MPF e defensorias públicas apontam envolvimento de milícia de PMs em mortes de indígenas na Bahia
Uma mulher pataxó foi assassinada no último domingo em Potiraguá, sul da Bahia, após fazendeiros tentarem expulsar indígenas que ocupavam uma fazenda na região
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Foto: Reprodução | Redes Sociais
- O MPF e as Defensorias Públicas da União e da Bahia afirmam que o assassinato de indígenas tem ligação com com a atuação de uma milícia armada que atua no estado. Investigações apontam que o grupo conta com a participação de PMs. Segundo comunicado do MPF e das defensorias, as apurações começaram após a implantação de um gabinete de crise instalado pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar o assassinato de três jovens indígenas no sul da Bahia, entre setembro de 2022 e janeiro de 2023. As reuniões terminaram sem apontar soluções para o problema de segurança. O MPF e as defensorias dizem que o governo da Bahia negou solicitações feitas por lideranças indígenas para utilização da Força Nacional na região após as mortes. A gestão estadual teria alegado que a segurança poderia ser feita pelas próprias forças locais. As informações são do portal Uol. Uma mulher pataxó foi assassinada no último domingo (21) em Potiraguá, sul da Bahia, após fazendeiros tentarem expulsar indígenas que ocupavam uma fazenda na região. Dois homens foram presos sob a suspeita de ligação com o homicídio.
Ação com cerca de 200 fazendeiros que resultou na morte de indígena na Bahia foi planejada pelo WhatsApp
Caso aconteceu no último domingo (21) após fazendeiros e comerciantes cercaram a área tentaram recuperar a propriedade que estava ocupada por indígenas
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- A ação que resultou na morte da indígena Maria de Fátima Muniz de Andrade, irmã do Cacique Nailton Muniz Pataxó, foi organizada por 200 fazendeiros através do WhatsApp, em grupo intitulado "Invasão Zero". As informações foram confirmadas pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) nesta segunda-feira (22). Além da morte da dela, outros indígenas também foram baleados. A mobilização aconteceu Fazenda Inhuma, na região de Potiraguá, no sul da Bahia. A área foi ocupada pelos indígenas no último domingo (20) por ser considerada de ocupação tradicional. pelos Pataxó hã-hã-hãe. Segundo o MPI, uma mensagem foi distribuída através do aplicativo de mensagens para convocar os fazendeiros em caráter de "urgência",com o objetivo de reintegrar a propriedade que havia sido ocupada. No grupo também foi marcado um ponto de encontro no Rio pardo, na entrada de Pau Brasil, próximo à região. Dois fazendeiros e um indígena foram detidos pela Polícia Militar. O caso é investigado pela delegacia de Itapetinga, com o acompanhamento da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Sudoeste-Sul). O MDI, Secretaria da Segurança Pública (SSP) e o Governo do estado também se mobilizam no caso. Após o caso, a Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA), a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal assinaram uma nota conjunta para manifestar preocupação com a inércia dos governos estadual e federal diante da violência contra povos indígenas na Bahia.
PM suspeito de matar indígenas na Bahia permanece calado em depoimento
Ele foi preso depois de se apresentar à Polícia Civil, acompanhado de dois advogados, em Teixeira de Freitas
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Foto: Reprodução
O policial militar suspeito de matar dois jovens indígenas no município de Itabela foi interrogado na noite de quinta-feira (30) e permaneceu calado. Ele foi preso depois de se apresentar à Polícia Civil, acompanhado de dois advogados, em Teixeira de Freitas. Identificado como Laércio Maia Santos, de 31 anos, o policial militar prestava serviço de segurança privada na região no dia do crime. Ele é suspeito de matar os indígenas Nawir Brito de Jesus, 16 anos, e Samuel Cristiano do Amor Divino, de 21, no dia 17 de janeiro. Após ser preso, ele foi transferido para Eunápolis, onde prestou depoimento. Agora, ele deve ser encaminhado ao Batalhão de Choque da PM, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, onde vai ficar custodiado. O militar estava sendo procurado por equipes da Força Integrada (FI) de Combate a Crimes Comuns envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais. No último sábado (28), a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) anunciou que já havia identificado o suspeito. Em um imóvel utilizado pelo suspeito na na zona rural de Porto Seguro, a polícia havia apreendido armas, celulares, rádios comunicadores, entre outros dispositivos eletrônicos.
Indígenas são mortos a tiros perto de fazenda ocupada por grupo na Bahia
Após o crime, um grupo de indígenas fez uma manifestação na BR-101, que ficou interditada por cerca de três horas
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Dois jovens indígenas foram mortos a tiros na noite da última terça-feira (17). O crime aconteceu na BR-101, em trecho da cidade de Itabela, no extremo sul da Bahia. As vítimas foram identificadas como Nawir Brito de Jesus, de 17 anos, e Samuel Cristiano do Amor Divino, de 25. De acordo com a Polícia Civil, eles foram baleados por volta das 17h, quando seguiam para o uma fazendo no Povoado de Montinho. A fazenda foi ocupada por um grupo indígena no processo de retomada feito pelos povos Pataxós da região extremo sul. De acordo com testemunhas, os disparos foram realizados por homens que estavam a bordo de uma motocicleta. As vítimas foram atingidas nas costas. A Delegacia Territorial (DT) de Itabela está investigando o caso, mas ainda não há informações sobre a autoria e motivação do crime. Após o crime, um grupo de indígenas fez uma manifestação na BR-101, que ficou interditada entre 19h e 22h de terça-feira. O Movimento Indígena da Bahia e a Federação Indígena das Nações Pataxós e Tupinambás do Extremo Sul da Bahia (FINPAT) se posicionou e pediu, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e aos ministérios da Justiça dos Povos Indígenas, que a segurança na região fosse reforçada. Indígenas e fazendeiros estão em conflitos com fazendeiros por disputa de terras desde o ano passado.























