STF intima Ministério da Saúde a prestar esclarecimentos sobre plano nacional de vacinação
A cobrança do STF acontece em um momento em que a imprensa brasileira endurece às críticas em relação ao governo brasileiro devido a demora e forma como tem tratado a questão da pandemia no país
Por: Tiago Rego | Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | AFP
- O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Ricardo Lewandowski, intimou no último domingo (13), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para que apresente mais detalhes sobre o plano nacional de vacinação. Pazuello afirmou em entrevista ao Jornal Estadão que ainda não há no mercado uma vacina que tenha sido certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Apresentar uma data, especificar um imunobiológico e apresentar informações sem a devida identificação de uma vacina aprovada pela Anvisa, não condiz com as práticas de segurança e eficiência do Programa Nacional de Imunizações da pasta, que não trabalha com fulcro em especulações desprovidas de confirmações técnicas e científicas”, disse. A cobrança do STF acontece em um momento em que a imprensa brasileira endurece às críticas em relação ao governo brasileiro devido a demora e forma como tem tratado a questão da pandemia no país. Em editorial de ontem, por exemplo, a Folha de São Paulo, chegou a referir-se ao papel de Jair Bolsonaro, enquanto presidente da República, em relação à vacina, de “molecagem com a vacina” e chamou o ministro da Saúde de “fantoche apalermado”. Para o jornal paulistano, Bolsonaro é protagonista de um “descaso homicida” e afirma que ele tem ao seu lado um “círculo de patifes”. Vale ressaltar que o plano nacional de imunização apresentado pelo Ministério da Saúde deixa de fora a Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, que atualmente é capitaneada pelo governo paulista de João Dória.
Pesquisadores negam terem sido consultados pelo Ministério da Saúde sobre plano de vacinação
O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF
Por: Matheus Simoni
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- Um grupo de pesquisadores divulgou uma nota conjunta onde afirma que não foi consultado sobre o plano de vacinação contra a Covid-19 que foi encaminhado pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os cientistas são listados, no plano, como colaboradores e dizem que o material não foi apresentado previamente e não obteve a anuência dos integrantes do grupo.A nota é assinada por 36 pesquisadores. Do plano do governo encaminhado ao Supremo, constam os nomes de cerca de 150 cientistas como colaboradores."O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF. Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência", diz trecho da nota divulgada pelo grupo de pesquisadores. Os cientistas relatam que haviam solicitado uma reunião sobre o plano e manifestado preocupação pela retirada do planejamento "de grupos prioritários" e pela "não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes". O grupo de pesquisadores que assessoraram o Ministério da Saúde reitera a recomendação técnica para que todas as populações vulneráveis, inclusive a carcerária, sejam inseridas na prioridade de vacinação. Eles também pedem a ampliação dos grupos prioritários de forma a abranger todos os trabalhadores de educação e de áreas essenciais. Veja a íntegra da nota do grupo de cientistas: Nota pública do Grupo Técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19”, 12 de dezembro de 2020. O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF. Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência. Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes. Reiteramos nossa recomendação técnica para que todas populações vulneráveis sejam incluídas na prioridade de vacinação, como indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade e pessoas com deficiência. Além dessas, também as outras populações e grupos populacionais já incluídos e apresentados no plano inicial do governo. Outro ponto importante a ser considerado é a ampliação do escopo para todos os trabalhadores da educação e também a inclusão, nos grupos de vacinação, para os trabalhadores essenciais. Novamente, vimos solicitar do governo brasileiro esforços do Ministério da Saúde para que sejam imediatamente abertas negociações para aquisição de outras vacinas que atendam aos requisitos de eficácia, segurança e qualidade, inclusive com laboratórios que reúnam condições de produção e oferta de doses de vacina e com outras empresas também com oferta de vacinas seguras e eficazes. Portanto, é mister considerar que um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas e precisamos nesse momento utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa, a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras. Essa é a mais importante tarefa de nosso tempo e todos os esforços devem ser envidados para a sua realização oportuna, segura e efetiva. Participantes do Grupo Técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional da Vacinação contra COVID-19”























