Anvisa aprova lenacapavir como nova estratégia de PrEP no país e com quase 100% de eficácia
Remédio depende agora da definição de preço e de avaliação para possível incorporação ao SUS.
Ouvir Notícia
Narração automática (IA)Ouvindo Notícia
Narração automática (IA)
Foto: Reprodução | Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o registro do lenacapavir para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), com a finalidade de diminuir o risco de infecção pelo HIV-1 por transmissão sexual no Brasil. A indicação é voltada a adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco de exposição ao vírus. Antes do início do tratamento, é obrigatória a realização de teste com resultado negativo para HIV-1.Apesar da autorização sanitária, o medicamento ainda não pode ser comercializado. A liberação depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo Ministério da Saúde. O lenacapavir atua em diferentes etapas do ciclo de vida do HIV-1, inibindo a função do capsídeo viral e impedindo a replicação do vírus. Com isso, o agente infeccioso perde a capacidade de sustentar a transcrição reversa, processo essencial para a infecção das células humanas.O medicamento possui duas apresentações: uma injeção subcutânea aplicada a cada seis meses e um comprimido oral utilizado no início do esquema terapêutico. A proposta é reduzir a dependência do uso diário de medicamentos, ampliando a adesão ao tratamento preventivo. Segundo a farmacêutica Gilead Sciences Brasil, o registro também contempla o uso do lenacapavir no tratamento de pacientes multiexperimentados (HTE), que vivem com HIV-1 e apresentam resistência a múltiplas classes de antirretrovirais.A PrEP é considerada uma das principais estratégias de prevenção ao HIV. Ela consiste no uso de antirretrovirais por pessoas não infectadas, mas em situação de maior vulnerabilidade, com comprovada redução do risco de transmissão do vírus. No Brasil, a PrEP está disponível gratuitamente pelo SUS desde 2018, na forma de comprimido diário, com a combinação de tenofovir disoproxil e emtricitabina. Embora eficaz, o modelo exige adesão contínua e acompanhamento periódico em unidades de saúde.O lenacapavir já recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, tanto para uso como PrEP injetável semestral quanto para tratamento de pacientes HTE. Na União Europeia, foi autorizado sob o nome comercial Yeytuo, e outros países seguem com processos regulatórios em andamento. Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como alternativa adicional para a PrEP, classificando-o como a opção mais promissora depois de uma vacina contra o HIV.A PrEP integra a chamada prevenção combinada, que reúne diferentes estratégias de controle da infecção, como testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com o vírus, profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados específicos no acompanhamento de gestantes soropositivas. Com o aval da Anvisa, o lenacapavir passa a compor o conjunto de tecnologias disponíveis no país para o enfrentamento do HIV, ampliando as possibilidades de prevenção e fortalecendo as políticas públicas de controle da infecção.Ensaios clínicos apresentados à agência reguladora indicaram 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 entre mulheres cisgênero. Os estudos também apontaram redução de 96% em comparação à incidência de base e desempenho 89% superior ao da PrEP oral diária.
Semob de Feira de Santana suspende Passe Livre de pessoas com HIV e divulga nomes em diário oficial
Cerca de 245 beneficiários foram identificados com nome e número do cartão em publicação oficial; suspensão segue decisão judicial, mas levanta alerta sobre violação de privacidade
Ouvir Notícia
Narração automática (IA)Ouvindo Notícia
Narração automática (IA)
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Feira de Santana publicou, na edição do Diário Oficial da última sexta-feira (20), a Portaria nº 19/2025, determinando a suspensão do benefício do Passe Livre concedido a pessoas vivendo com HIV/AIDS. A medida atende a uma decisão judicial que revogou uma tutela provisória de urgência anteriormente concedida. O documento, assinado pelo secretário Sérgio Barradas Carneiro, estabelece um prazo de cinco dias úteis para que os beneficiários devolvam seus cartões à secretaria. Também foi aberto prazo para apresentação de defesa administrativa, sob risco de suspensão ou cancelamento definitivo do benefício. A entrega dos documentos deve ser feita presencialmente na sede da Semob, no bairro Mangabeira.O que chama atenção, no entanto, é a divulgação nominal dos usuários afetados. Em dois anexos publicados na mesma edição do Diário Oficial, a prefeitura exibiu os nomes completos e números dos cartões de cerca de 245 cidadãos, distribuídos entre os Anexos I e II. A medida levanta preocupações sobre violação de privacidade e exposição indevida de dados sensíveis, uma vez que o benefício está diretamente ligado à condição de saúde dos indivíduos. A publicação gerou reações de entidades ligadas aos direitos humanos e à luta contra o estigma do HIV, que avaliam medidas jurídicas diante do que consideram uma exposição injustificável e potencialmente discriminatória.
Cerca de 11 mil pessoas morreram de Aids no Brasil em 2022; vítimas negras são quase o dobro de brancas
Entre 2007 e junho deste ano, foram notificados 489.594 casos de infecção pelo HIV no país
Ouvir Notícia
Narração automática (IA)Ouvindo Notícia
Narração automática (IA)
Foto: Agência Aids
- Cerca de 11 mil brasileiros morreram no ano passado tendo o HIV ou a Aids como causa básica. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde, nesta quinta-feira (30). O número representa uma queda de 25,5% no coeficiente de mortalidade da doença, nos últimos dez anos, que passou de 5,5 para 4,1 óbitos por 100 mil habitantes. Ao todo, das 10.994 mortes registradas, as vítimas negras representam quase o dobro de brancas. Foram 61,7% mortes entre pessoas negras, sendo 47% pardos e 14,7% pretas. Os brancos representaram 35,6% do total. Ainda de acordo com o boletim do ministério, foram registrados 43.403 de casos com HIV em 2022. A estimativa é que um milhão de pessoas vivam com HIV no Brasil. Entre 2007 e junho deste ano, foram notificados 489.594 casos de infecção pelo HIV no país. A maior incidência é entre homens e na faixa etária entre 25 e 39 anos. 190 mil pessoas que sabem ser portadoras da doença ainda não iniciaram o tratamento. A estatística é liderada pela região Sudeste, com 203 mil casos, seguida pelo Nordeste (104 mil), Sul (93 mil), Norte (49 mil) e Centro-Oeste (38 mil).
Anvisa aprova novo tratamento para HIV
Medicamento aprovado reúne dois antirretrovirais em uma dose
Por: Kamille Martinho
Ouvir Notícia
Narração automática (IA)Ouvindo Notícia
Narração automática (IA)
Foto: Reprodução
- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento do HIV. Trata-se da combinação de duas substâncias – a lamivudina e o dolutegravir sódico – em um único comprimido. Para a agência, a aprovação representa um avanço no tratamento, já que reúne em uma dose diária dois antirretrovirais. “A possibilidade de doses únicas simplifica o tratamento e a adesão de pacientes”, informou, por meio de nota. De acordo com a bula aprovada pela Anvisa, o novo medicamento reduz a quantidade de HIV no organismo, mantendo-a em um nível considerado baixo. Além disso, o remédio promove o aumento da contagem de cédulas CD4, que exercem papel importante na manutenção de um sistema imune saudável, ajudando a combater infecções. Indicação - O novo medicamento será indicado como um regime complemento para o tratamento da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) em adultos e adolescentes acima de 12 anos pesando pelo menos 40 quilos, sem histórico de tratamento antirretroviral prévio ou em substituição ao regime antirretroviral atual em pessoas com supressão virológica. O registro foi concedido ao laboratório GlaxoSmithKline Brasil Ltda. que, segundo a Anvisa, apresentou estudos de eficácia e segurança com dados que sustentam as indicações autorizadas. A bula aprovada pode ser consultada aqui.























