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Levantamento ouviu 1.200 pessoas entre 23 e 27 de abril29 Abr 2026 / 09h00

Procedimentos foram realizados pelo SUS em clínica particular; caso é investigado
Foto: Divulgação | Ceom
Pelo menos 24 pacientes relatam ter perdido a visão após participarem de um mutirão oftalmológico realizado em uma clínica particular de Irecê, no norte da Bahia. Os procedimentos ocorreram entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, no Centro Médico e Odontológico (Ceom), localizado no centro da cidade, e foram feitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o advogado Joviniano Dourado Lopes Neto, que representa 11 dos pacientes, todos apresentaram complicações graves após aplicações intravítreas, procedimento realizado diretamente no interior do olho. De acordo com ele, os pacientes tiveram perda de visão em pelo menos um dos olhos, e há casos em que a perda foi bilateral. Em situações mais graves, houve necessidade de retirada do globo ocular. Ainda conforme o advogado, os relatos começaram a surgir de forma gradual, com pacientes indicando outros que enfrentavam problemas semelhantes. Ele afirma que parte das vítimas ainda não procurou a Justiça por medo ou falta de informação. Em nota, o Ceom informou que realizou 643 procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos durante os dois dias de mutirão. A unidade confirmou a ocorrência de complicações em 24 pacientes que passaram por terapia antiangiogênica, procedimento utilizado para bloquear o crescimento de vasos sanguíneos anormais na retina. Segundo o centro médico, todos os pacientes seguem em acompanhamento contínuo, com assistência especializada, uso de medicamentos e monitoramento clínico. A unidade afirma ainda que parte dos pacientes apresenta evolução favorável, com melhora progressiva do quadro. O advogado afirma que os pacientes desenvolveram endoftalmite, uma infecção ocular grave que pode causar danos permanentes à visão. Ele questiona o cumprimento dos protocolos de segurança sanitária, considerando o grande número de atendimentos realizados em curto período. “Foram centenas de procedimentos, cada um exigindo troca de material estéril e cuidados rigorosos. Isso levanta dúvidas sobre a possibilidade de contaminação cruzada”, afirmou. Há relatos de pacientes que enfrentaram dores intensas e dificuldades para conseguir atendimento adequado após o surgimento das complicações. Em alguns casos, diagnósticos iniciais indicavam ausência de chance de recuperação, mas foram revistos após avaliação em unidades de saúde em Salvador. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Segundo o advogado, os pacientes foram encaminhados ao mutirão por meio da rede pública de saúde.
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