Sudoeste Bahia
Publicado em: 26 Fev 2026 / 10h30
Autor: Redação

Trio Wagner, Rui e Jerônimo vence trio de ACM Neto nas redes sociais durante o Carnaval

Foto: Yuri Almeida | Arquivo pessoal

O Carnaval brasileiro, como nos lembra Roberto DaMatta, não é apenas festa: é um ritual de inversão que expõe o “fundo da sociedade”, vira a roupa social do avesso e dramatiza, em poucos dias, hierarquias, conflitos e sonhos de igualdade que marcam o Brasil ao longo do ano. À luz dessa chave antropológica, os dados do estudo do LabCaos sobre o desempenho do Trio Puro G (Wagner, Rui e Jerônimo), do trio de ACM Neto (Neto, Roma e Coronel) e do engajamento do presidente Lula, no Instagram, durante o Carnaval de 2026 deixam de ser mera estatística de campanha e se tornam um capítulo a mais da disputa por sentidos e pertencimentos na democracia brasileira. DaMatta descreve o Carnaval como um “ritual de inversão”: em uma sociedade hierárquica, autoritária e patronal, por alguns dias “se pode fazer tudo”, como se a ordem fosse virada “de cabeça para baixo” e o “fundo do poço viesse para cima”. Esse movimento não é puro descontrole, mas um drama social estruturado em que a rua deixa de ser apenas espaço de estranhos e se torna uma espécie de casa ampliada, onde desconhecidos se tratam com intimidade e as distâncias de classe, raça e poder são momentaneamente relativizadas.