Erro faz homem ficar preso por quase 500 dias após ordem de soltura em Irecê
Justiça apura falha que manteve detento no Conjunto Penal de Irecê por mais de um ano depois da expedição do alvará de soltura29 Jul 2026 / 14h30
Foto Anderson Oliveira
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) ajuizou ação por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Poções, Luciano Araújo Mascarenhas (PP), e o ex-secretário de Saúde da cidade, Gilvan Pereira de Almeida, pedindo a devolução aos cofres públicos de aproximadamente R$ 2,4 milhões. As irregularidades foram encontradas em contrato para compra de combustíveis firmado entre a prefeitura e uma empresa de propriedade do ex-secretário, entre os anos de 2010 e 2012.
De acordo com o inquérito civil público que embasa a ação, a empresa do ex-secretário foi a única participante do processo licitatório, em 2009, para abastecimento de combustíveis dos veículos da prefeitura em 2010, e declarada vencedora com a proposta de 3,7 milhões de reais. Entretanto, o consumo total da prefeitura no ano de vigência do contrato foi de menos de um milhão. O valor da proposta na licitação teria sido propositadamente exagerado, para que no final do contrato se utilizasse o argumento de “saldo licitado” para a renovação. Pela diferença entre o valor do contrato e o consumo da prefeitura, a empresa de Gilvan Pereira poderia se valer deste artifício para fornecer os combustíveis até o fim do mandato do prefeito, burlando a necessidade de novas licitações.
Outra irregularidade apontada ocorreu em março de 2010, três meses após o início do contrato investigado. Gilvan Pereira foi nomeado secretário de Saúde do município e os contratos passaram a ser assinados por sua esposa e sócia da empresa, para fugir do art. 9º da Lei 8.666/93, que proíbe que servidores públicos participem ou se beneficiem de licitações.
Ainda segundo o inquérito, o contrato foi prorrogado nos anos 2011 e 2012 com a maquiagem do“saldo licitado”, sem qualquer argumento legal ou justificativa que mostrasse ser a melhor opção para as contas públicas. Além disso, utilizou-se a esposa do ex-secretário para burlar a lei e mascarar o real beneficiário dos contratos. Por fim, o inquérito mostra mais uma evidência de desvio de recursos: A prefeitura gastou em 2012, inexplicavelmente, 50% a mais com combustíveis do que nos anos de 2010 e 2011, embora os preços vigentes continuassem os mesmos. As cifras são de, aproximadamente, 950 mil reais em 2010, 940 mil reais em 2011 e 1,4 milhão de reais em 2012. A ação impetrada pelo procurador da República André Viana pede que seja decretado, em caráter liminar, o bloqueio dos bens e das contas bancárias dos envolvidos até a quantia de aproximadamente 2,4 milhões de reais, referente às renovações contratuais irregulares de 2011 e 2012.
Se condenados por improbidade administrativa, além ressarcir os danos causados ao patrimônio público,os acusados terão que pagar multa, perderão o direito de exercer função pública, serão proibidos de contratar com o poder público ou receber benefícios, incentivos fiscais ou crédito pelo prazo de cinco anos, e perderão os direitos políticos pelo prazo de cinco a oito anos bem como os bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
Anderson Oliveira
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Comentar notícia
Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Sudoeste Bahia. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Nossa equipe poderá retirar, sem prévia notificação, comentários que não respeitem os critérios impostos neste aviso.