com bancos de dados históricos, como os do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para estimar desempenhos eleitorais futuros. Modelos matemáticos, por mais sofisticados que sejam, não capturam integralmente as variáveis políticas, sociais e emocionais que moldam o comportamento do voto. O uso efetivo dessas tecnologias exige mais do que o simples acesso às ferramentas. É necessária competência técnica, domínio analítico e disciplina no diálogo com os sistemas de IA. O refinamento dos “prompts” — as instruções dadas à inteligência artificial — é um processo iterativo que gera análises cada vez mais robustas e personalizadas, ajustadas às particularidades de cada campanha. A tecnologia é uma poderosa aliada, mas deve operar dentro de parâmetros inegociáveis: evitar a reprodução acrítica de informações, assegurar autoria e transparência dos conteúdos e, sobretudo, preservar o senso crítico humano diante das sugestões automatizadas. Em suma, a Inteligência Artificial consolida-se como a espinha dorsal da análise de desempenho e da formulação estratégica no marketing político contemporâneo. Sua aplicação amplia a capacidade de leitura do sentimento eleitoral e de compreensão das dinâmicas sociais. No entanto, seu sucesso depende da qualificação técnica dos profissionais, do entendimento profundo do contexto político-social e de um compromisso ético que garanta a autenticidade e a legitimidade do processo democrático na era digital.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral.
Estudo revela quais são os deputados federais baianos mais engajados nas redes sociais
Na avaliação do fundador do LabCaos, os deputados federais da base lulista conseguiram melhor performance
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
Dos 39 deputados federais baianos, apenas seis tem um engajamento relevante nas redes sociais. Os dados são do estudo elaborado pelo LabCaos, hub especializado em ciência de dados e marketing político, divulgado nesta quinta-feira (6), que analisou todas as publicações dos parlamentares entre 1 de janeiro a 3 de novembro de 2025, no Instagram. No topo do ranking do engajamento está o deputado federal, Capitão Alden, seguido por Daniel Almeida, Josias Gomes, Alice Portugal e Lídice da Mata. “A nacionalização do debate (Lula x Bolsonaro), no formato reels, com legendas curtas resultaram no melhor desempenho nas redes dos deputados”, explica Yuri Almeida, estrategista político, professor e fundador do LabCaos. O estudo do LabCaos (que pode ser visto aqui na íntegra) no identificou ainda os parlamentares que mais conquistaram novos seguidores 2025. O ranking é liderado Pastor Sargento Isidório (214 mil novos seguidores), Capitão Alden (70 mil), Alice Portugal (25 mil), Jorge Solla (21 mil) e Josias Gomes (19 mil). “Essa métrica indica o crescimento da popularidade dos parlamentares e, junto com a taxa de engajamento, são bons indicadores para avaliar a efetividade das estratégias de comunicação nas redes sociais”, pontua Yuri Almeida. Na avaliação do fundador do LabCaos, os deputados federais da base lulista conseguiram melhor performance, ao defender o presidente Lula e/ou criticar Bolsonaro. “Entre os 10 melhores conteúdos em engajamento, 9 são de parlamentares aliados a Lula e Jerônimo, com posicionamentos em defesa do presidente, da soberania nacional, ações do Governo Federal e contra a anistia”, destaca o estrategista político.
Quem vence as eleições na Bahia: Jerônimo ou ACM Neto?
O embate repete a polarização entre o petismo e o carlismo — tradições políticas que, há mais de duas décadas, estruturam o campo eleitoral baiano.
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A política baiana caminha para uma reedição da disputa de 2022. O atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (UB) despontam como principais nomes na corrida pelo Governo da Bahia em 2026.
O embate repete a polarização entre o petismo e o carlismo — tradições políticas que, há mais de duas décadas, estruturam o campo eleitoral baiano.
Desde 2006, o Partido dos Trabalhadores venceu cinco das últimas seis eleições estaduais, consolidando o domínio político do grupo liderado por Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues. Quatro dessas vitórias ocorreram ainda no primeiro turno, com destaque para Rui Costa, eleito em 2018 como o governador mais votado da história do estado.
Esse histórico confere ao PT uma estrutura política capilarizada, sustentada em redes territoriais, programas sociais e apoio de prefeitos, deputados e lideranças locais. A continuidade dessa hegemonia coloca a Bahia como um dos principais redutos petistas do país.
Na eleição de 2022, Jerônimo Rodrigues venceu ACM Neto no segundo turno, com 52,79% dos votos válidos contra 47,21%. O resultado contrariou boa parte das pesquisas — apenas a Atlas/Intel conseguiu prever corretamente a virada petista. Historicamente, os institutos de pesquisa têm dificuldade de capturar o comportamento do eleitorado baiano nas últimas semanas antes da votação.
Segundo levantamento da Quaest (agosto de 2025), ACM Neto lidera as intenções de voto para 2026. A vantagem, contudo, não é consolidada: o ex-prefeito mantém forte presença em Salvador e nas regiões metropolitanas, enquanto Jerônimo continua com melhor desempenho no interior.
A análise de tendências digitais, elaborada pela agência LabCaos, mostra um quadro mais equilibrado. Nos últimos 90 dias, o volume de buscas por Jerônimo Rodrigues no Google superou o de ACM Neto, indicando maior interesse público em torno do governador.
Redes sociais: engajamento e percepção pública
Os dados de 2025 reforçam uma diferença qualitativa na atuação digital.
* Jerônimo Rodrigues: mais de 4,9 milhões de interações, 108 mil novos seguidores e 1,6 mil postagens.
* ACM Neto: cerca de 4,5 milhões de interações, 129 mil novos seguidores, mas apenas 265 postagens.
Mesmo com um número menor de seguidores (744 mil contra 1,2 milhão de Neto), Jerônimo apresenta taxa de engajamento quase duas vezes maior: 2,5% contra 1,3%. Em termos comunicacionais, isso sugere uma comunidade digital mais ativa e orgânica, característica central para campanhas com forte presença territorial e emocional.
Nos últimos 30 dias analisados, Jerônimo recebeu 1.543 menções, contra 644 de ACM Neto. Além do volume maior, o governador registra índice mais elevado de sentimento positivo, o que indica boa percepção entre internautas — um indicador relevante para avaliar a reputação política e o potencial de adesão eleitoral.
Projeções eleitorais e tendência histórica
A disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto em 2026 tende a ser, mais uma vez, um embate entre estrutura política consolidada e força de imagem pessoal. Enquanto o governador busca consolidar seu legado e ampliar o eleitorado no eixo urbano, ACM Neto tenta reconstruir seu espaço simbólico fora de Salvador.
Embora nenhum modelo estatístico seja capaz de prever com exatidão o comportamento eleitoral, a projeção feita a partir da média de variação histórica do PT na Bahia (2002–2022) aponta que o partido pode alcançar até 68,75% dos votos válidos em 2026. Esse cálculo considera a tendência de crescimento linear das votações petistas e a consolidação de Jerônimo como figura de continuidade das gestões do PT.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral.
Romeu Zema e o dilema da viabilidade liberal em 2026
Com aprovação de 63,6% de seu governo, segundo o Paraná Pesquisas (08/10), Zema figura entre os governadores mais bem avaliados do país.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
A pré-candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República marca um novo capítulo na tentativa de consolidação de um projeto liberal no Brasil. O governador de Minas Gerais, que despontou como outsider em 2018 e consolidou sua reeleição em 2022 com mais de 56% dos votos, enfrenta agora o desafio de transformar popularidade regional em competitividade nacional.
Com aprovação de 63,6% de seu governo, segundo o Paraná Pesquisas (08/10), Zema figura entre os governadores mais bem avaliados do país. No entanto, seu capital político permanece concentrado em Minas — o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e considerado o “espelho do país”. Desde 1989, quem vence em Minas, vence o Brasil (com exceção de 2014). Ainda assim, Zema encontra dificuldades para romper as barreiras estaduais e nacionalizar sua imagem.
Pesquisas recentes da Quaest (09/10) indicam que, num cenário sem Bolsonaro, Zema aparece com apenas 4% das intenções de voto, atrás de Tarcísio de Freitas (18%) e Ciro Gomes (12%). Em confronto direto com o presidente Lula, perde com margem de 47% a 32%. A estagnação reflete um dilema estrutural: embora possua um discurso técnico e moderado, Zema ainda é visto pelo eleitorado bolsonarista como “liberal demais” e “pouco combativo”.
No campo digital, o governador demonstra força e consistência, mas não hegemonia. Nos últimos dois meses, somou 122 publicações no Instagram, alcançando 2,9 milhões de interações e 46 mil novos seguidores — números expressivos, porém inferiores aos de Ratinho Jr. e Tarcísio de Freitas, que lideram tanto em crescimento quanto em taxa de engajamento. As postagens com melhor desempenho de Zema são aquelas que tratam de ações em Minas e críticas diretas ao governo Lula, evidenciando que seu público responde melhor quando ele adota um tom de enfrentamento político.
As menções positivas a Zema nas redes sociais (42,28%) superam as negativas (16,54%), mas o índice de neutralidade ainda é elevado, o que indica baixa polarização e, consequentemente, menor capacidade de mobilizar paixões políticas — ativo essencial em tempos de comunicação afetiva e identitária.
No cenário eleitoral, a projeção é de baixa competitividade em 2026, com chances de vitória estimadas entre 10% e 15%. Zema dependeria de uma profunda desidratação de Bolsonaro e da ausência de Tarcísio para ocupar o espaço da direita. Seu melhor desempenho potencial está em uma composição de chapa com o governador paulista, formando uma aliança SP–MG que representa quase 35% do eleitorado nacional. Nesse arranjo, as projeções indicam uma disputa acirrada com Lula no segundo turno (46% a 42%), caso o apoio bolsonarista se mantenha.
A hipótese de uma chapa Tarcísio–Zema oferece vantagens táticas e simbólicas. Tarcísio mobiliza o eleitorado popular e o bolsonarismo orgânico; Zema agrega credibilidade econômica, serenidade institucional e discurso técnico. No entanto, o risco político é claro: tornar-se um “vice decorativo” e perder protagonismo imediato — ainda que tal posição o projete para 2030 como sucessor natural de uma eventual continuidade liberal-conservadora.
Em síntese, Romeu Zema enfrenta o dilema clássico dos projetos liberais no Brasil: alta capacidade de gestão, baixo apelo de massa. Sua candidatura própria em 2026 tende a reforçar sua marca como líder racional, mas de pouca viabilidade eleitoral imediata. Já uma aliança como vice de Tarcísio pode colocá-lo no tabuleiro nacional com reais chances de vitória, ainda que ao custo de sua autonomia.
O que está em jogo, portanto, não é apenas uma eleição, mas o futuro do liberalismo político no Brasil — entre o cálculo racional e o pragmatismo eleitoral.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral
O poder do discurso político
Pierre Bourdieu nos lembra que as palavras não têm força por si mesmas: seu impacto depende do capital simbólico de quem as pronuncia.
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O discurso político ocupa um lugar central na vida pública. Não se trata apenas de palavras bonitas ou slogans de campanha, mas de um instrumento de poder capaz de moldar percepções, definir identidades coletivas. Mouffeilizar ações. É pela palavra que lideranças legitimam sua posição, constroem consensos, enfrentam adversários e orientam a imaginação social.
Pierre Bourdieu nos lembra que as palavras não têm força por si mesmas: seu impacto depende do capital simbólico de quem as pronuncia. Um presidente da República, um líder oposicionista ou um outsider sem cargo formal podem dizer a mesma frase e, ainda assim, produzir efeitos distintos. Isso acontece porque cada um ocupa uma posição social e política que confere diferentes níveis de legitimidade. Como também ensinou Max Weber, a autoridade pode ser tradicional, carismática ou racional-legal — e cada tipo imprime uma forma própria de força à fala.
Mas o discurso nunca se sustenta apenas em quem fala: ele se organiza em torno de quem escuta. Desde Aristóteles sabemos que a persuasão envolve a combinação entre ethos (credibilidade), pathos (emoção) e logos (razão). O público, no entanto, não é uma massa homogênea. Nancy Fraser mostrou que a sociedade é formada por públicos e contrapúblicos, em permanente disputa. Isso significa que o discurso político precisa segmentar, ativar valores diversos e falar em registros distintos para diferentes grupos. Uma mesma fala pode gerar entusiasmo em apoiadores, irritação em opositores e indiferença em indecisos.
Outro elemento decisivo é o enquadramento do debate. George Lakoff demonstrou que a política não é apenas uma luta de argumentos, mas de frames, ou molduras cognitivas, que orientam como as pessoas interpretam os fatos. Chamar um imposto de “tarifa de solidariedade” ou de “confisco” muda radicalmente sua percepção. Nesse sentido, Antonio Gramsci destacou que a luta política é também uma luta pela hegemonia cultural: o que importa não é apenas governar, mas conseguir que certas ideias sejam aceitas como senso comum. Chantal Mouffe aprofunda essa reflexão ao mostrar que a política é sempre agonística, isto é, atravessada por conflitos legítimos em torno de significados.
O discurso, contudo, não existe no vácuo: ele se ancora em um contexto simbólico. Murray Edelman mostrou que a política opera por meio de símbolos e simplificações que organizam a experiência pública. Bandeiras, hinos, metáforas de guerra ou de família não são apenas recursos estilísticos: são formas de dar sentido a realidades complexas. Da mesma forma, Benedict Anderson demonstrou que até a própria ideia de nação é uma “comunidade imaginada”, sustentada por narrativas e memórias compartilhadas.
A importância do discurso político, portanto, vai muito além da retórica superficial. Ele é um ato performativo: produz efeitos no mundo. Não apenas descreve a realidade, mas a constitui. Define quem pode falar, quem será ouvido e quais interpretações prevalecerão. Em contextos de crise, protesto ou polarização, a palavra pode acalmar tensões ou incendiá-las; pode abrir espaço para a negociação ou fechar portas para o diálogo.
Em resumo, compreender a política contemporânea exige compreender o poder das palavras. Elas são armas e pontes, instrumentos de disputa e de construção coletiva. Como já indicava Aristóteles, a política é inseparável da retórica — e, no século XXI, continua sendo pela força do discurso que se ganham legitimidades, se moldam imaginários e se definem os rumos de uma comunidade política.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral.
Como as redes e a rua influenciaram a política brasileira
Como diria Maquiavel, o príncipe que não domina os instrumentos de poder corre o risco de ser subjugado
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Foto: Arquivo pessoal
Os protestos contra a PEC da Blindagem e o movimento contrário à anistia, que tomaram as ruas e as redes brasileiras nesta semana, não podem ser entendidos apenas como reações espontâneas de cidadania. São, antes, expressões de uma política que se reconfigura sob o signo da tecnologia, da informação e do sentimento coletivo. A internet, à luz de Marx ao analisar as relações de produção e de poder em cada nova etapa da sociedade, não é mero instrumento: é campo de disputa e arena de hegemonia.
Philip N. Howard (2019) nos lembra que a política contemporânea é profundamente mediada por algoritmos e fluxos de dados. O alcance de uma mobilização não se mede apenas pela presença física, mas pela capacidade de navegar e dominar as arquiteturas digitais que regulam a atenção. No Brasil desta semana, hashtags, transmissões ao vivo e grupos de WhatsApp não foram coadjuvantes; foram ferramentas de luta, disputando espaço com bots, desinformação e campanhas de manipulação.
Como diria Maquiavel, o príncipe que não domina os instrumentos de poder corre o risco de ser subjugado; na política digital, dominar algoritmos e narrativas é a mesma coisa. A visibilidade, a amplificação, a capacidade de viralizar são armas modernas: quem não as controla, permanece à margem do debate público.
Zizi Papacharissi (2015) oferece outro ângulo: a política não se move apenas por dados, mas por afetos. O que circula nas redes não é informação neutra, mas indignação, esperança, medo e solidariedade. A esfera pública digital transforma indignação em ação, e cada post, cada vídeo ou hashtag funciona como ritual de pertencimento. O protesto contra a anistia não é apenas uma disputa legal ou política: é a encenação de uma ética coletiva, um clamor contra a injustiça, que pulsa e se espalha em cada tela.
Se combinarmos Howard e Papacharissi, percebemos que os protestos brasileiros são fenômenos híbridos:
1. Infraestrutura e poder: a política digital é marcada por algoritmos que decidem visibilidade, alcance e influência.
2. Afeto e engajamento: o mobilizador central é o sentimento coletivo, que transforma cidadãos comuns em atores políticos performativos.
Essa convergência revela algo que Bobbio enfatizaria: o poder não é só institucional, mas relacional. A PEC da Blindagem e a anistia não são apenas temas de lei; são testes da capacidade da sociedade de se organizar e resistir, de disputar narrativas, atenção e sentidos de justiça.
Em última análise, os protestos desta semana demonstram que a política não se esgota na rua nem na tela: ela existe na intersecção de ambas, na tensão entre estrutura e emoção, entre tecnologia e ética, entre manipulação e consciência coletiva. O futuro da democracia brasileira se joga nesse espaço híbrido — e é lá que se medirá a força real do engajamento cívico mediado pela tecnologia e redes.
Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em marketing eleitoral.























