Entidades veem falhas em regras do TSE sobre IA eleitoral
Sugestões pedem limites a chatbots, deepfakes e impulsionamento pago
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Organizações da sociedade civil, partidos políticos e centros de pesquisa alertaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o que consideram falhas na regulamentação do uso de inteligência artificial e da atuação de influenciadores digitais nas eleições deste ano.As recomendações foram enviadas ao tribunal para subsidiar a resolução que vai disciplinar a propaganda eleitoral, o uso da internet e de ferramentas de IA. O texto final deve ser publicado até 5 de março. A Folha teve acesso a dez contribuições encaminhadas ao TSE.Segundo as entidades, o principal risco para o pleito envolve redes de influenciadores, perfis falsos ou alugados e o uso de tecnologias como chatbots e deepfakes para impulsionar propaganda política fora das regras eleitorais.Uma das maiores preocupações recai sobre um trecho incluído pelo relator da resolução, ministro Kassio Nunes Marques. O parágrafo único do artigo 3-B estabelece que críticas à administração pública feitas por pessoas físicas não configuram propaganda eleitoral antecipada negativa, mesmo quando há impulsionamento pago.Pela legislação atual, apenas partidos e candidatos podem contratar impulsionamento, exclusivamente para propaganda positiva, com gastos declarados à Justiça Eleitoral.Para o DataPrivacyBR, o dispositivo pode abrir brecha para o uso indireto de propaganda negativa paga na pré-campanha. A entidade cita como exemplos campeonatos de cortes de vídeos usados por Pablo Marçal na eleição de 2024 e ações de influenciadores contratados para atacar o Banco Central.O NetLab da UFRJ e o PT apresentaram críticas semelhantes. Já o PL defendeu o trecho, afirmando que ele fortalece a liberdade de crítica a governos e reduz o risco de censura na pré-campanha.Grande parte das contribuições também aponta ausência de regras claras para o uso de inteligência artificial generativa. A organização Artigo 19 avalia que, embora a minuta trate de deepfakes, não há regulamentação sobre informações produzidas por IA quando usadas por eleitores como fonte política.“Ocorrem relatos frequentes de conteúdos distorcidos, incorretos ou fictícios sobre candidaturas e partidos”, afirma a entidade.O NetLab e o PT defendem a proibição de chatbots recomendarem candidaturas. Segundo a pesquisadora Andressa Michelotti, da UFMG, não há hoje vedação explícita ao uso dessas ferramentas para orientar eleitores, apesar do impacto comprovado sobre percepção e comportamento.O PT também pede restrições a conteúdos que simulem material jornalístico e induzam o eleitor ao erro.A professora Laura Schertel, do IDP, propõe um sistema preventivo obrigatório para empresas de IA, com identificação e marcação de conteúdo sintético e salvaguardas contra a geração de imagens realistas de candidatos em contextos de violência, nudez ou ilegalidade.“Os danos ao processo eleitoral são, em geral, irreversíveis. Por isso, a regulação precisa ser essencialmente preventiva”, afirma Bruno Bioni, diretor do DataPrivacyBR.
Governo pede ao TSE veto a deepfakes e cortes de vídeos
Propostas miram propaganda negativa e uso eleitoral da internet
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Foto: Reprodução
O governo Lula (PT) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um conjunto de sugestões para endurecer as regras sobre propaganda eleitoral, uso da internet e inteligência artificial nas eleições deste ano.Entre as propostas, o Planalto defende a responsabilização de redes sociais e empresas de IA por conteúdos manipulados, como deepfakes, e a proibição de chatbots orientarem eleitores a votar em candidatos específicos. A recomendação inclui ainda medidas para coibir cortes de vídeos e premiações financeiras usadas para impulsionar campanhas, prática popularizada nas eleições de 2024.Os memorandos foram encaminhados pela Secretaria de Comunicação Social, Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União e Ministério da Justiça. O TSE deve divulgar a resolução até 5 de março, com ou sem acatar as sugestões.O governo também pede a retirada de um trecho da minuta que permitiria impulsionamento pago de críticas à administração pública por pessoas físicas. Para o Planalto, a regra pode abrir brecha para propaganda negativa disfarçada e desequilibrar a disputa eleitoral.Outra recomendação é ampliar o poder da Justiça Eleitoral para bloquear perfis que violem reiteradamente a lei, mesmo que não sejam falsos ou automatizados. A gestão petista avalia que ilícitos eleitorais são cometidos, com frequência, por contas reais.No campo da inteligência artificial, o governo propõe que sistemas direcionem usuários a informações oficiais da Justiça Eleitoral e que haja responsabilidade solidária entre criadores e plataformas na disseminação de deepfakes.As propostas também incluem a proibição do impulsionamento de conteúdos antidemocráticos, discursos de ódio e ataques ao Judiciário, além de medidas para evitar a retirada excessiva de informações públicas durante o período eleitoral.
O uso da Inteligência Artificial no Marketing Político
A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
O cenário político contemporâneo é indissociável das dinâmicas digitais. Nesse contexto de transformações tecnológicas aceleradas, a Inteligência Artificial (IA) emerge não apenas como uma tendência, mas como uma ferramenta indispensável na análise de dados aplicada ao marketing político. Sua capacidade de processar e interpretar volumes massivos de informações — o chamado Big Data — está redefinindo o diagnóstico, o planejamento estratégico e a monitoramento das campanhas eleitorais. A IA tem se tornado um vetor fundamental para aprimorar a compreensão do comportamento do eleitorado digital e das complexas dinâmicas de engajamento político nas redes sociais. A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais, gerando indicadores objetivos cruciais para a performance das candidaturas. Entre as métricas essenciais, destacam-se a base de seguidores, o crescimento absoluto, o volume de interações e, sobretudo, a taxa de engajamento — indicador que traduz a relevância e a ressonância do conteúdo perante a audiência. A eficácia estratégica não se resume a um único número. É imperativa uma análise integrada das métricas. Mais do que a quantidade, a qualidade da interação — o sentimento e a receptividade do público — é a verdadeira bússola das ações de comunicação política. O conteúdo qualitativo atua como um termômetro da aceitação das mensagens e orienta ajustes finos na narrativa das campanhas. A IA também se destaca na segmentação de conteúdos e no benchmarking das postagens mais eficazes. A análise das publicações de maior sucesso entre os candidatos permite identificar temas, timings e estilos comunicativos que geram conexão real com nichos eleitorais específicos. Essa inteligência orienta a produção de roteiros e publicações, otimizando o investimento de tempo e recursos. Além da otimização em tempo real, a IA abre caminho para planejamentos e projeções eleitorais, além o uso de modelos que combinam técnicas estatísticas com bancos de dados históricos, como os do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para estimar desempenhos eleitorais futuros. Modelos matemáticos, por mais sofisticados que sejam, não capturam integralmente as variáveis políticas, sociais e emocionais que moldam o comportamento do voto. O uso efetivo dessas tecnologias exige mais do que o simples acesso às ferramentas. É necessária competência técnica, domínio analítico e disciplina no diálogo com os sistemas de IA. O refinamento dos “prompts” — as instruções dadas à inteligência artificial — é um processo iterativo que gera análises cada vez mais robustas e personalizadas, ajustadas às particularidades de cada campanha. A tecnologia é uma poderosa aliada, mas deve operar dentro de parâmetros inegociáveis: evitar a reprodução acrítica de informações, assegurar autoria e transparência dos conteúdos e, sobretudo, preservar o senso crítico humano diante das sugestões automatizadas. Em suma, a Inteligência Artificial consolida-se como a espinha dorsal da análise de desempenho e da formulação estratégica no marketing político contemporâneo. Sua aplicação amplia a capacidade de leitura do sentimento eleitoral e de compreensão das dinâmicas sociais. No entanto, seu sucesso depende da qualificação técnica dos profissionais, do entendimento profundo do contexto político-social e de um compromisso ético que garanta a autenticidade e a legitimidade do processo democrático na era digital.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral.
Wagner lança vídeo com IA nas redes e relembra momentos da sua trajetória política
No conteúdo, animado a partir de fotos antigas de arquivo, Wagner surge em cenas que conectam diversos momentos que marcam a sua caminhada e que fazem parte da história da Bahia.
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Foto: Divulgação
Com vídeo de IA publicado nas redes sociais na manhã desta quinta-feira (13), o senador Jaques Wagner (PT-BA) relembra alguns dos principais momentos da sua trajetória política. No conteúdo, animado a partir de fotos antigas de arquivo, Wagner surge em cenas que conectam diversos momentos que marcam a sua caminhada e que fazem parte da história da Bahia. O material começa com uma foto do senador ainda criança e faz uma transição para a sua atuação como sindicalista, passando por momentos da sua trajetória como ministro do primeiro governo Lula, como governador da Bahia, ministro da Defesa na gestão da presidenta Dilma, entre outros momentos, até chegar aos dias atuais como líder do Governo no Senado Federal. A peça também destaca programas estaduais lançados na época da sua gestão como governador do estado, como o TOPA - Todos pela Alfabetização e o Água Para Todos, e programas federais como o Minha Casa, Minha Vida. A inauguração do Metrô em Salvador e a chegada de novas universidades federais na Bahia, que aconteceram no seu período como governador, também são destaques no conteúdo postado pelo senador. Confira o resultado no instagram de Jaques Wagner.























