BC anuncia novas regras de segurança para combater o crime organizado no sistema financeiro
Medidas estabelecem limite para transações via TED e Pix e exigem que instituições de pagamento e empresas de tecnologia se adequem a novas normas de capital e governança.
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O Banco Central (BC) implementou, na última sexta-feira (5), uma série de novas regulamentações para enfrentar o avanço do crime organizado no sistema financeiro, em resposta a recentes ataques a instituições bancárias. A principal alteração é o estabelecimento de um teto de R$ 15 mil para operações via TED e Pix realizadas por instituições de pagamento não autorizadas e suas parceiras tecnológicas. Esse limite poderá ser revertido apenas se as empresas demonstrarem a existência de sistemas robustos de segurança, com um prazo de 90 dias para a devida adequação. Além disso, o BC antecipou para maio de 2025 o prazo final para que essas instituições solicitem a autorização para operar, proibindo qualquer funcionamento sem a devida permissão. As empresas que tiverem o pedido de autorização recusado terão 30 dias para encerrar suas atividades. As empresas de tecnologia que prestam serviços ao setor financeiro (as chamadas PSTIs) também serão impactadas. Elas agora precisarão comprovar um capital mínimo de R$ 15 milhões e seguir critérios de governança mais rígidos. O prazo para a adequação a essas novas exigências é de quatro meses, sob pena de descredenciamento.
Taxa Selic chega a 12,75% e Copom sinaliza novos cortes
Corte de 0,5% foi aprovado por unanimidade entre os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
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- O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (20), mais uma redução na Selic. A taxa básica de juros da economia brasileira sai de 13,25% ao ano para 12,75% ao ano. Esse é o menor patamar atingido nos últimos 16 meses. A decisão foi unânime entre os membros do comitê. Em comunicado divulgado após a reunião, o Copom voltou a defender que o atual cenário exige serenidade, mas sinalizou que, confirmando-se o cenário esperado, poderá cortar novamente a Selic em 0,5 ponto porcentual no próximo encontro. O comitê argumentou que essa redução é "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2024 e, em grau menor, o de 2025". Esse corte é o segundo no ano. O último, também de 0,5 ponto percentual, aconteceu em agosto, quando o Banco Central passou a afrouxar sua política monetária pela primeira vez em três anos.
Pix permitirá débito automático e funcionamento sem internet, anuncia BC
O anúncio foi feito pelo Banco Central, através do Relatório de Gestão do Pix, divulgado nesta segunda-feira (4)
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- O Relatório de Gestão do Pix, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (4), anunciou que, a partir do segundo trimestre de 2024, a ferramenta poderá ser utilizada em débito automático para pagamento das obrigações recorrentes, ou seja, energia elétrica, taxa de condomínio e plano de saúde. A nova versão se chamará “Pix Automático”, segundo o diretor do BC, Renato Gomes. Outra atualização será a possibilidade de realizar transações via PIX sem a necessidade de conexão à internet, no entanto, apesar da novidade também estar prevista no relatório, ela ainda não possui uma data definida para lançamento. Também foi prevista a possibilidade de realizar transações internacionais através da ferramenta, assim como parcelamentos. "O Pix Automático será desenvolvido de forma bastante flexível, para atender a multiplicidade de negócios em suas diferentes necessidades (...), estimulando a competição. Dada a maior quantidade de agentes aptos a oferecer a solução aos recebedores, espera-se que o custo também seja menor do que o atualmente observado na oferta de serviços similares", diz um trecho do documento emitido pelo BC.
Banco Central define nome da primeira moeda digital do país: Drex
O primeiro real digital deve ser lançado até o fim de 2024 para o público geral; a moeda será emitida pelo BC como extensão da moeda física
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- O Banco Central definiu nesta segunda-feira (7) o nome da nova moeda digital oficial do país: Drex, que representa a abreviação “Digital Real X”. O primeiro real digital deve ser lançado até o fim de 2024 para o público geral. A moeda será emitida pelo BC como extensão da moeda física, sob custódia da própria autarquia federal e de acesso através das carteiras virtuais de bancos e instituições financeiras. A moeda surge com a intenção de baratear os custos de operações bancárias, além de aumentar a inclusão dos consumidores no novo mercado financeiro, segundo o BC. “O real digital é uma expressão da moeda soberana brasileira, que está sendo desenvolvida para dar suporte a um ambiente seguro onde empreendedores possam inovar e onde os consumidores possam ter acesso às vantagens tecnológicas trazidas por essas novas ferramentas, sem que para isso precise se expor a um ambiente financeiro não regulado”, afirmou, em nota aa autarquia monetária. O Drex poderá ser trocada por papel-moeda e vice-versa e terá sua valorização semelhante ao dinheiro em espécie, ou seja, sem remuneração automática.
Mercado financeiro eleva projeção de crescimento para 2,19% em 2023
Informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central
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- O mercado financeiro aumentou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano pela oitava vez. Segundo projeção do Boletim Focus, divulgada hoje (3) pelo Banco Central, o país crescerá 2,19% em 2023. Há uma semana, a previsão era de crescimento de 2,18%. Para o próximo ano também houve aumento na estimativa do PIB para 1,28%, ante os 1,22% da semana passada. Para a inflação, o boletim manteve a tendência de recuo pela sétima semana consecutiva. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar este ano em 4,98%. Há uma semana, a projeção do mercado era de que a inflação este ano ficasse em 5,06%%. Há quatro semanas, a previsão era de 5,69%. A previsão continua acima da meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.), para cima ou para baixo. Dessa forma, a meta será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. Para 2024, a projeção é de que o IPCA fique em 3,92%. Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, a taxa básica de juros, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar. A próxima reunião do Copom está marcada para o início do mês de agosto. Para o mercado financeiro, a expectativa é que haja uma diminuição na taxa. A projeção aponta que a Selic termine o ano em 12%. Divulgado semanalmente, o Boletim Focus reúne a projeção de mais de 100 instituições do mercado para os principais indicadores econômicos do país. Para 2024, o mercado diminuiu a projeção de inflação para 3,92%. Na semana passada a projeção era de 3,98%. Há quatro semanas, a previsão era de que o índice fechasse o próximo ano em 4,12%. Já para 2025, a projeção é de que o IPCA fique em 3,60%. PIB - Em relação ao PIB, o Focus estimou uma queda para o ano de 2025, com um crescimento de 1,81%. Para 2026, o boletim também apontou uma tendência e recuo no crescimento, ficando em 1,90%. Câmbio - O mercado manteve pela segunda semana a previsão do câmbio, com o dólar fechando o ano em R$ 5,00. Ha quatro semanas a previsão era de que a moeda norte-americana ficasse em R$ 5,10. Para 2024, a projeção é que o dólar fique em R$ 5,08, menor do que o projetado na semana anterior, quando a previsão era de R$ 5,16. Para 2025, a previsão é que o câmbio feche em R$ 5,17.
BC anuncia que Pix automático passará a valer em 2024
Modalidade é similar ao débito automático e permitirá que usuário faça pagamentos recorrentes
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- O Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (20), que a modalidade do Pix Automático estará disponível a partir de abril de 2024. O serviço novo é similar ao débito automático e será pautado nos pilares: segurança, flexibilidade e praticidade. O tradicional débito automático na conta corrente depende da relação entre as duas empresas envolvidas na transação, entre o banco e a instituição que o dinheiro será direcionado, o que torna este serviço inacessível. A proposta do Pix automático é que viabilize esse recurso para um maior número de pessoas. "Por outro lado, os pagamentos recorrentes no cartão de crédito não são acessíveis a parte relevante da população. A novidade irá ampliar o leque de alternativas disponíveis para que empresas de todos os tipos e segmentos recebam seus pagamentos recorrentes", disse o BC em nota.
BC: Valor esquecido em contas bancárias somou R$ 7,07 bilhões em abril
Apenas 1,78% resgatará mais de R$ 1.000,01
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- Em abril, um montante de R$ 7,07 bilhões foi deixado sem movimentação bancária, de acordo com o Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central (BC) . Os valores não foram retirados pelos correntistas, emitidos nesse montante expressivo. Essa situação ressalta a importância de verificar regularmente as contas e evitar deixar recursos sem utilização. O montante a ser recebido pelos beneficiários atinge R$ 5,68 bilhões, dos quais 80,34% são destinados a 36.120.252 indivíduos físicos, e R$ 1,39 bilhões correspondem a 2.756.118 empresas. É importante ressaltar que mais de 62% dos beneficiários têm a receber valores de até R$ 10, enquanto apenas 1,78% terão acesso a valores acima de R$ 1.000,01. A análise dos dados revela que a maior parte dos valores está concentrada em instituições bancárias, seguidas por administradoras de consórcio, empresas financeiras, cooperativas, instituições de pagamento, corretoras e distribuidoras. Cabe destacar que o saldo contabilizado refere-se a contas já encerradas ou a reembolsos de tarifas solicitadas, demonstrando a importância desse processo de devolução. De acordo com a autarquia, R$ 3,93 bilhões já foram devolvidos pelo SVR, sendo 74,94% resgatados por pessoas físicas e o restante por pessoas jurídicas.
80% dos brasileiros concordam com pressão de Lula ao BC pela queda de juros, diz Datafolha
Até mesmo entre os eleitores do PL, a percepção é de que os juros estão mais altos do que o recomendado
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Foto: Ricardo Stuckert
- Nos primeiros meses de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) tem feito duras críticas ao Banco Central, por manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A conduta do presidente tem recebido apoio de boa parte da população. Um recorte da pesquisa Datafolha, divulgado nesta segunda-feira (3), apontou que 80% dos brasileiros concordam com a pressão feita pelo petista. Para 71% dos entrevistados, a taxa de juros do país está mais alta do que deveria. Entre os que pensam assim, 55% dizem que a Selic está mais alta do que deveria, e apenas 16% consideram que está um pouco mais alta. Apenas 16% dos eleitores disseram considerar que Lula age mal ao criticar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro (PL). Outros 5% não souberam responder. Até mesmo entre os eleitores do PL, a percepção é de que os juros estão mais altos do que o recomendado: 77% dos entrevistados afirmaram pensar dessa forma. Entre as regiões do país, essa opinião só fica abaixo dos 70% no Nordeste (67%). O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a Selic no atual patamar desde setembro de 2022, quando interrompeu um ciclo de 12 altas consecutivas. Roberto Campos Neto usa o argumento de que controlar a inflação e trazê-la para a meta são decisões técnicas e baseadas nas expectativas de inflação futura.
Saques de dinheiro esquecido somam R$ 301 milhões, indica BC
O valor representa 5% dos R$ 6 bilhões disponíveis para resgate do programa, que foi relançado no dia 7 de março
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- Os saques do dinheiro esquecido pelos brasileiros em instituições financeiras nas consultas do Sistema de Valor a Receber (SVR), do Banco Central, somam R$ 301 milhões. O valor representa 5% dos R$ 6 bilhões disponíveis para resgate do programa, que foi relançado no dia 7 de março. 4,3 mil solicitações de pessoas físicas e empresas foram feitas para a devolução de quantias deixadas em bancos, de acordo com o último balanço do BC. O maior valor sacado por pessoa física foi de R$ 749,5 mil; e por pessoa jurídica, R$ 252,3 mil. A maioria das pessoas, no entanto, tem menos de R$ 10 a receber. Também foram feitas 1,3 milhão de consultas de dados de pessoas falecidas, por herdeiros e testamentários. Para avaliar se há valores a receber em instituições bancárias, basta acessar o site https://valoresareceber.bcb.gov.br, do Banco Central, e clicar em "Consulte se tem valores a receber". Insira os dados e clique em "Consultar".
Consulta a valores esquecidos é reaberta nesta terça
Instituições financeiras depositarão quantias a partir de 7 de março
Por: Wellton Máximo
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Foto: Reprodução
- Com a possibilidade de verificação de valores de pessoas falecidas, a consulta a valores esquecidos no sistema financeiro será reaberta às 10h desta terça-feira (28). Os saques ocorrerão a partir de 7 de março, após 11 meses fechados. Os interessados podem fazer a consulta no site Valores a Receber (SVR), administrado pelo Banco Central (BC). Segundo a instituição, cerca de 38 milhões de pessoas físicas e 2 milhões de pessoas jurídicas têm cerca de R$ 6 bilhões a receber. O sistema terá novidades importantes, como impressão de telas e de protocolos de solicitação para compartilhamento no Whatsapp e inclusão de todos os tipos de valores previstos na norma do SVR. Também haverá uma sala de espera virtual, que permite que todos os usuários façam a consulta no mesmo dia, sem a necessidade de um cronograma por ano de nascimento ou de fundação da empresa. Além dessas melhorias, haverá a possibilidade de consulta a valores de pessoa falecida, com acesso para herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Assim como nas consultas a pessoas vivas, o sistema informará a instituição responsável pelo valor e a faixa de valor. Também haverá mais transparência para quem tem conta conjunta. Se um dos titulares pedir o resgate de um valor esquecido, o outro, ao entrar no sistema, conseguirá ver as informações: como valor, data e CPF de quem fez o pedido. Fontes de recursos - A nova fase do SVR incluiu fontes de recursos esquecidos que não estavam nos lotes do ano passado. Foram acrescentadas contas de pagamento pré ou pós-pagas encerradas, contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas e outros recursos disponíveis nas instituições para devolução. Além dessas fontes, o SVR engloba os seguintes valores, já disponíveis para saques no ano passado: contas corrente ou poupança encerradas; cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito; recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados; tarifas cobradas indevidamente; e parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente. Golpes - Nesta fase do programa, o Banco Central aconselha o correntista a ter cuidado com golpes de estelionatários que alegam fazer a intermediação para supostos resgates de valores esquecidos. O órgão esclarece que todos os serviços do Valores a Receber são totalmente gratuitos, que não envia links nem entra em contato para tratar sobre valores a receber ou para confirmar dados pessoais. O BC também esclarece que apenas a instituição financeira que aparece na consulta do Sistema de Valores a Receber pode contactar o cidadão. O órgão pede que nenhum cidadão forneça senhas e esclarece que ninguém está autorizado a fazer esse tipo de pedido.
Saque de 'dinheiro esquecido' começa nesta terça-feira
Segundo o Banco Central, 38 milhões de pessoas físicas e 2 milhões de empresas têm cerca de R$ 6 bilhões a sacar
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- A partir desta terça-feira (7), o resgate de quantias esquecidas em bancos poderá ser feito por meio do Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central do Brasil. Segundo o BC, 38 milhões de pessoas físicas e 2 milhões de empresas têm cerca de R$ 6 bilhões a sacar. A consulta para saber se há valores a serem recebidos e o resgate do dinheiro podem ser feitas pelo site valoresareceber.bcb.gov.br. A consulta do valor esquecido é feita através do CPF. Caso tenha algo a receber, a devolução do dinheiro deve ser solicitada e a instituição 'devedora' deverá fazer a transferência na chave Pix ou conta informada no momento da solicitação. Caso não consiga fazer a solicitação via SVR, a pessoa terá de entrar em contato com a instituição para combinar a forma de devolução do dinheiro.
Como a autonomia do Banco Central pode mudar a sua vida? Economista de Livramento responde essa e outras questões ao site Sudoeste Bahia
No ambiente atual de extremismo nos posicionamentos, acredito que o que é para ser positivo, pode se tornar uma grande tragédia e gerar ainda mais instabilidade. O Bacen pode criar barreiras e dificul
Por: Tiago Rego | Sudoeste Bahia
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Foto: Reprodução | Getty Imagens
- Muito tem se falado nos últimos dias sobre a independência do Banco do Central (Bacen), mas ao que tudo indica, esse tipo de discussão fica restrita a um público de nicho, em geral, formado por pessoas ligadas a área de finanças, como economistas, administradores, investidores, entre outros. Porém, antes de querer jogar luz aos desdobramentos que envolvem a autonomia do Bacen, é preciso saber, pelo menos em linhas gerais, qual é o papel do Bacen. Para responder estas e outras questões, o Sudoeste Bahia entrou em contato com o economista, analista financeiro e professor universitário, Lucas Spínola. Lucas explica que uma das atuações do Bacen está ligada, sobretudo, ao controle da inflação. “A atuação do Bacen está ligada diretamente ao controle da inflação, através da definição da Taxa SELIC (taxa de juros base da nossa economia) e questões relacionadas ao crédito e liquidez da economia. Também atua na política cambial (troca entre moedas) e administra as nossas reservas, sejam estas em dólar ou até mesmo ouro”, pontuou o analista. Sobre a autonomia do Bacen, Lucas esclarece que se trata, na verdade, de um mandato fixo ao presidente da instituição e a diretoria por um período fixo de 4 anos. No entanto, ainda como está, o mandato da diretoria não possui um prazo definido. “A indicação da diretoria do Banco Central é uma prerrogativa do presidente da República, que tem que ser avalizada pelo Senado Federal. Agora, no entanto, a troca não pode ser feita a qualquer momento, já que com o projeto de lei que ficou conhecido como “Autonomia do Banco Central” garante um mandato fixo a toda diretoria do Bacen por 4 anos, podendo ser renovado uma única vez, com a entrada dos diretores em momentos diferentes e o período de atuação contemplando períodos em 2 mandatos presidenciais diferentes. O mandato fixo trás uma certa estabilidade ao ocupante do cargo e, em tese, isso lhe coloca numa posição mais confortável no que tange a possibilidade de interferência política”, afirmou o economista.
Foto: Reprodução | Acervo Pessoal
Todavia, quando se trata de apontar as possíveis consequências que a autonomia do Bacen poderá trazer a vida dos brasileiros, Spínola adota um tom cauteloso, mas aponta que em um cenário político polarizado e instável, como o que Brasil vive atualmente, o Bacen poderá criar entraves econômicos ao presidente eleito pelo voto popular. “É difícil fazer juízo de valor. Num cenário de alinhamento ideológico, as medidas adotadas pelo Bacen e o governo, podem ser bastante positivas. Passa uma imagem bacana de ordem institucional e uma perspectiva de políticas econômicas visando o longo prazo. Se acreditarmos no bom senso e na racionalidade, podemos ver da mesma forma. No entanto, há uma distância enorme entre a teoria e a prática. No ambiente atual de extremismo nos posicionamentos, acredito que o que é para ser positivo, pode se tornar uma grande tragédia e gerar ainda mais instabilidade. O Bacen pode criar barreiras e dificultar as políticas econômicas do presidente eleito com o voto popular. Numa situação como esta, viveremos o caos”, categorizou. Para finalizar, Lucas tocou no ponto de um possível cenário, em que contas em dólar poderão ser abertas no Brasil. Conforme o especialista, uma economia dolarizada pode conter eventuais avanços da economia brasileira. “Isso pode levar a nossa economia a ser “dolarizada”, o que conteria o potencial das políticas monetárias e cambiais, instrumentos muito importantes na condução econômica de qualquer país. Podemos fazer um paralelo com o Euro. Muitos países sofreram e ainda sofrem com a perca desta capacidade, considerando realidades fiscais e de competitividade econômica completamente diferentes”, concluiu.























