Representação do Dia da Consciência Negra provoca críticas à escola
Colégio Adventista divulgou fotos de atividade que mostrava aluno negro amarrado a um tronco; instituição diz que houve interpretação “descontextualizada”.
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Foto: Reprodução
O Colégio Adventista de Alagoinhas, município localizado a cerca de 60 km de Feira de Santana, foi alvo de críticas nas redes sociais nesta quarta-feira (26) após a divulgação de imagens de uma atividade realizada no Dia da Consciência Negra. Em uma das fotos, um aluno negro aparece amarrado a um tronco, vestindo roupas rasgadas, enquanto outro estudante, branco, segura um chicote. O material foi publicado nas redes sociais da própria escola. Em outra imagem, uma aluna branca representa a princesa Isabel assinando a Lei Áurea.A repercussão aumentou após a professora e escritora Bárbara Carine, vencedora do Prêmio Jabuti de 2024 com o livro Como ser um educador antirracista, comentar o caso nas redes. Ela afirmou que a atividade reproduziu violências históricas contra a população negra e destacou a ausência de referências importantes da luta antirracista, como Luiz Gama, Maria Felipa e Luiza Mahim. Em nota, o Colégio Adventista declarou que houve “interpretações equivocadas” e que os registros divulgados correspondem a “trechos isolados”, sem o contexto completo da atividade pedagógica. A instituição afirmou ainda que repudia qualquer forma de discriminação e que suas práticas educacionais são orientadas por valores de respeito, igualdade e formação cidadã.A escola informou que permanece à disposição da comunidade para prestar esclarecimentos.
Senado aprova feriado nacional para o Dia da Consciência Negra
Texto agora irá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
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Foto: Reprodução | Agência Brasil
- O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (29) o projeto de lei que transforma o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, 20 de novembro, em feriado nacional. O texto já havia sido aprovado no Senado Federal e agora segue para sanção presidencial. No total, o projeto que teve como relatora na Casa a deputada Reginete Bispo (PT-RS), alcançou a aprovação de 286 deputados, 121 negativas e outras duas abstenções. A data já é feriado em seis estados brasileiros e em 1.200 cidades. A proposta é de autoria do senador Randolfe Rodriguess (Rede) e foi aprovada em regime de urgência no dia 21 de novembro. Ela era uma demanda da bancada negra da Câmara, criada no início do mês.
Rio de Contas institui Dia da Consciência Negra como feriado municipal
Atividades culturais serão realizadas no município para celebrar a data
Por: Tiago Rego | Jornalista
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Foto: Marcos Oliveira | Sudoeste Bahia
- O dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, será feriado municipal em Rio de Contas, no sudoeste da Bahia. Isso porque, o prefeito Cristiano Azevedo (PSB), sancionou a Lei Municipal nº 339/2023, que institui a data como feriado na cidade. Segundo divulgou a Prefeitura Municipal de Rio de Contas, na próxima segunda-feira (20), atividades culturais serão realizadas em Rio de Contas em celebração ao Dia da Consciência Negra. Histórico - O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. Atualmente existe uma série de estudos que procuram reconstituir a biografia desse importante personagem da resistência à escravidão no Brasil. Com isso, o 20 de novembro tornou-se a data para celebrar e relembrar a luta dos negros contra a opressão no Brasil. Por essa razão, o Treze de Maio, data em que a abolição da escravatura aconteceu, foi deixado de escanteio. O argumento utilizado é que o Treze de Maio representa uma “falsa liberdade”, uma vez que, após a Lei Áurea, os negros foram entregues à própria sorte e ficaram sem nenhum tipo de assistência do poder público.
Dia da Consciência Negra aponta para a longa luta antirracista no país
Data foi oficializada em 2011, mas dia da morte de Zumbi é rememorada pelo movimento negro desde a década de 1970
Por: Nara Lacerda
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Estátua de Zumbi dos Palmares em Salvador
- Na década de 1970, um grupo de militantes, incentivado pela descoberta histórica da data de morte de Zumbi dos Palmares, celebrou pela primeira vez o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. A trajetória do líder do quilombo de Palmares inspirou a criação de um momento que relembrasse a luta contra o racismo no Brasil. Oficialmente, a data só seria inserida no calendário do país em 2011. A demora soa quase irônica, frente à lentidão histórica para a inclusão real das pessoas pretas no Brasil. Embora seja um personagem centenário, pouco se sabe sobre a história de Zumbi dos Palmares. Há divergências entre historiadores sobre sua infância e sua vida. Boa parte do que foi documentado está sob o ponto de vista dos autores dos diversos ataques contra Palmares. Há um fato que parece ser consenso, no entanto. O líder discordou de tentativas de acordo com a coroa portuguesa. Uma carta resgatada pelo historiador Décio Freitas no livro República de Palmares, assinada pelo rei de Portugal, tentava negociar com o quilombo. No texto a coroa dizia que iria "perdoar todos os excessos" de Zumbi em troca de lealdade e fidelidade ao reino. "o faço por entender que vossa rebeldia teve razão nas maldades praticadas por alguns maus senhores em desobediência às minhas reais ordens", dizia o rei. Zumbi não aceitou o acordo. O fato do personagem histórico negar negociar com os responsáveis diretos pela escravidão e não admtir a ideia de lealdade a essas pessoas fala muito sobre o líder . Liga Zumbi diretamente ao espírito da luta do povo preto até a atualidade. O fim da escravidão no Brasil não significou inclusão na política, na economia e a garantia de direitos humanos básicos. Não é exagero afirmar que os trabalhos forçados dos cidadãos africanos, que foram obrigados a migrar para o Brasil, estão na base da construção do país. Entre os séculos XVI e XIX cerca de 11 milhões de pessoas de diferentes países da África foram trazidas para as Américas de maneira forçada, como escravos. O Brasil recebeu seis milhões desses cidadãos. O trabalho dessa gente em lavouras de cana-de-açúcar e café, minas de ouro e diamante e como serviçais domésticos sustentou os lucros do país por séculos. Foi da escravidão que vieram os ganhos de latifundiários e fazendeiros, os produtos para exportação, a criação e educação dos filhos da elite branca. A economia brasileira cresceu completamente dependente do crime da escravidão. Ainda assim, mais de 100 anos após o fim da escravidão, a marginalização do povo preto é parte da realidade. O racismo é uma marca colonial persistente. Nesse contexto, Palmares é visto como símbolo da possibilidade real de uma comunidade com economia própria e vida independente do pensamento e do poder colonizador. No Brasil hoje, os índices de desempregro, violência, pobreza, pouco acesso à educação, entre muitos outros problemas estruturais ainda atingem mais a população preta. Não é possível negar a conexão dessas realidades e o fato de que, por séculos, os povos africanos foram vistos como ferramenta para trabalhos forçados. Corrigir o racismo exige uma revisão histórica e social.























