• Vacina terapêutica controla o HIV sem o uso de antivirais

    Foto: Reprodução | AGE Fotostock
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    Por Jessica Mouzo Quintáns

    17/02/2017 - 14:39

    Se existe algo que dificulta a eliminação do HIV é a capacidade do vírus para se integrar no material genético das células que infecta e não aparecer. Seu talento para se camuflar complica o trabalho do sistema imunológico, incapaz de reconhecer as células infectadas e eliminá-las. Por isso, a pesquisa avança em direção a uma nova estratégia para combater o HIV, a chamada kick and kill: a ideia é despertar o inimigo, fazê-lo sair de seu esconderijo e matá-lo. Essa é a tática de guerra utilizada por pesquisadores do Irsicaixa de Barcelona (Espanha) em seu último teste clínico para combater o vírus da AIDS. Os cientistas provaram que a combinação de uma vacina terapêutica com um fármaco que faz aflorar o vírus escondido permite a um grupo de pacientes controlar o HIV sem a necessidade de tomarem a medicação antiviral. No teste clínico, os médicos suspenderam o tratamento antirretroviral de um grupo de 13 pacientes e lhes administraram a vacina terapêutica e o fármaco despertador. Os resultados mostraram que cinco deles foram capazes de controlar o vírus durante mais de quatro semanas, o tempo máximo em que, de acordo com a literatura científica, o vírus demora a ressurgir no organismo quando a medicação antiviral é suspensa. O teste clínico continua em andamento e, mesmo que o vírus não tenha desaparecido de seu corpo – e, portanto, não se pode dizer que estejam curados –, os pacientes estão de cinco a 27 semanas controlando o HIV sem tomar a medicação.