Opinião: Não há diálogo e tolerância para quem ameniza ou defende o nazismo
Por: Tiago Rego | Sudoeste Bahia
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- Em tempos de bolsonarismo, seus adeptos têm usado a garantia constitucional da liberdade de expressão para defender atrocidades costumeiras de sua já conhecida cartilha, como homofobia, racismo, gordofobia, misoginia, entre outros preconceitos que não condizem mais com estes tempos, pelo menos em tese. Porém, quando se pensa que já foi atingido o limite do impensável, vem um tal de Monark, apresentador de um podcast veiculado no YouTube, e simplesmente diz que deveria existir um partido nazista. O que mais chamou atenção, foi a naturalidade do rapaz, que ao que tudo indica sofre de problemas cognitivos, ao fazer estapafúrdia afirmativa, como se fala de uma torcida organizada ou de um bloco de escola de samba. Para quem não sabe da gravidade da declaração, o regime nazista liderado por Adolf Hitler, perseguiu e matou ao menos seis milhoões de judeus. É, sem sombra de dúvidas, o capítulo mais triste da história da humanidade. Após a afirmação do apresentador, de imediato, inúmeras marcas retiraram seus patrocínios do programa e alguns entrevistados pediram para que seus vídeos fossem apagados do canal Flow Podcast, o que resultou na demissão do youtuber. Para piorar, em seu pedido de desculpas, disse que estava bêbado e que defendeu a ideia de forma burra e, por isso, que as pessoas fossem tolerantes com ele. E como se não bastasse, logo após o episódio com o Flow, o ex-BBB Adrilles Jorge, que tinha uma espécie de quadro opinativo na Jovem Pan, fez uma falta simetria, recorrendo ao canhestro silogismo de sempre, sem qualquer referência histórica, em trazer à tona a existência do comunismo, na tentativa de justificar a existência de uma agremiação que se pautasse no ideário de Hitler. Por fim, ao se despedir no programa, Jorge realiza um aceno claramente nazista, em uma atitude zombateira. Mais uma vez, houve uma reação em massa das entidades da sociedade civil, e o falso jornalista foi desligado da Jovem Pan. Mas até onde vai o limite da liberdade? Existe liberdade absoluta? Até mesmo do ponto de vista filosófico, a resposta é não, principalmente quando se vive em uma sociedade em que suas relações são guiadas por princípios humanos que consistem em, acima de tudo, na existência do outro, independente de sua etnia, crença, origem e orientação sexual. Portanto, como bem disse o rapper Emicida, não existe conversa com nazista. Para nazista, é bicuda na boca e pronto! E que tanto Monark, como Adrilles, sejam julgados e punidos pelos seus atos, para que sirva de exemplo, pois já que não se pode eliminar a corrente de pensamento nazista, que seus acólitos sejam silenciados.
Aprendemos tão pouco com 2021, o que nos faz pensar que 2022 será diferente?
Do ponto de vista individual, realização se tornou sinônimo de consumo. A palavra sucesso, que em sua gênese significa fazer acontecer, adquiriu a conotação de pertencer a uma cadeia consumista
Por: Tiago Rego | Sudoeste Bahia
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- Toda virada de ano traz junto consigo uma profunda reflexão. Ou pelo menos deveria trazer. É o momento em que as pessoas fazem uma espécie de balanço de seus atos, com o objetivo de melhorar aquilo que não foi satisfatório, para evoluir no ano seguinte. É claro que as lições das experiências podem ser aprendidas e, com isso, a a adoção de novas práticas em qualquer época do ano, mas, nós seres humanos, necessitamos do chamado marco zero. Não por acaso, a maioria das metas começam no início da semana, do mês ou do ano seguinte. E por falar em ano, no caso do Brasil, 2022 promete ser um ano pra lá de quente. Não quente no sentido climático, caloroso no que diz respeito aos eventos que se avizinham. É ano de Copa do Mundo e de eleições. É claro que no caso da primeira, em cada torneio, os brasileiros têm se importado menos, ou seja, a torcida pela Seleção Brasileira já não tem a mesma dedicação de outros tempos. 22 também será o terceiro ano de pandemia no país. Portanto, apesar da vacinação ter avançado significativamente, o ‘velho normal’ parece que vai ter que esperar um pouco mais. E foi justamente com este cenário pandêmico, que os mais diversos agentes sociais afirmaram que a humanidade iria passar por um grande rompimento, no sentido de ressignificação de valores. Ledo engano. Virada mesmo, só ano. O ano novo já nasce com tons do que é há de mais velho e arcaico. A homofobia ainda é prática reinante no Brasil, o racismo estrutural não para de mostrar a sua cara, e o machismo rege as relações sociais de um patriarcado caduco e falido, dentre outros arcaísmos. Do ponto de vista individual, realização se tornou sinônimo de consumo. A palavra sucesso, que em sua gênese significa fazer acontecer, adquiriu a conotação de pertencer a uma cadeia consumista. Quanto mais cara é esta cadeia, mais o consumidor é considerado uma pessoa exitosa. E as redes sociais estão aí para servir de vitrine desta farsa consumista. Em nome da guerra híbrida que nos domina, é necessário estar no ‘point’ do momento, no lugar mais badalado, rodeado de gente ‘bonita’, com a roupa que é a última tendência em Nova Iorque, Paris ou Miami. Enfim, não aprendemos nada e não ressignificados nada. No mais, tudo não passa de frases demagógicas de coaches que são exibidas nos stories do Instagram.
Com uma pandemia ainda em curso, festa de réveillon e carnaval são manifestações histéricas da insensibilidade coletiva
Por: Tiago Rego | Sudoeste Bahia
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- Graças a robustez do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), aos esforços do governador João Dória (PSDB), de uma CPI no Senado Federal, da pressão da sociedade civil organizada e da imprensa, o expediente negacionista e anticientífico no que tange à pandemia, por parte de Jair Bolsonaro et caterva, se desdobraram ao bom senso. Com isso, podemos dizer então, que mesmo com atraso, que custou a vida de milhares de pessoas, a vacinação no Brasil é um sucesso. Êxito este que é refletido nas ruas, pois mesmo com a pandemia ainda em curso, paira uma sensação de tranquilidade na população, em que boa parte já abandonou as máscaras, estão realizando encontros, o público já voltou aos estádios de futebol e demais eventos, embora este comportamento seja um tão pouco displicente. O certo é que a pandemia chegou em um estágio de fadiga, a ponto de nem mesmo uma nova variante provocar medo nas pessoas. E esta realidade vai de encontro daquilo que se chamou de “novo normal”, ou seja, todos nós sabemos do que o vírus é capaz, mas admite-se conviver com ele, criando novos hábitos e remodelando os ritos sociais. Mas não, o que prevaleceu mesmo foi a força do ‘velho normal’, pois é muito difícil para uma sociedade incorporar novos hábitos e abandonar os velhos. Um exemplo claro dessa premissa, é a histeria da insensibilidade coletiva em torno da realização das festas de réveillon e do nosso famigerado carnaval, enquanto a ameaça da Covid-19 ainda está entre nós. E não venham com essa, “ah, mas Claudia Leitte, João Gomes e Daniela Mercury já estão fazendo suas festas.” Sim, no entanto, uma coisa é um evento particular em que as pessoas assumem os riscos, com exigência de comprovante de vacina e realização de testes rápidos, outra coisa é uma decisão no âmbito da administração pública que coloca milhões de pessoas na rua, com predisposição a troca de fluídos e otras cositas más, se é que me entendem.























