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Wallace Carvalho Mesquita de Barros estava afastado desde agosto de 2024, após ser alvo da Operação Liga da Justiça08 Jul 2026 / 11h00
Levantamento nacional mostra queda na ansiedade, redução de conflitos e recreios mais movimentados após a nova lei
Por: Redação Sudoeste Bahia
Foto: Divulgação
Um ano depois da lei federal que restringiu o uso de celulares para fins não pedagógicos nas escolas brasileiras, sancionada em fevereiro de 2025, o ambiente escolar mudou de forma visível. Corredores mais barulhentos, recreios cheios de conversas e salas de aula com menos distrações passaram a fazer parte da rotina de estudantes e professores em todo o país. A regra, que ainda enfrenta tentativas de descumprimento e resistência pontual, já transformou o clima dentro das unidades de ensino. O silêncio das notificações deu lugar ao som das interações presenciais — algo que muitos educadores acreditavam estar perdido. Primeiros resultados - Um levantamento do Ministério da Educação (MEC) e do Inep mostra que a restrição já foi adotada por 92% das escolas públicas e privadas. Entre os gestores entrevistados, 86% relatam queda na ansiedade dos estudantes e 88% afirmam que diminuíram os conflitos ligados ao ambiente digital, como agressões virtuais e casos de cyberbullying. A convivência presencial também melhorou: 55% das escolas registraram redução de brigas e agressões físicas. Adaptação difícil no início - O professor de Matemática Wagner Aguiar, que leciona na rede particular e no Colégio Estadual Manoel Devoto, no Rio Vermelho, conta que os primeiros meses foram marcados por embates constantes. “Foi muito complexo no início. Tivemos vários conflitos para fazer cumprir a regra”, lembra. Com o tempo, porém, a resistência diminuiu. “O aluno virou a chave. Eles entenderam que os benefícios eram grandes.” Recreio mais vivo - A mudança também chegou ao intervalo. Antes dominado por telas, o recreio passou a ser ocupado por jogos, brincadeiras e conversas. Para estimular essa interação, 59% das escolas investiram em atividades coletivas. Segundo Wagner, a diferença é clara: “Eles estão dialogando mais, conhecendo melhor uns aos outros. Buscam brincadeiras, esportes. Isso reduziu até episódios de bullying.” Na sala de aula, o impacto também é sentido. “Os alunos estão se concentrando mais. Entram melhor na aula agora”, afirma. Desafios ainda existem - Convencer adolescentes acostumados à conexão constante segue sendo um obstáculo. 39% dos gestores dizem que a adesão dos estudantes ainda é difícil. O mesmo percentual aponta falta de infraestrutura para guardar os aparelhos com segurança. As escolas adotaram diferentes estratégias: – 62% mantêm os celulares nas mochilas; 33% recolhem os aparelhos na secretaria; 21% permitem que o aluno fique com o celular, desde que não use; Outras utilizam armários individuais, caixas coletivas ou escaneiros espalhados pela unidade. Rede pública enfrenta limitações - Apesar de aprovar a medida, Wagner destaca que a realidade da rede pública ainda impõe barreiras. Sem tablets, computadores ou laboratórios acessíveis, professores ficam impedidos de usar recursos digitais que poderiam enriquecer as aulas. “Às vezes quero usar softwares de Matemática, mas não posso. O aluno não pode usar o celular e não há tablets disponíveis. A sala de informática nem sempre está acessível”, explica. O professor de Informática Augusto Dias concorda: “A proibição é positiva, mas falta tecnologia nas escolas públicas. Mais tablets fariam diferença.” O que vem pela frente - Mesmo com desafios, o primeiro ano da restrição mostra que a medida já impacta a convivência escolar. A expectativa de educadores é que, com ajustes na infraestrutura e maior conscientização dos estudantes, o ambiente continue evoluindo — equilibrando tecnologia, convivência e aprendizagem de forma mais saudável. As informações são do Jornal da Metrópole.
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