Estudo aponta que IAs descumprem regra do TSE para eleições
Estudo aponta que IAs descumprem regra do TSE para eleições
Pesquisa avaliou cinco plataformas de inteligência artificial e identificou recomendações e rankings de pré-candidatos mesmo após mudança nas regras eleitorais.
Por: Redação Sudoeste Bahia
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Narração automática (IA)Resumo
- O levantamento do Observatório IA nas Eleições identificou que as principais plataformas de inteligência artificial no Brasil estão descumprindo regras estabelecidas pelo TSE para as eleições de 2026. As plataformas foram testadas com 14 comandos relacionados à escolha de candidatos e às eleições, e quatro delas apresentaram rankings de candidatos em diferentes cenários de teste.
- O estudo alerta para o fenômeno de "falsa neutralidade" e afirma que as ferramentas de inteligência artificial podem emitir opiniões subjetivas e opacas que favoreçam ou prejudiquem candidatos durante o período eleitoral.
Foto: Reprodução | Agencia Brasil
Um levantamento do Observatório IA nas Eleições apontou que as principais plataformas de inteligência artificial disponíveis no Brasil continuam descumprindo regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026. A pesquisa foi realizada um mês após a publicação da Resolução nº 23.755/2026, que proíbe provedores de IA de ranquear, recomendar ou sugerir candidatos, mesmo quando há solicitação do usuário. O estudo, desenvolvido pela Data Privacy Brasil em parceria com o Aláfia Lab, avaliou cinco chatbots: ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek e Meta AI. Para os testes, os pesquisadores utilizaram 14 comandos padronizados relacionados à escolha de candidatos e às eleições. Segundo o relatório, todas as plataformas identificaram pré-candidatos à Presidência da República. Além disso, a maioria apresentou listas classificando nomes como os "melhores" em áreas como economia, segurança pública e educação, utilizando critérios considerados pouco transparentes. A coordenadora do Observatório IA nas Eleições, Carla Rodrigues, afirma que o comportamento das ferramentas indica falhas de implementação e governança por parte das empresas responsáveis pelos sistemas. Para ela, os resultados mostram que o problema vai além de limitações técnicas. O estudo também alerta para o fenômeno chamado de "falsa neutralidade". De acordo com os pesquisadores, existe o risco de que usuários interpretem as respostas produzidas pelos chatbots como análises objetivas e tecnicamente fundamentadas, quando, na prática, os critérios utilizados pelos algoritmos podem ser subjetivos, opacos e não auditáveis. A resolução do TSE determina que ferramentas de inteligência artificial não podem emitir opiniões, recomendações ou classificações que favoreçam ou prejudiquem candidatos durante o período eleitoral. Apesar disso, o levantamento identificou que ChatGPT, Gemini, Grok e DeepSeek apresentaram rankings de candidatos em diferentes cenários de teste. Já a Meta AI evitou algumas classificações, mas apresentou respostas inconsistentes ao alterar a ordem dos nomes em consultas semelhantes, segundo os pesquisadores.
O uso da Inteligência Artificial no Marketing Político
O uso da Inteligência Artificial no Marketing Político
A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais.
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Foto: Arquivo Pessoal | Yuri Almeida
O cenário político contemporâneo é indissociável das dinâmicas digitais. Nesse contexto de transformações tecnológicas aceleradas, a Inteligência Artificial (IA) emerge não apenas como uma tendência, mas como uma ferramenta indispensável na análise de dados aplicada ao marketing político. Sua capacidade de processar e interpretar volumes massivos de informações — o chamado Big Data — está redefinindo o diagnóstico, o planejamento estratégico e a monitoramento das campanhas eleitorais. A IA tem se tornado um vetor fundamental para aprimorar a compreensão do comportamento do eleitorado digital e das complexas dinâmicas de engajamento político nas redes sociais. A aplicação de plataformas baseadas em IA, como o Fanpage Karma e o GerminAI, permite a coleta e interpretação de dados de diferentes redes sociais, gerando indicadores objetivos cruciais para a performance das candidaturas. Entre as métricas essenciais, destacam-se a base de seguidores, o crescimento absoluto, o volume de interações e, sobretudo, a taxa de engajamento — indicador que traduz a relevância e a ressonância do conteúdo perante a audiência. A eficácia estratégica não se resume a um único número. É imperativa uma análise integrada das métricas. Mais do que a quantidade, a qualidade da interação — o sentimento e a receptividade do público — é a verdadeira bússola das ações de comunicação política. O conteúdo qualitativo atua como um termômetro da aceitação das mensagens e orienta ajustes finos na narrativa das campanhas. A IA também se destaca na segmentação de conteúdos e no benchmarking das postagens mais eficazes. A análise das publicações de maior sucesso entre os candidatos permite identificar temas, timings e estilos comunicativos que geram conexão real com nichos eleitorais específicos. Essa inteligência orienta a produção de roteiros e publicações, otimizando o investimento de tempo e recursos. Além da otimização em tempo real, a IA abre caminho para planejamentos e projeções eleitorais, além o uso de modelos que combinam técnicas estatísticas com bancos de dados históricos, como os do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para estimar desempenhos eleitorais futuros. Modelos matemáticos, por mais sofisticados que sejam, não capturam integralmente as variáveis políticas, sociais e emocionais que moldam o comportamento do voto. O uso efetivo dessas tecnologias exige mais do que o simples acesso às ferramentas. É necessária competência técnica, domínio analítico e disciplina no diálogo com os sistemas de IA. O refinamento dos “prompts” — as instruções dadas à inteligência artificial — é um processo iterativo que gera análises cada vez mais robustas e personalizadas, ajustadas às particularidades de cada campanha. A tecnologia é uma poderosa aliada, mas deve operar dentro de parâmetros inegociáveis: evitar a reprodução acrítica de informações, assegurar autoria e transparência dos conteúdos e, sobretudo, preservar o senso crítico humano diante das sugestões automatizadas. Em suma, a Inteligência Artificial consolida-se como a espinha dorsal da análise de desempenho e da formulação estratégica no marketing político contemporâneo. Sua aplicação amplia a capacidade de leitura do sentimento eleitoral e de compreensão das dinâmicas sociais. No entanto, seu sucesso depende da qualificação técnica dos profissionais, do entendimento profundo do contexto político-social e de um compromisso ético que garanta a autenticidade e a legitimidade do processo democrático na era digital.
Yuri Almeida é estrategista político, professor e especialista em marketing eleitoral.
























