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Levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 23 e 27 de abril29 Abr 2026 / 09h00

Em nota oficial, universidade lamenta mortes na megaoperação no Rio e critica “uso arbitrário das forças do Estado”; posicionamento provoca reação entre estudantes e internautas.
Foto: Divulgação
A Universidade do Estado da Bahia (Uneb) publicou, em seu perfil oficial no Instagram, um manifesto com críticas à megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na última terça-feira (28), que resultou em 121 mortos, entre eles quatro policiais.Na nota, intitulada “Manifesto por uma segurança pública que atue em defesa da vida”, a instituição afirma que o episódio expõe o “uso arbitrário das forças do Estado em um projeto que criminaliza a pobreza, racializa o território e normaliza a morte de pessoas negras e periféricas”.“Lamentamos profundamente as mortes decorrentes do massacre ocorrido no Rio de Janeiro (...). A Universidade do Estado da Bahia manifesta sua indignação e seu compromisso com a defesa da vida. Não é possível falar em democracia em um país que naturaliza chacinas”, diz trecho do comunicado.O texto destaca ainda que “não há justiça onde o racismo e a desigualdade determinam o valor das vidas” e defende que uma universidade pública comprometida com o povo “não pode se calar” diante de situações de violência e exclusão social.Repercussão nas redes sociaisA publicação da Uneb gerou forte reação nos comentários, inclusive de perfis que se identificaram como estudantes da própria universidade.“Como discente, sinceramente, li essa nota e senti uma profunda frustração. A forma como a Universidade escolhe se posicionar me parece extremamente simplista e ideológica”, escreveu uma estudante.Outro usuário classificou o comunicado como “discurso ideológico parcial e generalizante”, afirmando que o texto “transforma uma tragédia em palco político”.Houve também quem mencionasse problemas locais de segurança. Um internauta lembrou que, quando há tiroteios no bairro da Engomadeira, vizinho ao campus da Uneb em Salvador, as aulas são suspensas: “Quando tem tiroteio na Engomadeira no sábado, na segunda não tem aula”, escreveu.Entre os comentários mais críticos, alguns chegaram a ironizar o teor da nota e pedir sua exclusão das redes sociais. “Essa nota reduz um problema complexo a uma narrativa racial automática. Segurança pública não se discute com slogans”, opinou outro usuário.ContextoA megaoperação no Rio de Janeiro foi deflagrada em comunidades controladas pelo Comando Vermelho, nos complexos da Penha e do Alemão, e contou com a participação de forças estaduais e federais. A ação, considerada uma das mais letais da história recente do país, segue repercutindo em diversos setores da sociedade.
"NOTA OFICIAL
Manifesto por uma segurança pública que atue em defesa da vida
Lamentamos profundamente as mortes decorrentes do massacre ocorrido no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28). Mortes que expõem o uso arbitrário das forças do Estado em um projeto que criminaliza a pobreza, racializa o território e normaliza a morte de pessoas negras e periféricas.
A Universidade do Estado da Bahia manifesta sua indignação e seu compromisso com a defesa da vida. Não é possível falar em democracia em um país que naturaliza chacinas.
Não há justiça onde o racismo e a desigualdade determinam o valor das vidas. Uma universidade comprometida com o povo não pode se calar.
O massacre no Rio de Janeiro evidencia padrões históricos de exclusão e violência que atravessam o país — padrão que reforça a necessidade de políticas públicas e sociais consistentes, baseadas na escuta e no protagonismo das comunidades.
A Uneb reafirma sua missão de produzir conhecimento comprometido com a proteção da vida, a redução das desigualdades históricas e a promoção de direitos civis, culturais e sociais."
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