FICCO bloqueia R$ 102 milhões ligados ao PCC e ao CV na Bahia
Força integrada coordenada pela Polícia Federal cumpriu centenas de mandados e intensificou o combate ao tráfico, à lavagem de dinheiro e às lideranças criminosas.01 Jun 2026 / 05h30

Por: Juliana Almirante
Foto: Marcelo Camargo | Agência Brasil
Procurador propôs que uma empresa fosse aberta em nome da própria mulher e da esposa do procurador Roberson Pozzobon
O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, teria montado uma espécie de "plano de negócios" de eventos e palestras para lucrar com o reconhecimento obtido durante as investigações, de acordo com mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil, analisadas em conjunto com a Folha, e publicadas hoje (14). Em uma conversa no fim de 2018, Deltan e um colega da Lava Jato teriam discutido a formação de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, a fim de evitar questionamentos legais. Deltan fala sobre o assunto com a mulher, em um dos supostos diálogos revelados. "Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu. Após discussões sobre os possíveis formatos do negócio, em fevereiro deste ano, Deltan propôs que a empresa fosse aberta em nome das mulheres dele e do procurador Roberson Pozzobon, conhecido como Robito. A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e as autoridades apenas podem ser sócios ou acionistas. "Só vamos ter que separar as tratativas de coordenação pedagógica do curso que podem ser minhas e do Robito [Pozzobon] e as tratativas gerenciais que precisam ser de Vcs duas, por questão legal", diz uma das mensagens. Em seguida, Deltan alertou para a possibilidade de a estratégia levantar suspeitas. "É bem possível que um dia ela [Fernanda Cunha, da Star Palestras] seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa", afirma. Pozzobon então comenta: "Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham". A Folha não encontrou registros de empresas abertas na Junta Comercial do Paraná e em cartórios de Curitiba em nome das mulheres dos procuradores. À reportagem, Deltan Dallagnol justifica que realiza palestras para promover a cidadania e o combate à corrupção e que esse trabalho ocorre de maneira compatível com a atuação no Ministério Público Federal (MPF). Ele e o procurador Roberson Pozzobon reiteram ainda que não abriram nenhuma empresa.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Comentar notícia
Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Sudoeste Bahia. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Nossa equipe poderá retirar, sem prévia notificação, comentários que não respeitem os critérios impostos neste aviso.