Bolsonaro passa informação falsa sobre vacinas e defende cloroquina
O presidente disse, erroneamente, que vacinas estão em fase experimental, defendeu hidroxicloroquina e falou, sem provas, em supernotificação de casos de Covid
Por: Adele Robichez
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Foto: Reprodução | Reuters
- O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou de um culto evangéligo em Anápolis (GO) na manhã desta quarta-feira e voltou a questionar a eficácia das vacinas contra Covid-19. "[Remédios do chamado tratamento precoce] não têm comprovação científica. E eu pergunto: a vacina tem comprovação científica ou está em estado experimental ainda? Está [em estado] experimental", disse. A fala do presidente é falsa porque as vacinas contra a Covid-19 não estão em estado experimental. No Brasil, diferentes imunizantes receberam o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tendo passado por análises de segurança, qualidade e eficácia. Mesmo as vacinas que receberam luz verde para aplicação emergencial passaram por esse tipo de avaliação. Em outro momento de seu discurso, o presidente voltou a defender o tratamento precoce, como medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, para a covid-19. Segundo ele, haveria supernotificação de casos no país, mas uma afirmação sem provas. "Se nós retirarmos as possíveis fraudes, teremos, em 2020, o nosso país, o Brasil, como aquele de menor número de mortos por milhão de habitantes por causa covid. Que milagre é esse? O tratamento precoce. Quem aqui tomou hidroxicloroquina, levanta o braço, por favor?. Querem prova maior? Eu tomei hidroxicloroquina. Outros tomaram ivermectina", afirmou.
Presidente da Anvisa se diz contra uso da cloroquina e confirma tentativa de mudar a bula do remédio
Antonio Barra Torres presta depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (11)
Por: Metro 1
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Foto: Reprodução | Agência Senado
- O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou nesta terça-feira (11) ser contra a indicação do uso da hidroxicloroquina como tratamento da doença. A declaração foi dada durante depoimento à CPI da Covid. "Minha posição [de tratamento precoce] não contempla essa medicação", afirmou. Torres também foi questionado pelo relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o relato do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Em seu depoimento ao colegiado, o ex-titular afirmou ter participado de reunião no Palácio do Planalto em que foi sugerida uma proposta de decreto para alterar na bula da cloroquina para contemplar a indicação contra a Covid-19. De acordo com o diretor da Anvisa, que também é contra-almirante da Marinha, participaram do encontro Mandetta, o então ministro da Casa Civil, general Braga Neto, e a médica Nise Yamaguchi. "Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação deselegante minha", relatou Torres. "Só quem pode modificar a bula é a agência, desde que requisitado pelo desenvolvedor do medicamento... quando houve uma proposta de pessoa física, eu falei 'não tem cabimento'", afirmou. Barra Torres confirmou que, em seguida, Mandetta se retirou da reunião. Ele disse não saber quem foi o autor do decreto, mas afirmou que Nise parecia estar "mobilizada".
Reações adversas à cloroquina disparam 558% e Anvisa já registra nove mortes
Por: Luciane Freire
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Foto: Reprodução | Getty Images
- As notificações por efeitos adversos decorrentes do uso de medicamentos do "kit Covid" como cloroquina e hidroxicloroquina em 2020 dispararam na comparação com o ano anterior. Ao menos nove mortes foram notificadas, todas após março de 2020, depois do início da epidemia de Covid-19 no país. O aumento nas notificações por efeitos adversos da cloroquina foi de 558%. O medicamento é recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro.Os dados são do Painel de Notificações de Farmacovigilância mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e foram divulgados pelo jornal O Globo.
Associação Médica Brasileira defende banimento do uso de remédios sem eficácia comprovada contra Covid
Por: Geovana Oliveira
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Foto: Reprodução | Getty Images
- A Associação Médica Brasileira (AMB) mudou o posicionamento e passou a condenar o uso de remédios sem eficácia contra a Covid-19. Em boletim divulgado hoje (23), a associação diz que o uso de medicamentos como a cloroquina e a ivermectina deve ser banido. Em julho do ano passado, a entidade havia defendido a "autonomia do médico" ao receitar os medicamentos."Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida", afirma associação. No documento, a AMB ainda ressalta a necessidade de ação das autoridades para solucionar a falta de medicamentos no atendimento de pacientes internados com Covid, principalmente daqueles necessários para a intubação. Em Salvador, o secretário Leo Prates afirmou que está sendo feita uma compra emergencial para garantir os medicamentos em todas as unidades de Saúde. A associação lidera um grupo que reúne diversas sociedades científicas e associações médicas de todo o País, as entidades alertam para a falta de estrutura, insumos e profissionais neste momento da pandemia e ressaltam que as fake news “desorientam os pacientes”. Reafirmam ainda que não existe tratamento precoce comprovado contra a doença.























