• Caetité: sem reserva hídrica município torna-se dependente da Adutora do Algodão

    Foto: Willian Silva | Sudoeste Bahia
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    Por Willian Silva

    17/10/2018 - 00:00

    Hoje o município depende exclusivamente da Adutora do Algodão, com águas provenientes do Velho Chico.

    Caetité, ao longo de sua história, já foi abastecida com água potável de diversas formas. Primeiro por gravidade, através dos rios que cortavam a cidade. Depois, com a chegada da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) no município – a empresa opera em Caetité desde 1973 – através das barragens de Passagem da Pedra, Moita dos Porcos e poços tubulares. Desde 2016, Caetité, o distrito de Maniaçu e a comunidade de Cachoeirinha, vêm sendo abastecidos pela Adutora do Algodão que traz água do rio São Francisco. Essa água é bombeada a partir do povoado do Julião, no município de Malhada. De acordo com a Embasa, atualmente em Caetité, a empresa não possui nenhuma reserva hídrica. Hoje o município e as referidas comunidades dependem exclusivamente da Adutora do Algodão, com águas provenientes do Velho Chico. Na tarde desta terça-feira (16), a reportagem do Sudoeste Bahia esteve in loco na barragem de Passagem da Pedra.

    Foto: Willian Silva | Sudoeste Bahia
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    No local que deveria garantir parte da segurança hídrica do município o cenário é de total abandono. Muita lama, mato, bancos de areia e até cavalos foram flagrados pastando no interior da barragem. Sem planejamento e manutenção de fontes próprias de abastecimento, caso haja um colapso na adutora, o volume de água a ser distribuído para os consumidores no município seria reduzido drasticamente. Um fato que atesta a preocupação da nossa reportagem é a estiagem que tem se mantido no São Francisco desde 2013 ocasionando a pior seca dos últimos 100 anos a atingir o Rio. O outro lado: A redacão do Sudoeste Bahia entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Embasa em Vitória da Conquista, que emitiu uma nota esclarecendo alguns pontos levantados pela nossa reportagem. Uma das situações abordadas foi a dos mananciais de Moita dos Porcos e Passagem da Pedra. Em nota a Embasa disse que “os mananciais de Moita dos Porcos e Passagem das Pedras vêm passando por revitalização de matas ciliares desde 2014, inclusive, com a realização de diversas atividades de caráter educacional e socioambiental para que possa ser evitado o assoreamento provocado por degradação que sofreu ao longo do tempo”.

    Foto: Willian Silva | Sudoeste Bahia
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    Outra questão levantada são os poços tubulares que abasteciam a cidade em outros tempos. A Embasa informou que eles estão com baixa vazão, devido a falta de chuvas. “Os mananciais subterrâneos conhecidos também como poços tubulares continuam em funcionamento, mas com vazão reduzida devido à queda na reposição hídrica que foi agravada pelo baixo índice pluviométrico dos últimos dois anos provocado pelo longo período de estiagem”. Durante muito tempo, antes da chegada da Adutora do Algodão chegar ao município, a cidade viveu momentos de racionamento do líquido precioso, onde as casas poderiam ser abastecidas entre um a quatro dias na semana. Já que, novamente, as chuvas estão escassas abordamos a empresa se está havendo o racionamento. “Diante das altas temperaturas registradas nas últimas semanas, o que provoca aumento considerável no consumo de água, e também considerando redução da disponibilidade hídrica em nossos mananciais, a distribuição de água está acontecendo de forma setorizada para que o atendimento possa ocorrer de forma igualitária em todas as regiões da cidade. Por isso, é importante que a população tenha ou instale reservatório domiciliar dimensionado corretamente ao número de moradores. Em caso de prédios com mais de um pavimento (conforme Decreto Estadual 3060/94 – Cap V, Art 33) é necessário possuir reservatório apoiado no térreo com bomba para que a água chegue aos andares superiores.” Por fim, a Embasa dá dicas de economia e armazenagem de água, até que possamos vencer esse período de estiagem que tanto assola o sertanejo. “A economia de água ou o seu reaproveitamento deve ser realizada em todos os períodos do ano, pois é  um  elemento  cada  vez  mais  escasso  no  planeta.  A Embasa tem o compromisso de sempre oferecer o melhor atendimento ao seus usuários, garantindo abastecimento satisfatório e um produto de qualidade. Assim, a concessionária continuará envidando esforços para melhorar a cada dia o abastecimento em toda cidade, mitigando os efeitos causados pela estiagem prolongada em nossa região. É importante ficar atento aos vazamentos; caixas d´água, descargas e torneiras pingando são sinais de prejuízo. Para detectar vazamentos, em tubos e conexões, mantenha os registros abertos e feche todas as torneiras e saídas de água do imóvel e observe se o hidrômetro registra alteração nos ponteiros dos relógios ou no marcador depois de uma hora sem uso de água. Veja, também, se não há manchas de umidade nas paredes. É fundamental consertar os vazamentos de imediato, assim que forem descobertos”.

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