Erro faz homem ficar preso por quase 500 dias após ordem de soltura em Irecê
Justiça apura falha que manteve detento no Conjunto Penal de Irecê por mais de um ano depois da expedição do alvará de soltura29 Jul 2026 / 14h30
Por: Juliana Almirante
Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil
Procurador propôs que uma empresa fosse aberta em nome da própria mulher e da esposa do procurador Roberson Pozzobon
O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, teria montado uma espécie de "plano de negócios" de eventos e palestras para lucrar com o reconhecimento obtido durante as investigações, de acordo com mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil, analisadas em conjunto com a Folha, e publicadas hoje (14). Em uma conversa no fim de 2018, Deltan e um colega da Lava Jato teriam discutido a formação de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, a fim de evitar questionamentos legais. Deltan fala sobre o assunto com a mulher, em um dos supostos diálogos revelados. "Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu. Após discussões sobre os possíveis formatos do negócio, em fevereiro deste ano, Deltan propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres dele e do procurador Roberson Pozzobon, conhecido como Robito. A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e as autoridades apenas podem ser sócios ou acionistas. "Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito [Pozzobon] e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal", diz uma das mensagens. Em seguida, Deltan alertou para a possibilidade de a estratégia levantar suspeitas. "É bem possível que um dia ela [Fernanda Cunha, da Star Palestras] seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa", afirma. Pozzobon então comenta: "Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham". A Folha não encontrou registros de empresas abertas na Junta Comercial do Paraná e em cartórios de Curitiba em nome das mulheres dos procuradores. À reportagem, Deltan Dallagnol justifica que realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção e que esse trabalho ocorre de maneira compatível com a atuação no Ministério Público Federal (MPF). Ele e o procurador Roberson Pozzobon reiteram ainda que não abriram nenhuma empresa.
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