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Levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 23 e 27 de abril29 Abr 2026 / 09h00

Operação Duas Rosas aponta regalias, facilitação de fuga e suposta ligação entre políticos e facção criminosa
Foto: Divulgação | MP-BA
As investigações sobre a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, revelaram que traficantes ligados ao Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) tinham acesso às chaves das próprias celas, circulavam livremente pelo presídio e chegaram a organizar o velório da avó de um dos presos dentro da unidade, com entrada de caixão e corpo. As informações constam na ação penal que apura a relação entre políticos baianos e integrantes do PCE, facção associada ao Comando Vermelho. A apuração integra a Operação Duas Rosas, conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP‑BA). O ex-deputado federal Uldurico Júnior foi preso na semana passada, suspeito de atuar para facilitar a fuga dos detentos em troca de R$ 2 milhões. Segundo o MP, a ligação entre o político e os traficantes seria intermediada pela então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, indicada ao cargo pelo ex-parlamentar. A defesa de Uldurico afirmou que as acusações são infundadas e classificou o caso como perseguição política. A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia foi procurada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem. Joneuma assumiu a direção do presídio em março de 2024 e permaneceu no cargo até dezembro, quando ocorreu a fuga. Ela foi presa em janeiro de 2025, suspeita de facilitar ações da facção. Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, apontado como líder do PCE. As investigações indicam que ele e Uldurico se reuniram mais de uma vez na sala da diretora. Segundo o MP, a ex-gestora autorizou a entrada de eletrodomésticos, refeições diferenciadas, equipamentos sonoros, visitas íntimas fora das áreas permitidas e permitiu que presos circulassem com liberdade, inclusive com posse das chaves das celas. Nesse período, ela também autorizou o velório da avó do traficante Sirlon Risério da Silva, considerado braço-direito de Dada, dentro da unidade prisional. Em delação premiada, Joneuma afirmou que permitiu a entrada do caixão por considerar o ato “humanitário”. A fuga ocorreu em dezembro de 2024. Os presos se concentraram em duas celas e escavaram o teto com uma furadeira. Servidores relataram o barulho à diretora, mas nenhuma medida foi tomada. Joneuma admitiu que sabia do plano e que a fuga estava prevista para 31 de dezembro, mas foi antecipada após rumores de transferência. Após a fuga, Dada teria se escondido no Rio de Janeiro, em área dominada pelo Comando Vermelho. Na segunda fase da Operação Duas Rosas, ele foi localizado em uma casa no Vidigal, mas conseguiu escapar por uma passagem secreta. O nome da operação faz referência ao termo “rosa”, usado pela facção para se referir a dinheiro em conversas codificadas. A Secretaria de Administração Penitenciária é comandada por José Castro, indicado pelo MDB, partido que integra a base do governo estadual. Uldurico Júnior deixou o MDB na última janela partidária e se filiou ao PSDB.
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