Mulher trabalha por mais de 50 anos sem salário e é resgatada de condição análoga à escravidão
Vítima atuou para a mesma família durante três gerações e realizava jornadas diárias sem salário, segundo investigação.
Por: Redação Sudoeste Bahia
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- Uma mulher de 62 anos foi resgatada em uma situação de trabalho análogo à escravidão em uma residência de alto padrão em Eusébio, após mais de cinco décadas de trabalho sem remuneração. Ela começou a trabalhar aos sete anos de idade e permaneceu sob a tutela da família, sem acesso à educação e com privação de liberdade. A investigação apontou uma grave violação à dignidade humana e caracterizou a situação como trabalho em condição análoga à escravidão.
Foto ilustrativa / reprodução
Uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão em uma residência localizada em um condomínio de alto padrão no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. Embora a operação tenha sido realizada em junho, o caso só foi divulgado pelas autoridades na última semana. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), a vítima começou a trabalhar para a mesma família em 1971, quando tinha apenas sete anos de idade. Desde então, permaneceu prestando serviços ao mesmo núcleo familiar, atravessando três gerações sem receber salário mensal. As investigações apontam que a rotina da mulher começava por volta das 4h30. Ela preparava o café da manhã, ajudava na organização das crianças para a escola, fazia refeições, limpava a residência, organizava os ambientes e cuidava dos menores ao longo do dia. Durante a fiscalização, uma das empregadoras chegou a afirmar aos auditores que a trabalhadora "foi dada pela mãe", declaração que passou a integrar o relatório da investigação. Os auditores concluíram que a vítima permaneceu submetida, durante mais de cinco décadas, a uma relação marcada pela ausência de remuneração, dependência econômica, privação de acesso à educação e permanência contínua no ambiente familiar desde a infância. Para a equipe de fiscalização, as condições configuram uma grave violação da dignidade humana e caracterizam trabalho em condição análoga à escravidão. No momento do resgate, a mulher morava na residência da bisneta da primeira empregadora. Entre suas funções estavam os cuidados diários de duas crianças, de 7 e 11 anos, além do preparo das refeições e da execução de todos os serviços domésticos da casa. A investigação também revelou que, mesmo sendo hipertensa e apresentando episódios frequentes de mal-estar em situações de estresse, ela continuava desempenhando normalmente todas as atividades exigidas pelos empregadores. O caso segue sob acompanhamento das autoridades trabalhistas e dos órgãos responsáveis pela responsabilização dos envolvidos e pela garantia dos direitos da trabalhadora resgatada.























