MPF recomenda que Ibama não renove licença de operação de unidade nuclear em Caetité
Órgão quer que comunidades quilombolas sejam consultadas antes da renovação; INB opera a unidade desde 1999
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Narração automática (IA)Resumo
- O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o Ibama suspenda a renovação da licença de operação da Unidade de Concentrado de Urânio (URA) em Caetité, na Bahia, por não ter realizado consulta prévia com comunidades quilombolas. A unidade operada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) desde 1999 nunca realizou tal consulta.
- A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) determina que povos tradicionais sejam ouvidos sempre que medidas administrativas possam impactar seus territórios e modos de vida. O MPF alega que a renovação da licença não é automática e precisa passar por nova avaliação técnica, com possibilidade de inclusão de condicionantes ambientais e sociais.
Foto: Reprodução | INB
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o Ibama suspenda a renovação da licença de operação da Unidade de Concentrado de Urânio (URA), instalada em Caetité, no sudoeste da Bahia. A orientação foi enviada nesta semana e pede que o processo só avance após a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades quilombolas que vivem no entorno do empreendimento operado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Comunidades quilombolas nunca foram consultadas - De acordo com o MPF, ao menos 14 comunidades quilombolas localizadas num raio de até 20 quilômetros da unidade — entre Caetité e Livramento de Nossa Senhora — jamais participaram de qualquer processo de consulta, mesmo com a URA em funcionamento desde 1999. O órgão lembra que a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em vigor no Brasil desde 2004, determina que povos tradicionais sejam ouvidos sempre que medidas administrativas possam impactar seus territórios e modos de vida. O procurador da República Marcos André Carneiro Silva afirma que o direito à consulta não depende da titulação definitiva das terras. Segundo ele, há 13 processos de regularização fundiária em andamento no Incra envolvendo comunidades da região, alguns iniciados há mais de uma década, o que reforça a necessidade de participação social no licenciamento. Renovação exige nova análise ambiental - O MPF destaca que a renovação da licença ambiental não é automática e precisa passar por nova avaliação técnica, com possibilidade de inclusão de condicionantes ambientais e sociais. Por isso, segundo o órgão, a autorização só pode ser renovada após a consulta às comunidades potencialmente afetadas. O documento enviado ao Ibama também lembra que já existem tratativas entre o MPF e as INB para firmar um acordo extrajudicial que viabilize a consulta às comunidades quilombolas da área de influência direta da unidade. O Ibama tem 30 dias para informar se acatará a recomendação e quais medidas adotará para garantir o cumprimento da Convenção 169 da OIT.
Durante protesto, ativista Greta Thunberg é detida por policiais alemães
Durante protesto, ativista Greta Thunberg é detida por policiais alemães
A ambientalista sueca estava participando de uma manifestação contra a expansão de uma mina de carvão quando foi detida pelas autoridades locais
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Foto: Redes Sociais
- A ambientalista Greta Thunberg foi detida, nesta terça-feira (17), após participar de um protesto contra as obras de expansão de uma mina de carvão nas proximidades da cidade alemã de Lutzerath. Durante a manifestação, autoridades locais chegaram a levar Greta carregada para dentro de um ônibus da polícia. A jovem estava reunida com outros manifestantes, porque será necessário demolir uma vila para que as obras de expansão sejam concluídas. Mesmo que a vila seja derrubada, há o planejamento para que a mina seja ativada em breve, para fornecer energia elétrica. No momento, a Alemanha enfrenta uma crise de abastecimento de energia por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Antes de ser detida, Greta realizou uma publicação nas redes sociais onde falou sobre a situação que está ocorrendo na localidade e sua participação nos protestos. "Nós estamos em Lutzerath, um vilarejo alemão ameaçado de demolição para a expansão de uma mina de carvão. As pessoas estão resistindo e defendendo Lutzerath por anos. Recentemente despejos começaram, mas o espírito de luta ainda persiste.”






















