Opinião: Flávio chega à reta final como favorito em eleição aberta
Opinião: Flávio chega à reta final como favorito em eleição aberta
Mobilização do PT e força do governo estreitaram a diferença nas pesquisas; virada ainda depende de convencer indecisos em dez dias marcados por debates
Por: Silvio Cascione
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Narração automática (IA)Resumo
- O segundo turno da eleição presidencial brasileira se aproxima, com Flávio como favorito, mas a diferença de votos ainda é estreita e pode mudar nos próximos dias. As primeiras pesquisas apontam uma vantagem de três a quatro pontos para Flávio, porém a tendência indica que Lula está se aproximando novamente, impulsionado pela forte mobilização nas redes e nas ruas, além de debates televisivos que podem influenciar eleitores indecisos.
- A campanha de Lula ganha força com o apoio de figuras como André Janones e a retórica de medo sobre a volta de Bolsonaro, enquanto Flávio tenta reagir após um início confiante, adotando estratégias como o apoio ao fim da escala 6x1. Questões como corrupção, segurança pública e a Operação Unha e Carne permanecem como fatores decisivos para o eleitorado nas últimas semanas antes da votação.
Foto: Reprodução
O segundo turno da eleição presidencial entra na reta final com Flávio como favorito. Mas, a dez dias da votação, a diferença entre ele e Lula é pequena, e o jogo não terminou. Começo pelas pesquisas. No primeiro turno, elas subestimaram Flávio. Parte disso se deveu ao voto útil: eleitores de candidatos alternativos que mudaram de ideia entre o sábado e o domingo e não foram captados pelos institutos. Houve, além disso, alguma subestimação adicional. Do primeiro para o segundo turno, porém, as pesquisas costumam calibrar melhor seus resultados, e historicamente a taxa de erro cai. Na passagem para o segundo turno, o próprio resultado das urnas indicava que a vantagem de Flávio tenderia a crescer. A maior parte dos eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos apontava o senador, e não Lula, como segunda opção. Pela conta da Eurasia Group, com base na distribuição dos votos e nessas preferências declaradas em pesquisas, a diferença de dois pontos do primeiro turno deveria se converter em uma vantagem de três a quatro pontos para Flávio no segundo. As primeiras pesquisas do segundo turno mostraram uma vantagem até um pouco maior que essa. Pode ter sido o reflexo de eleitores aderindo ao candidato que saiu na frente, ou sendo levados pelo desejo de mudança. Essa diferença, no entanto, já está caindo e voltou para perto da faixa de três a quatro pontos estimada inicialmente. Os números variam de um instituto para outro, mas a tendência sugere que Lula pode entrar na última semana a uma distância ainda menor. Isso tem a ver com a mudança na campanha. O primeiro fator é a própria condição de favorito. Na Quaest, 53% dos eleitores acreditam que Flávio vencerá; na véspera do primeiro turno, eram 35%, e a maioria apostava em Lula. Quando o eleitor passa a ver um governo Flávio como provável, ouve com mais atenção os argumentos sobre como seria esse governo. O discurso do medo, da volta de Jair Bolsonaro ao poder, ganhou força de uma semana para cá: hoje, 43% dizem temer a volta da família Bolsonaro, mesmo percentual dos que temem a reeleição de Lula. Mais importante, porém, é a mobilização que o PT conseguiu nas redes e nas ruas. O “exército” de André Janones, as selfies de Lula e as manifestações de rua melhoraram a coordenação de uma militância que, no primeiro turno, esteve muito mais dispersa. Tudo isso ajuda a projetar melhor a força do incumbente, que era a razão principal do leve favoritismo de Lula antes do primeiro turno: a possibilidade de tomar medidas que mexem com a popularidade ou, no mínimo, pautam o debate público. A redução da jornada de trabalho, por exemplo, será amplificada por essa campanha mais mobilizada e mais organizada. Do outro lado, a campanha de Flávio começou o segundo turno no clima de “já ganhou” e demorou a reagir. Agora se reorganiza, com mobilizações próprias e um aconselhamento mais ativo de Jair Bolsonaro, ainda que ele não apareça diretamente. Foi depois de visitar o pai, na terça-feira, que Flávio anunciou voto a favor do fim da escala 6x1. Trata-se de uma decisão tática para não ficar do lado de uma posição impopular e deixar o tema esfriar até o dia 25. O ex-presidente terá mais influência sobre as próximas decisões da campanha. Nesse contexto, os debates, na Band no domingo e na Globo na sexta-feira seguinte, serão mais importantes do que em eleições passadas. O confronto direto é uma oportunidade para Lula convencer quem está em dúvida ou pensa em não votar. Na Quaest, 9% dos eleitores dizem que ainda podem mudar o voto. Por ora, a mobilização do governo parece ter chegado tarde para reverter o que Flávio construiu no primeiro turno. Corrupção e segurança pública, as principais preocupações do eleitor, continuam atrapalhando Lula, mesmo que escândalos desgastem também a campanha de Flávio – como pode ser o caso no Rio de Janeiro, com a nova fase da Operação Unha e Carne, e com as novas informações sobre a relação entre o ministro do STF Kassio Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro. No segundo turno, o senador é o favorito. Mas, com uma diferença dessa ordem e dez dias pela frente, a eleição ainda não terminou.
























