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  • Opinião: Não há diálogo e tolerância para quem ameniza ou defende o nazismo

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    Por Tiago Rego | Sudoeste Bahia

    10/02/2022 - 17:00


    OPINIÃO

    - Em tempos de bolsonarismo, seus adeptos têm usado a garantia constitucional da liberdade de expressão para defender atrocidades costumeiras de sua já conhecida cartilha, como homofobia, racismo, gordofobia, misoginia, entre outros preconceitos que não condizem mais com estes tempos, pelo menos em tese. Porém, quando se pensa que já foi atingido o limite do impensável, vem um tal de Monark, apresentador de um podcast veiculado no YouTube, e simplesmente diz que deveria existir um partido nazista. O que mais chamou atenção, foi a naturalidade do rapaz, que ao que tudo indica sofre de problemas cognitivos, ao fazer estapafúrdia afirmativa, como se fala de uma torcida organizada ou de um bloco de escola de samba. Para quem não sabe da gravidade da declaração, o regime nazista liderado por Adolf Hitler, perseguiu e matou ao menos seis milhoões de judeus. É, sem sombra de dúvidas, o capítulo mais triste da história da humanidade. Após a afirmação do apresentador, de imediato, inúmeras marcas retiraram seus patrocínios do programa e alguns entrevistados pediram para que seus vídeos fossem apagados do canal Flow Podcast, o que resultou na demissão do youtuber. Para piorar, em seu pedido de desculpas, disse que estava bêbado e que defendeu a ideia de forma burra e, por isso, que as pessoas fossem tolerantes com ele. E como se não bastasse, logo após o episódio com o Flow, o ex-BBB Adrilles Jorge, que tinha uma espécie de quadro opinativo na Jovem Pan, fez uma falta simetria, recorrendo ao canhestro silogismo de sempre, sem qualquer referência histórica, em trazer à tona a existência do comunismo, na tentativa de justificar a existência de uma agremiação que se pautasse no ideário de Hitler. Por fim, ao se despedir no programa, Jorge realiza um aceno claramente nazista, em uma atitude zombateira. Mais uma vez, houve uma reação em massa das entidades da sociedade civil, e o falso jornalista foi desligado da Jovem Pan. Mas até onde vai o limite da liberdade? Existe liberdade absoluta? Até mesmo do ponto de vista filosófico, a resposta é não, principalmente quando se vive em uma sociedade em que suas relações são guiadas por princípios humanos que consistem em, acima de tudo, na existência do outro, independente de sua etnia, crença, origem e orientação sexual. Portanto, como bem disse o rapper Emicida, não existe conversa com nazista. Para nazista, é bicuda na boca e pronto! E que tanto Monark, como Adrilles, sejam julgados e punidos pelos seus atos, para que sirva de exemplo, pois já que não se pode eliminar a corrente de pensamento nazista, que seus acólitos sejam silenciados.

  • Opinião: Lula rumo ao Palácio do Planalto em 2022

    Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert Foto: Reprodução | Ricardo Stuckert
    Por Tiago Rego | Sudoeste Bahia

    14/01/2022 - 16:00


    OPINIÃO

    - A menos de 10 meses das eleições presidenciais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se consolida como líder absoluto em todas as pesquisas de intenção de voto, sendo que, muitas delas, apontam vitória do petista já no primeiro turno. É claro que, como diz o ditado, muita água ainda pode rolar embaixo da ponte. No entanto, no cenário eleitoral, Lula joga praticamente sozinho, dada a qualidade de seus adversários. De um lado, tem-se um presidente que desde o primeiro dia de mandato trabalha pela sua reeleição, porém, Jair Bolsonaro (PL) não entregou nada do que prometeu, com exceção do barulho feito por suas bravatas vazias, como comunismo, deus, família e ordem, que pouco ou nada mudam nada vida do brasileiro. Por isso, o desembarque de seu governo é cada dia maior, e até mesmo a Faria Lima  não aposta mais as suas fichas no ex-capitão e no seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Hoje, Bolsonaro se vale de uma minoria do eleitorado brasileiro, o chamado núcleo duro do bolsonarismo, no entanto, sem força o suficiente para garantir a sua permanência à frente do Executivo nacional. A chamada terceira via, ao que tudo indica, nem emplacou e nem vai emplacar nome nenhum, apesar do esforço quase hercúleo de alguns setores da imprensa brasileira em torno do nome do ex-juiz Sergio Moro (Podemos). Em favor de Lula, tem-se um passado glorioso, pois à época em que foi presidente, o ex-metalúrgico encerrou seu último mandato com 87% de popularidade. É claro que Silva terá que lidar com temas espinhosos, como corrupção e seu calcanhar de aquiles, a ex-presidente Dilma (PT). Porém, da parte de Bolsonaro, com um governo fracassado, atacar o governo Dilma não é a melhor estratégia, pois mesmo os piores anos de Dilma, foi melhor do que a gestão do ainda chefe do Planalto. E quando se trata de corrupção, um país assolado pela fome, pelo desemprego e por uma inflação de dois dígitos,  pouca relevância será dada para os candidatos que farão do discurso moralista sua ferramenta de marketing. A Lula, resta apenas esperar, pois a faixa presidencial está cada dia mais próxima do seu peito novamente. 

    Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Sudoeste Bahia. 

  • Em Moro, imprensa reedita Collor, mas sem a beleza, oratória, voz e simpatia do caçador de marajás

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    Por Tiago Rego | Sudoeste Bahia

    10/12/2021 - 12:00


    OPINIÃO

    - Em um dos seus clássicos, Cazuza diz vê o “futuro repetir o passado”. E é exatamente assim que a imprensa brasileira tem se comportado ao querer alçar o ex-juiz Sergio Moro, recém filiado ao Podemos, a condição de um novo salvador da pátria, o mesmo feito com Fernando Collor, que ficou conhecido à época como “caçador de marajás”. Apesar da similitude do mote moral de ambos, já que o ex-juiz de voz de taquara rachada tenta se vender como bastião impoluto do que há de mais moral e ético, do ponto de vista do marketing eleitoral, a diferença entre o ex-presidente Collor e Moro é simplesmente abissal. A começar pela própria composição de imagem, que no caso de Collor, tinha uma postura imponente e altiva, de voz firme e, por assim dizer, radiofônica, com um penteado sempre impecável, em suma, com uma aparência que fazia lembrar um galã de filmes italiano, enquanto Moro, em seus ternos desajustados, de estatura corporal pouco atrativa, além da voz, principal ferramenta de comunicação de um político, que faz lembrar, de fato, um pato, e o com o carisma semelhante a de uma azeitona fora do pote. Parâmetros estéticos à parte, o certo é que desde Collor, nunca se viu um frenesi tão grande em torno de um possível presidenciável por parte da grande mídia, que sem qualquer pudor e desfaçatez, está em campanha e torcida aberta por Moro. Nesta sexta-feira (10), por exemplo, a jornalista Eliane Cantanhêde, que é talvez a morista mais empolgada, escreveu no Estadão, que Moro pode ser mortal contra Lula no segundo turno, além de ter dito recentemente que o paranaense é a “nova onda”, que o segundo turno para Moro, ainda é algo que não pode ser visto no horizonte. Outro veículo de comunicação que também já abraçou a campanha do ex-chefe da 13ª vara de Curitiba, não podia ser outro, senão a Rede Globo. Em entrevista recente, Pedro Bial, que comanda uma espécie de talk show na emissora carioca, chegou a tecer loas a voz de pato de Moro, dizendo que estava melhor, já que o ex-toga está fazendo sessões com uma renomada fonoaudióloga. E para fechar com chave de ouro, a revista Veja, só falta mesmo pedir votos. Em uma de suas chamadas, quando mencionou uma pesquisa de intenções de voto para 2022, em que Lula vence no primeiro turno, com Bolsonaro em segundo lugar, com o dobro de intenções de voto para Moro, ocultou o protagonismo do líder ao ressaltar que Sergio Moro se consolida como aquilo que convencionou-se chamar de terceira via. Enfim, o agora político Moro, além de ser totalmente antipático aos olhos dos eleitores, com exceção dos bolsonaristas arrependidos e dos viúvos da Lava Jato, dada a sua falta de carisma, é raso em relação a conhecer os problemas econômicos do país, temática que deverá nortear o pleito de 22, quando disse que para resolver o problemas da pobreza e da economia, bastava criar empregos, mas sem especificar como, entre outras bravatas. No entanto, no que depender da torcida e empenho da imprensa brasileira, Moro e sua ‘conja’ já podem se preparar para mudarem para o Palácio do Planalto em 2023. 

    Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Sudoeste Bahia. 

  • Enem com a cara do governo Bolsonaro: desigual, branco, elitista e exclusivo

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    Por Tiago Rego | Sudoeste Bahia

    24/11/2021 - 14:00


    OPINIÃO

    - Havia uma suspeita em relação à prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021. Isso porque, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sinalizou ao cercadinho que o governo pretendia alterar o conteúdo da prova, o que o tornaria o certame “a cara do governo”. Mas a afirmativa do chefe do Palácio do Planalto, como sempre, não passou de uma bravata, embora temas como a pandemia do novo coronavírus e o Golpe de 64 não fizeram parte do escopo da prova. No entanto, apesar de bem elaborado, mesmo com a crise do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enem de 2021 trouxe à tona a desigualdade social em que o Brasil está imerso. Portanto, se o Enem teve a cara do governo, foi por conta do menor número de inscritos da história, pela menor quantidade de negros entre os participantes, ou seja, o Enem de 2021 é majoritariamente branco e, por conseguinte, excludente. Um dos agravantes dessa triste realidade  educacional, diz respeito a falta de incentivos sociais por parte do Ministério da Educação. Vale lembrar que em governos passados, a taxa de inscrição era gratuita, bastando para isso preencher uma declaração de carência, benefício  este que foi eliminado já na gestão Temer. No Brasil da fome, da fila do osso, do desemprego em índice galopante e da volta da inflação de dois dígitos, a educação que deveria ser uma garantia constitucional, se tornou, mais do que nunca, um privilégio. 

    Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Sudoeste Bahia. 

  • No país do osso de primeira e de segunda, camarão se tornou caviar

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    Por Tiago Rego | Sudoeste Bahia

    17/11/2021 - 15:00


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    - Uma falsa discussão foi levantada nos últimos dias pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), numa dessas tentativas de desviar o foco de um dos assuntos mais alarmantes do Brasil do pai (Jair Bolsonaro) do parlamentar - a volta da fome. Isso tudo por conta de uma foto do ator Wagner Moura, que dispensa apresentações, que está no Brasil divulgando seu filme, Marighella. Na foto, o intérprete do Capitão Nascimento aparece saboreando um prato de vatapá, comida típica da culinária soteropolitana, que dentre seus ingredientes, contém camarão. Até aí tudo bem, mas o que incomodou o deputado, que é conhecido em Brasília pelo epíteto de “Bananinha” ou ainda “Dudu Bananinha", foi o fato de Moura saborear o seu quitute em um assentamento do Movimento dos Trabalhadores  Sem Teto (MTST), que na pobre visão de Bananinha e seus asseclas, movimentos desta magnitude pregam a exaltação da pobreza.  Para Bananinha, aqueles que lutam por Justiça Social, distribuição de renda, o que inclui segurança alimentar, são chamados de socialistas ou comunistas e, portanto, não deveriam se render às ditas benesses do “inclusivo” sistema capitalista. Sendo que,  em um capitalismo saudável, todos os cidadãos deveriam ter acesso a camarão ou a qualquer outra iguaria. Bananinha ao cometer tamanha incongruência, não leva em consideração que o maior produtor de alimentos do mundo, responsável pela alimentação de mais de um bilhão de pessoas, no Brasil, a era Bolsonaro inaugurou a modalidade do osso de primeira e de segunda, dos ora rejeitados pés de galinha, que agora estão nas mesas das famílias, e do ovo como principal fonte de proteína. Mas a fila do osso, o banquete das famílias ao redor de sacos de lixo, homens desesperados gritando nas ruas por um prato de comida, nada incomoda a essa gente; o que incomoda mesmo é Wagner Moura, pois em um país de Bolsonaro, devastado pela fome, pela inflação e pelo desemprego, camarão virou caviar. 

    Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Sudoeste Bahia.