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  • Ivermectina está entre drogas mais testadas contra Covid-19

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    Por Luciana Freire

    14/07/2020 - 18:00


    No Brasil pesquisas com ivermectina com pacientes de coronavírus foram registradas entre final de junho e início de julho após declarações do presidente Jair Bolsonaro

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    - O vermífugo ivermectina está entre as cinco combinações de fármacos mais testados no mundo em pacientes infectados por Covid-19. No entanto, tem sido ignorado por países que lideram as buscas de drogas na pandemia, como Alemanha e China. Há, hoje, 32 registros de testes com a ivermectina em humanos para a doença causada pelo coronavírus. A informação foi divulgada hoje (14) pelo jornal Folha de S.Paulo. No Brasil, as três pesquisas com ivermectina com pacientes de Covid-19 foram registradas na Clinical Trials (base internacional que compila informações sobre testes de medicamentos em pacientes no mundo todo) entre final de junho e início de julho, após o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que o vermífugo ivermectina é melhor que a cloroquina para Covid-19 "porque mata os vermes todos". Os trabalhos estão em andamento na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) com 64 pacientes, na clínica de obesidade de Brasília Corpometria Institute com 254 pacientes e no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo com 176 pacientes.  Segundo as informações da Clinical Trials, as três pesquisas brasileiras terminam a partir de janeiro do ano que vem. Até agora, a ivermectina só deu certo para Covid-19 em células que sobrevivem a bombardeios de remédios, o que não é o caso das células humanas. A maior quantidade de testes de drogas em humanos para Covid-19 segue com a associação da cloroquina e hidroxicloroquina, que somam 208 pesquisas com pacientes registradas no mundo todo. Em seguida, figuram o antibiótico azitromicina (com 66 pesquisas com humanos para Covid-19), os antirretrovirais usados na infecção do HIV lopinavir/ritonavir (42) e o tocilizumabe, que é indicado para artrite (36).

  • Inovações revelam o futuro da uro-oncologia

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    Por Carla Santana

    13/07/2020 - 18:49


    Cirurgia robótica, técnica HIFU, novas técnicas de radioterapia, biomarcadores, imunoterapia e assistência multidisciplinar refletem tendências da especialidade

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    - Em tempo de combate a uma das maiores pandemias da história da humanidade, ouve-se falar com frequência em evolução da medicina e inovações em saúde. Em paralelo à corrida por tratamentos eficazes e busca por uma vacina contra o novo coronavírus (Covid-19), os avanços em diferentes especialidades médicas não param. Na uro-oncologia, sub-especialidade da urologia responsável pelo diagnóstico e tratamento de tumores urológicos, não é diferente. Expansão da cirurgia robótica, novas técnicas de radioterapia, biomarcadores, terapia HIFU, biópsia guiada por fusão de imagens e valorização do tratamento multidisciplinar são algumas das tendências que apontam diretamente para o futuro. De acordo com o uro-oncologista Augusto Modesto, os muitos estudos atualmente desenvolvidos em sua área de atuação revelam a necessidade de valorização crescente dos cientistas, dos investimentos para pesquisas científicas e dos profissionais da saúde. “As novas descobertas, tecnologias e metodologias não só aumentam a sobrevida e ampliam as possibilidades de cura, como melhoram a qualidade de vida e o bem estar dos pacientes oncológicos. Isso é tudo o que queremos”, resumiu o especialista. Cirurgia robótica - Em diversos países do mundo, incluindo o Brasil, a cirurgia robótica já está bem estabelecida no tratamento de tumores urológicos, sobretudo por oferecer menos complicações e pelas menores taxas de sangramento. A tecnologia, disponível em Salvador há pouco mais de um ano, favorece a prática clínica, ao proporcionar maior precisão e segurança, menor tempo de recuperação para o paciente e mais conforto ao cirurgião. “Quanto aos benefícios funcionais, como redução da impotência sexual e da incontinência urinária, há questionamentos, pois os estudos ainda não são conclusivos, mas na prática clínica há indícios de melhora nesses aspectos. A confirmação científica não deve demorar”, frisou Augusto Modesto, atual coordenador científico da Sociedade Brasileira de Urologia - seccional Bahia (SBU-BA).

    HIFU - O HIFU é uma terapia de tratamento oncológico minimamente invasiva para câncer de próstata baseada em Ultrassom de alta frequência. Entre as vantagens da inovação, destaca-se o fato de não haver cortes nem incisões e o paciente ter alta no mesmo dia, podendo voltar logo às atividades normais. A técnica é restrita a casos selecionados e não deve ser utilizada como primeira linha de tratamento. Para aqueles com recorrência pós-radioterapia, por exemplo, ele pode ser UMA opção. Embora seja oncologicamente inferior ao tratamento radical do câncer de próstata, a baixa taxa de incontinência e de impotência do HIFU podem justificar a escolha deste tipo de terapia. “Na hora de decidir, a partir das características de cada paciente e de sua doença, pesamos na balança as vantagens e desvantagens de cada método. O importante é informar para o paciente todos os métodos existentes para tratar o seu câncer”, comentou o coordenador científico da SBU-BA. A HIFU entra no cenário como tentativa de evitar ou adiar o tratamento radical. Pacientes de Salvador com indicação para a terapia, que optam por ela, precisam se deslocar para São Paulo ou outros centros onde ele está disponível, já que a inovação ainda não chegou à capital baiana”, pontuou Augusto Modesto. Biomarcadores - A descoberta de novos biomarcadores oncológicos têm sido encarada como uma peça fundamental na escolha do tratamento adequado de tumores urológicos. Eles são proteínas, genes e outras moléculas que influenciam no comportamento das células cancerígenas. Além de ajudar a prever a agressividade do tumor, eles colaboram na identificação das terapias que têm mais probabilidade de destruir tumores. “No tratamento do câncer de próstata, biomarcadores moleculares podem ser usados, por exemplo, durante a vigilância ativa, nos casos de baixo e baixíssimo risco, juntamente com a ressonância multiparamétrica da próstata, para reduzir o número de biópsias no paciente. A depender do resultado, sabemos se há ou não um risco maior de progressão do tumor. Se der positivo, sabemos que a vigilância precisa se tornar ainda mais cuidadosa. Se negativo, podemos “relaxar” um pouco o tratamento, dentro dos protocolos, o que significa que podemos aumentar o espaço de tempo entre as biópsias que, como sabemos, trazem riscos consideráveis para o paciente”, elencou o médico. Alguns testes genéticos já trazem orientações sobre a necessidade do paciente ser tratado imediatamente, por ter um perfil gênico desfavorável, ou revelam a necessidade de uma observação com segurança por alguns anos, sem a necessidade de um tratamento invasivo como cirurgia ou radioterapia. “Os biomarcadores genéticos permitem identificar, por exemplo, a existência de mutações em determinados genes encontrados nos pacientes. A depender do resultado, o médico tem mais propriedade para indicar a sequência de medicamentos mais adequada para aquele paciente”, explicou Augusto Modesto. Nos EUA e Europa, esses marcadores são cada vez mais pesquisados e utilizados em pacientes com câncer de próstata, mas no Brasil, também devido ao custo elevado, sua utilização ainda é restrita. Novas imunoterapias - A imunoterapia é um tipo de tratamento biológico que potencializa o sistema imunológico (de defesa) no combate a infecções e doenças como o câncer. Nos últimos tempos, ela tornou-se uma parte importante do tratamento de alguns tipos de tumor, a exemplo do câncer renal. Nos últimos anos, pesquisas têm confirmado que a associação da imunoterapia com a quimioterapia tradicional ou outras terapias alvo associadas pode ser mais eficaz que a imunoterapia isolada. Imunoterapias já são bem utilizadas para tratar, por exemplo, o câncer de mama. No caso dos tumores urológicos, já temos imunoterápicos bem desenvolvidos para o câncer de rim e o de bexiga. Seus principais benefícios são o aumento da sobrevida e da qualidade de vida do paciente oncológico. Técnicas de radioterapia - A radioterapia de resgate ou adjuvante pode ser importante para complementar o tratamento de um paciente pós-cirurgia, principalmente se houver resquícios ou retorno do tumor.  “No início, na radioterapia que chamamos de ‘externa’, a radiação se dava não só sobre o tumor em si, mas também sobre a área saudável em seu entorno. Ela trazia muitos efeitos colaterais para os pacientes, a exemplo de incontinência urinária, impotência sexual, inflamação com sangramentos pelo ânus ou uretra (através da urina), entre outros”, lembrou Augusto Modesto. Depois, surgiu a radioterapia “conformada”, com maior limitação da área de radiação. Mais recentemente, o tratamento evoluiu para a radioterapia do tipo IGRT hipofracionada, na qual os radioterapeutas fazem menos seções com doses maiores, e a radioterapia ablativa, que trata o tumor e até as metástases (como as linfonodais e ósseas) de forma guiada. “Na Bahia, ainda não temos este tipo de tratamento de ponta, mas a tendência é que as melhores tecnologias se estabeleçam como padrão. Às vezes, elas demoram para chegar ao nosso estado, mas chegam”, disse o médico. Biópsia por fusão de imagens - Não só o tratamento, mas também o diagnóstico de câncer urológico tem passado por grandes transformações nos últimos tempos. Uma das técnicas mais avançadas para confirmar a doença, a biópsia prostática combinada com fusão de imagens, chegou à Bahia no ano passado, embora em alguns estados brasileiros do sul e sudeste o procedimento já não seja tão recente. A principal vantagem da inovação é a maior precisão no diagnóstico, principalmente de câncer clinicamente significante. Pacientes que apresentam taxas elevadas de PSA (Antígeno Prostático Específico) e/ou nódulos suspeitos no exame de toque retal, ou até alterações suspeitas na ressonância multiparamétrica da próstata, podem ter indicação para realizar o procedimento. De acordo com Augusto Modesto, neste tipo de biópsia, as imagens da ressonância magnética multiparamétrica da próstata se fundem às do ultrassom transretal para teleguiar a retirada de fragmentos das áreas suspeitas do órgão, que serão analisados. Desta forma, a punção é feita em regiões onde, nas imagens, aparecem áreas suspeitas, aumentando a efetividade do resultado. Assistência multidisciplinar - Outra forte tendência nos tratamentos uro-oncológicos é a assistência multidisciplinar. A presença de bons profissionais -  médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros - é cada vez mais necessária, sobretudo no que diz respeito à tomada de decisão quanto às terapias mais indicadas para cada paciente. Para se ter uma ideia da complexidade disso, basta dizer que  para um paciente de câncer de próstata com risco intermediário favorável existem mais de 10 opções de tratamentos. “Para ampliar as chances de acertar na escolha, temos o que chamamos de ‘Tumor Board’, que significa todo mundo sentar junto, discutir caso a caso do início ao fim e tomar uma decisão em conjunto. Está mais do que provado que, dessa forma, oferecemos o melhor posicionamento para o paciente. A multidisciplinaridade é a essência do futuro da nossa profissão”, destacou Modesto. Vale lembrar que pode haver mais de uma opção de tratamento oncológico para o mesmo resultado. O paciente entra na decisão final e cabe ao uro-oncologista, em conjunto com a equipe multidisciplinar de apoio, explicar ao paciente as características de cada tratamento antes da decisão final.

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  • Vacina da Rússia contra Coronavírus passa em testes e lançamento está previsto para agosto

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    Por Juliana Rodrigues

    13/07/2020 - 18:15


    O início da produção em massa é aguardado até setembro por parte de empresas privadas

    SAÚDE

    - Cientistas da Rússia disseram hoje (13) que esperam que a primeira vacina contra o coronavírus do mundo seja distribuída já no mês que vem, após concluir ensaios clínicos com voluntários. “A pesquisa foi concluída e provou que a vacina é segura”, disse Yelena Smolyarchuk, chefe do centro de pesquisa clínica da Universidade Sechenov, à agência de notícias russa TASS. Com isso, a previsão é que o imunizante seja registrado e entre em “circulação civil” entre os dias 12 e 14 de agosto. Já o início da produção em massa é aguardado até setembro por parte de empresas privadas.

  • OMS diz que 50% dos casos de coronavírus nas últimas 24h ocorreram nos EUA e no Brasil

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    Por Kamille Martinho

    13/07/2020 - 15:22


    "Embora o número de mortes diárias permaneça relativamente estável, há muito com que se preocupar", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon

    SAÚDE

    - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou hoje (13) que, no domingo (12), mais de 230 mil infecções foram confirmadas em 24h. Os Estados Unidos ( 66.281) e Brasil (45.048) foram os países com mais registros. "Quase 80% desses casos foram relatados em apenas 10 países e 50% vêm de apenas dois países. Embora o número de mortes diárias permaneça relativamente estável, há muito com que se preocupar", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon. Em relação aos países das Américas, novo epicentro da pandemia, a OMS demonstrou preocupação com a reabertura econômica. "Deixe-me ser franco, muitos países estão indo na direção errada. A Covid-19 continua sendo o inimigo público número um, mas as ações de muitos governos e pessoas não refletem isso", disse Tedros. "A reabertura desses países levou a uma transmissão mais intensa", completou o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. "Os governos têm que ser claros nas medidas enviadas à população", afirmou.

  • Estudo sugere que tecido que armazena gordura pode servir de reservatório para coronavírus

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    Por Karina Toledo

    13/07/2020 - 11:00


    Experimentos conduzidos pela Unicamp mostram que vírus é capaz de infectar células adiposas humanas e se manter em seu interior

    SAÚDE

    Experimentos conduzidos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmam que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) pode ser capaz de infectar células adiposas humanas e de se manter em seu interior. Esse dado pode ajudar a entender por que indivíduos obesos correm mais risco de desenvolver a forma grave da Covid-19. Além de serem mais acometidos por doenças crônicas, como diabetes, dislipidemia e hipertensão – que por si só são fatores de risco –, os obesos teriam, segundo a hipótese investigada na Unicamp, um maior reservatório para o vírus em seu organismo. “Temos células adiposas espalhadas por todo o corpo e os obesos as têm em quantidade e tamanho ainda maior. Nossa hipótese é a de que o tecido adiposo serviria como um reservatório para o SARS-CoV-2. Com mais e maiores adipócitos, as pessoas obesas tenderiam a apresentar uma carga viral mais alta. No entanto, ainda precisamos confirmar se, após a replicação, o vírus consegue sair da célula de gordura viável para infectar outras células”, explica à Agência Fapesp Marcelo Mori professor do Instituto de Biologia (IB) e coordenador da investigação. Os experimentos com adipócitos humanos estão sendo conduzidos in vitro, com apoio da Fapesp, no Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (Leve). A unidade tem nível 3 de biossegurança, um dos mais altos, e é administrada por José Luiz Proença Módena, professor do IB e coordenador, ao lado de Mori, da força-tarefa criada pela Unicamp para enfrentar a pandemia. Os resultados ainda são preliminares e não foram publicados. Como explica Mori, não é em qualquer tipo de célula humana que o SARS-Cov-2 consegue entrar e se replicar de forma eficiente. Algumas condições favoráveis precisam estar presentes, entre elas uma proteína de membrana chamada ACE-2 (enzima conversora de angiotensina 2, na sigla em inglês) à qual o vírus se conecta para invadir a célula.

    Nas comparações feitas in vitro, os pesquisadores da Unicamp observaram que o novo coronavírus infecta melhor os adipócitos do que, por exemplo, as células epiteliais do intestino ou do pulmão. E a “dominação” da célula de gordura pelo vírus torna-se ainda mais favorecida quando o processo de envelhecimento celular é acelerado com uso de radiação ultravioleta. Ao medir a carga viral 24 horas após esse procedimento, os pesquisadores observaram que as células adiposas envelhecidas apresentavam uma carga viral três vezes maior do que as células “jovens”. “Usamos a radiação UV para induzir no adipócito um fenômeno conhecido como senescência, que ocorre naturalmente com o envelhecimento. Ao entrarem em senescência, as células expressam moléculas que recrutam para o local células do sistema imune. É um mecanismo importante para proteger o organismo de tumores, por exemplo”, explica Mori. O problema, segundo o pesquisador, é que tanto nos indivíduos obesos como nos idosos e nos portadores de doenças crônicas as células senescentes começam a se acumular no tecido adiposo, tornando-o disfuncional. Tal fato pode resultar no desenvolvimento ou no agravamento de distúrbios metabólicos. Ainda de acordo com Mori, o envelhecimento acelerado do adipócito induzido pela radiação UV mimetiza o que costuma ocorrer no tecido adiposo de indivíduos obesos e nos idosos. “Recentemente, começaram a ser testados em humanos alguns compostos capazes de matar células senescentes: são as chamadas drogas senolíticas. Nos experimentos com animais, esses compostos se mostraram capazes de prolongar o tempo de vida e reduzir o desenvolvimento de doenças crônicas associadas ao envelhecimento”, conta Mori. O grupo da Unicamp teve então a ideia de testar o efeito de algumas drogas senolíticas no contexto da infecção pelo SARS-CoV-2. Em experimentos feitos com células epiteliais do intestino humano, observou-se que o tratamento reduziu a carga viral das células submetidas à radiação UV. “Alguns compostos chegaram a inibir em 95% a presença do vírus. Agora pretendemos repetir o experimento usando adipócitos”, conta Mori. Até o momento, foram usados nos testes adipócitos diferenciados in vitro a partir de um tipo de célula-tronco mesenquimal (pré-adipócito) isolada de pacientes não infectados e submetidos a cirurgia bariátrica. Após a diferenciação, as células foram expostas a uma linhagem do novo coronavírus isolada de pacientes brasileiros e cultivada em laboratório por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. As etapas seguintes da pesquisa incluem a análise de adipócitos obtidos diretamente de pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19, obtidos por meio de biópsia. “Um dos objetivos é avaliar se essas células encontram-se de fato infectadas pelo SARS-CoV-2 e se o vírus está se replicando em seu interior. Também serão conduzidas análises de proteômica para descobrir se a infecção pelo SARS-CoV-2 afeta o funcionamento do adipócito e se deixa alguma sequela de longo prazo na célula. Essa etapa da pesquisa será feita em colaboração com o professor do IB-Unicamp Daniel Martins de Souza. “A ideia é comparar todas as proteínas que estão expressas nas células com e sem o vírus. Desse modo, conseguimos identificar as vias de sinalização que são alteradas pela infecção e como isso impacta o funcionamento celular”, explica Mori. Envelhecimento precoce: No Departamento de Bioquímica e Biologia Tecidual do IB-Unicamp, Mori tem se dedicado nos últimos anos a estudar a biologia do envelhecimento. Em seu projeto atual, o pesquisador investiga por que idosos e pessoas com doenças associadas ao envelhecimento são mais suscetíveis às complicações da COVID-19. “Esse achado de que adipócitos senescentes apresentam maior carga viral aponta um possível link entre doenças metabólicas, envelhecimento e maior severidade da Covid-19”, avalia o pesquisador. No entanto, ainda não se sabe se a carga viral é mais elevada nessas células porque elas se tornam mais facilmente infectáveis quando expostas ao SARS-CoV-2 em cultura ou se a quantidade de vírus que entra é a mesma, mas o patógeno consegue se replicar mais. “Precisamos fazer novos experimentos e acompanhar a evolução da carga viral ao longo do tempo”, explica Mori. Caso se confirme que o vírus causa algum tipo de impacto metabólico no adipócito, afirma Mori, as implicações poderão ser grandes. “As células de gordura têm um papel muito importante na regulação do metabolismo e na comunicação entre vários tecidos. Elas sinalizam para o cérebro quando devemos parar de comer, sinalizam para o músculo quando é preciso captar a glicose presente no sangue e atuam como um termostato metabólico, dizendo quando há necessidade de gastar ou armazenar energia. Pode ser que o vírus interfira nesses processos, mas por enquanto isso é apenas especulação”, diz o pesquisador. Esses aspectos estão sendo investigados em parceria com o pesquisador Luiz Osório Silveira Leiria, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Peto (FMRP-USP). Leiria coordena um projeto – apoiado pela Fapesp – que tem como objetivo descobrir o papel de determinados lipídeos no controle da inflamação causada no organismo pelo SARS-CoV-2. “A pesquisa também conta com uma ampla rede de colaboradores que integram a Força-Tarefa Unicamp Contra a Covid-19”, ressalta Mori.

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  • Cirurgias eletivas voltam a ser realizadas em Salvador

    Foto: Reprodução | Cinthya Brandão Foto: Reprodução | Cinthya Brandão
    Por Carla Santana

    13/07/2020 - 10:30


    Com protocolos bem definidos, médicos se adaptam à Covid-19 e voltam a operar

    SAÚDE

    - Com as devidas adaptações ao “novo normal”, diversas cirurgias eletivas, que estavam praticamente paralisadas nos últimos meses devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), voltaram a ser realizadas nos hospitais da capital baiana. Se até há pouco, apenas cirurgias de emergência estavam autorizadas, a partir dos últimos dias, procedimentos eletivos, com prioridade para os oncológicos e mais urgentes, também passaram a ser oferecidos nas redes pública e particular. Entre as medidas adotadas para dar segurança aos pacientes e profissionais, em obediência a protocolos muito bem definidos por cada unidade de saúde, destaca-se a triagem de pacientes com suspeita de Covid-19. A redução dos atendimentos eletivos, justificada pela necessidade de dar prioridade ao tratamento da Covid-19, associada ao temor do contágio, provocou uma drástica redução no número de consultas, exames e cirurgias. O impacto disso, infelizmente, foi a morte de muitas pessoas em casa ou o agravamento de quadros de saúde pela falta da devida assistência médica. Para o coordenador do Instituto Baiano de Cirurgia Robótica (IBCR), urologista Nilo Jorge Leão, a retomada é importante sobretudo nos casos em que a espera pode implicar em riscos para o paciente. “Há casos de pacientes uro-oncológicos, por exemplo, que não podiam mais aguardar, já que tumores tratados em estágio inicial têm chances de cura muito maiores”, frisou o especialista. Ele admite que a pandemia de Covid-19 continua a todo vapor. “Na Bahia, ainda vivemos o platô do pico, ou seja, possivelmente já ultrapassamos o dia do maior número de casos e maior número de óbitos diários, mas ainda não estamos vivenciando um decréscimo significativo. Já existem alguns indícios de redução, mas de maneira geral, ainda há muita contaminação. Neste cenário, há muitas cirurgias eletivas atrasadas, inclusive oncológicas e cardíacas, as quais demandam celeridade no procedimento. Por esta razão, a retomada das cirurgias eletivas nos hospitais onde o IBCR atua não podia ser adiada por mais tempo”, explicou Nilo Jorge Leão. Segurança em foco - Na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), um dos locais onde o médico trabalha, as cirurgias oncológicas pelo SUS estão a todo vapor, pois já estava havendo prejuízo no tratamento de alguns tipos de câncer. Nos hospitais privados, os casos em que o adiamento poderia causar prejuízos aos pacientes estão sendo priorizados. Em todas as unidades, há protocolos para rastreio de contágio pela Covid-19 nos pacientes que vão se submeter à cirurgia eletiva, principalmente as oncológicas. “Nos Hospitais São Rafael, Aliança (HA) e Cardiopulmonar (HCP), ambos da Rede D’Or, por exemplo, tem sido exigido o exame RT-PCR para detecção da Covid-19, além da tomografia de tórax antes do procedimento cirúrgico. Na rede pública, não há disponibilidade desses exames para todos. O que se faz é uma triagem de sintomas e a orientação de que os pacientes façam isolamento por 14 dias antes de se submeter à cirurgia, além de testes como aferição de temperatura e anosmia (verificação de olfação). Nos casos suspeitos, o exame para detecção de Covid-19 é realizado”, explicou Nilo Jorge Leão. O urologista e cirurgião conta, ainda, que em Hospitais como o Aliança e o Santa Izabel, as cirurgias oncológicas e outras que não podem aguardar mais do que quatro semanas estão sendo autorizadas com relativa normalidade. “Nessas unidades, a tomografia do tórax e o PCR são realizadas duas horas antes da cirurgia. Obviamente, quando o paciente testa positivo para a Covid-19, a cirurgia eletiva é adiada”, destacou.  No São Rafael, a princípio, estão sendo operados os pacientes que não podem aguardar mais do que 15 dias. Caso tivessem que aguardar mais tempo, a efetividade do tratamento poderia ficar comprometida. Vale destacar que devido à redução dos atendimentos ambulatoriais nos últimos meses, o número de cirurgias ainda está reduzido. “Não tenho dúvidas de que a demanda reprimida é grande e que nos próximos meses teremos um número crescente de procedimentos”, concluiu o médico.

  • OMS registra novo recorde diário de casos de Covid-19 no planeta

    Por Juliana Rodrigues

    12/07/2020 - 19:00


    Até então, o recorde de casos novos havia sido registrado em 10 de julho, com 228.102 casos em um único dia.

    SAÚDE

    - A Organização Mundial da Saúde registrou, neste domingo (12), o recorde de casos de coronavírus em 24 horas em todo o mundo. Foram contabilizados 230.370 casos nas últimas 24 horas e 5.285 novas mortes. Os maiores aumentos aconteceram nos Estados Unidos, Brasil, Índia e África do Sul, de acordo com o relatório diário. O recorde anterior da OMS para novos casos foi de 228.102 em 10 de julho. As mortes permanecem estáveis em cerca de 5 mil por dia. Os EUA lideram o ranking mundial de casos e óbitos pela Covid-19: são 3,2 milhões infectados e mais de 135 mil vidas perdidas, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins (EUA). Na sequência está o Brasil, com 1,8 milhão e 71 mil mortes. A Índia, país de 1,3 bilhão de habitantes, vê o número de casos crescer exponencialmente e superou recentemente a Rússia na terceira posição em número de casos, com quase 850 mil contágios notificados.

  • Conselho Nacional de Saúde discute enfrentamento à pandemia

    Foto: Geraldo Bubniak | Fotos Públicas Foto: Geraldo Bubniak | Fotos Públicas
    Por Danielle Campos

    11/07/2020 - 14:00


    Alerta para risco do uso de medicação sem orientação médica, e saúde e direitos das mulheres estão entre providências elencadas

    SAÚDE

    - O Conselho Nacional de Saúde (CNS) debateu nesta sexta-feira (10) ações para o enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil. Dirigentes do Ministério da Saúde apresentaram a abordagem da pasta para o combate à doença. Foi criado um comitê para acompanhamento das medidas adotadas, levando em conta o cenário pandêmico. O colegiado reforçou e recomendou a campanha para que as pessoas ficassem em casa, e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao conselho, emitiu aprovação ética de 537 protocolos de pesquisa científica relacionadas ao coronavírus. O Conep lançou campanha de proteção dos trabalhadores envolvidos no combate ao coronavírus. O alerta para o risco do uso de medicação sem orientação médica, está entre as providências elencadas. Além disso, os dirigentes do conselho também pretendem abordar o enfrentamento das consequências do novo coronavírus na saúde mental, cuidados para o teste rápido, precauções com as informações falsas difundidas em relação à pandemia e saúde e direitos das mulheres. O conselho se uniu a várias organizações e lançou a campanha Frente pela Vida, movimento com base em evidências científicas que lançou um plano nacional de enfrentamento à pandemia.

  • Ministério da Saúde assegura mais de R$ 43 mi em recursos federais para o coronavírus na Bahia

    Foto: Divulgação Foto: Divulgação
    Por Juliana Rodrigues

    09/07/2020 - 08:00


    O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello ainda assegurou o envio de novos ventiladores pulmonares e até 500 mil kits de amplificação do RT-PCR

    SAÚDE

    - O Ministério da Saúde ampliou em R$ 43 milhões o custeio de serviços na Bahia, como UTIs Covid de hospitais na capital e no interior. Em reunião com o secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello ainda assegurou o envio de novos ventiladores pulmonares e até 500 mil kits de amplificação do RT-PCR. “O Ministério permitirá ainda que os recursos das emendas parlamentares da bancada da Bahia sejam utilizados para comprar equipamentos para montar hospitais, bem como enviarão medicamentos anestésicos para pacientes entubados, que estão escassos em todo o Brasil”, afirma Vilas-Boas. Os leitos de Terapia Intensiva que serão habilitados pelo Ministério da Saúde estão localizados nos municípios de Salvador, Feira de Santana, Jequié e Ilhéus.

  • EUA firmam contrato de US$ 1,6 bilhão com empresa para fabricação de vacina contra Covid-19

    Foto: Reprodução | AFP Foto: Reprodução | AFP
    Por Luciana Freire

    07/07/2020 - 11:15


    Novavax é a quarta companhia a receber fundos federais para conduzir testes clínicos da Fase 3 em grande escala

    SAÚDE

    - O programa de vacina contra o coronavírus dos Estados Unidos, chamado Operação Warp Speed, anunciou hoje (7) o maior contrato já feito pelo governo para combater a pandemia: US$ 1,6 bilhão com a Novavax, companhia de biotecnologia de Maryland. A informação foi divulgada pela CNN Brasil. O presidente e CEO da empresa, Stanley Erck, disse em entrevista que a vacina da Novavax pode estar no mercado no primeiro trimestre de 2021. A Novavax é a quarta companhia a receber fundos federais para conduzir testes clínicos da Fase 3 em grande escala e fabricar uma vacina contra o coronavírus. Cada teste deve ser feito com 30 mil pessoas. O pacote de recursos que a empresa recebeu vai permitir o teste da vacina e aumentar a produção, após uma possível aprovação dos órgãos de controle, com o objetivo de entregar 100 milhões de doses até fevereiro, afirma Erck.

  • Mais de 6 milhões de pessoas estão recuperadas do coronavírus no mundo

    Foto: Sergio Perez | Reuters Foto: Sergio Perez | Reuters
    Por Lara Curcino

    06/07/2020 - 07:30


    Brasil é país com maior número de curados da Covid-19

    SAÚDE

    - O mundo ultrapassou a marca dos 6.193.538 pessoas curadas após infecção pelo coronavírus. De acordo com o Mapa da Covid-19, feito pela Universidade Johns Hopkins, até as 8h20 de hoje (6) 6.193.538 pacientes já estavam recuperados. O país com maior número de curados é o Brasil, que possui 1.029.045. Logo abaixo vem os Estados Unidos, com 906.763 curados. 

  • OMS confirma novo recorde de casos de Covid-19 e retira em definitivo hidroxicloroquina de testes

    Foto: Reprodução  Foto: Reprodução
    Por Luciana Freire

    05/07/2020 - 07:00


    No Brasil, as Forças Armadas produzem o medicamento e aumentaram sua produção a pedido do presidente Bolsonaro

    SAÚDE

    - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ontem (4) sua decisão de retirar definitivamente a hidroxicloroquina de seus testes científicos. Também ontem, a organização confirmou 212.326 mil casos por Covid-19 em apenas 24 horas, novo recorde mundial. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Em nota, a OMS, que suspendera a utilização do medicamento por falta de resultados, confirmou que o remédio, ainda defendido pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, não será mais usado em suas pesquisas. "O Comitê Diretor Internacional formulou a recomendação à luz das evidências para hidroxicloroquina e para lopinavir/ritonavir e de uma revisão das evidências de todos os estudos apresentados na Cúpula da OMS sobre pesquisa e inovação Covid-19, em 1 e 2 de julho", apontou o comunicado. No Brasil, as Forças Armadas produzem o medicamento e aumentaram sua produção a pedido do presidente Bolsonaro. Segundo o Ministério da Defesa já foram produzidos 1,8 milhão de comprimidos de hidroxicloroquina que estão estocados no Laboratório do Exército brasileiro.

  • Anvisa autoriza teste de vacina desenvolvida por empresa chinesa

    Foto: Reprodução | Getty Images Foto: Reprodução | Getty Images
    Por Lara Curcino

    04/07/2020 - 11:00


    Parceria com o Brasil havia sido anunciada pelo Instituto Butantan e Governo de SP

    SAÚDE

    - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou ontem (3) testes da vacina contra o coronavírus CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. A liberação havia sido solicitada pelo Instituto Butantan e foi anunciada pelo governador de São Paulo, João Doria, no dia 11 de junho. A anvisa informa, em nota, que a dose deve ser testada em diferentes partes do Brasil. A vacina está na terceira fase de experimentos, quando já pode ser administrada por um maior número de pessoas. O estudo clínico com ela vai contar com nove mil voluntários, dos estados de SP, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal. De acordo com a Anvisa, estudo da primeira e segunda fase, que foram realizados em humanos saudáveis e em animais, indicaram segurança nas doses e capacidade de provocar respostas imunes “favoráveis”. Após aval da Anvisa, de acordo com o Butantan, metodologia ainda precisa ser validada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao Ministério da Saúde, ou pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq), que é vinculada à Secretaria Estadual da Saúde.

  • OMS vê sinais de estabilização dos contágios de Covid-19 no Brasil

    Foto: Fabrice Coffrini | Getty Images Foto: Fabrice Coffrini | Getty Images
    Por Luciana Freire

    04/07/2020 - 07:00


    O diretor Michael Ryan reforçou, no entanto, que a percepção não significa que o país esteja chegando ao fim da crise e nem que os números não possam voltar a subir

    SAÚDE

    - O diretor de operações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou hoje (3) em coletiva de imprensa, que vê “sinais de estabilização” do crescimento da curva de pessoas contaminadas no Brasil pelo coronavírus, mas pediu cautela. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Ryan reforçou que a percepção não significa que o país esteja chegando ao fim da crise e nem que os números não possam voltar a subir. Sobre a abertura da economia em tempos de contaminação, o diretor afirmou que há o desafio de garantir a renda de trabalhadores no período, mas que é preciso ficar atento a dados científicos na hora de governos tomarem as “escolhas difíceis” que precisam fazer.

  • Vítima-padrão de Covid-19 no Brasil é homem, pobre e negro

    Foto: Fabio Teixeira | Getty Imagens Foto: Fabio Teixeira | Getty Imagens
    Por Juliana Rodrigues

    03/07/2020 - 08:00


    Compilação de dados do SUS mostra perfil mais atendido em meio à pandemia de coronavírus

    SAÚDE

    - Dados coletados no Sistema Sivep-Gripe, do OpenDataSUS, mantido pelo Sistema Único de Saúde, apontou qual a vítima-padrão da Covid-19 no Brasil. O levantamento feito pela revista Época aponta que, de 54.488 vítimas, a conclusão é que a doença mata mais pobres e pardos, mais homens que mulheres e mais jovens do que em outros países onde a pandemia inviabilizou sistemas de saúde, como na Itália e na Espanha. O censo foi encomendado através da consultoria Lagom Data. Por meio do Sistema Sivep-Gripe, é possível ler o que cada profissional da saúde escreveu na ficha de cada paciente infectado pelo novo coronavírus no Brasil. A inserção tem uma certa defasagem: na terça-feira 30, última coleta feita pela reportagem da Época, eram contabilizadas 54.488 mortes, enquanto os números do Ministério da Saúde estavam em 60 mil. Sexo, idade e localização são as informações mais completas nas fichas pesquisadas. Com isso, é possível saber que 96% dos pacientes que morreram de Covid-19 após serem internados no Brasil viviam em zonas urbanas e quase seis em cada dez eram homens. A cor da pele é preenchida em cerca de dois terços das fichas e, apesar das lacunas, os números evidenciam o impacto da desigualdade. Das vítimas cuja cor foi identificada, 61% constam como pardas e pretas, enquanto, segundo o IBGE, os pardos e pretos no país representam 54%. No Norte, 86% das vítimas eram pardas e pretas, um número proporcionalmente maior do que a desses fenótipos na população da região — que é de 76%. No Nordeste, eram 82% dos mortos, mesmo sendo apenas 70% da população, de acordo com o IBGE. 

  • Teste de vacina de covid-19 funciona e Pfizer pode produzir 1 bilhão de doses

    Foto: Reprodução | AFP Foto: Reprodução | AFP
    Por Juliana Rodrigues

    01/07/2020 - 12:00


    Estudo foi realizado em 45 voluntários dos Estados Unidos

    SAÚDE

    - A vacina experimental contra o novo coronavírus produzida pela gigante farmacêutica Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia BioNTech teve bons resultados em testes com humanos. Segundo a revista Exame, a novidade foi divulgada no site Medrxiv, principal distribuidor de descobertas científicas que ainda não foram revisadas por pares. Os resultados ainda não foram publicados em um jornal científico. Segundo a publicação, a vacina foi aplicada em 45 voluntários. Ela estimulou a resposta imune dos pacientes saudáveis, mas também causou efeitos colaterais, como febre, em doses mais altas. O imunobiológico foi capaz de gerar anticorpos contra a covid-19 e alguns deles neutralizaram o vírus, o que pode significar que é capaz de parar o funcionamento dele. Ainda não se sabe, porém, se esse nível mais alto de anticorpos é realmente capaz de gerar imunidade à doença. A Pfizer irá conduzir novos estudos em breve para provar que quem tomou a vacina é 50% menos vulnerável ao vírus. As próximas fases do teste também serão focadas nos Estados Unidos. Caso tudo corra bem, a expectativa da companhia é produzir até 100 milhões de doses da vacina até o final deste ano e mais 1,2 bilhão até o final de 2021. O resultado positivo dos testes fez com que as ações da Pfizer subissem mais de 4% na bolsa americana.

  • Vacina contra Covid-19 pode começar a ser distribuída em dezembro, diz Fiocruz

    Foto: Reprodução | AFP Foto: Reprodução | AFP
    Por Kamille Martinho

    30/06/2020 - 06:00


    O medicamento está sendo desenvolvido no laboratório de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra

    SAÚDE

    - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou hoje (29) que, se tudo correr dentro do previsto, a distribuir da vacina contra a Covid-19 começará em dezembro deste ano. O medicamento está sendo desenvolvida no laboratório de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra. As informações são do G1. O acordo com a universidade estadunidense foi anunciado no sábado (27) pelo Ministério da Saúde e prevê a transferência da tecnologia da Universidade de Oxford para a Fiocruz, que vai poder produzir a vacina. A vacina em produção pela Fiocruz está entre as mais promissoras entre as mais de 140 que estão sendo testadas pelo mundo.

  • Pesquisadores chineses descobrem novo vírus com potencial de causar pandemia

    Foto: Reprodução  Foto: Reprodução
    Por Juliana Rodrigues

    30/06/2020 - 06:00


    Vírus chamado G4 EA H1N1 foi descoberto em porcos, mas há evidências de infecções recentes em trabalhadores da indústria suína

    SAÚDE

    - Um estudo realizado na China descobriu uma nova cepa do vírus influenza, da gripe, capaz de causar uma pandemia. A linhagem recém-descoberta tem porcos como hospedeiros e pode infectar seres humanos. De acordo com informações da BBC News, os cientistas se preocupam com a possibilidade de o vírus sofrer mutação e se espalhar facilmente de pessoa a pessoa. Isso porque a cepa tem “todas as características” de ser altamente adaptável para infectar seres humanos. A última gripe com proporções de pandemia foi em 2009, que começou no México. O impacto foi menos mortal do que o esperado inicialmente, provavelmente porque pessoas mais velhas tinham alguma imunidade ao vírus devido à semelhança com outros que circulavam anos antes. O perigo dessa nova cepa é que as vacinas contra gripe que temos não parecem proteger contra a gripe G4 EA H1N1, embora possam ser adaptadas, se necessário. Cientistas descobriram que o vírus pode crescer e se multiplicar nas células que revestem as vias aéreas humanas. Há evidências de infecções recentes em trabalhadores de matadouros e na indústria suína chinesa.

  • Grupo chinês diz que testes de vacina contra covid-19 mostraram completa eficácia

    Foto: Reprodução | AFP Foto: Reprodução | AFP
    Por Juliana Rodrigues

    29/06/2020 - 07:00


    Ao todo, 1.120 pessoas participaram de nova etapa de testes da farmacêutica CNBG

    SAÚDE

    - O grupo farmacêutico chinês China National Biotec Group (CNBG) informou neste domingo, 28, que uma vacina contra o novo coronavírus em desenvolvimento pela empresa se mostrou capaz de imunizar todas as pessoas que receberam as doses. Participaram desta etapa 1.120 indivíduos, sendo que todos produziram anticorpos contra o vírus causador da covid-19. "Com referência a produtos similares no passado, combinados com dados humanos existentes, sugere-se inicialmente que a nova vacina desenvolvida seja segura e eficaz", diz o texto publicado pela CNBG na rede social chinesa WeChat. Na nota, o grupo também disse ter construído uma fábrica em Pequim com capacidade de produzir até 120 milhões de unidades da vacina a cada ano.

  • Especialistas começam a entender os problemas de saúde causados pela Covid-19

    Foto: Reprodução | Steve Parsons Foto: Reprodução | Steve Parsons
    Por Julie Steenhuysen

    27/06/2020 - 12:27


    Além dos problemas respiratórios que deixam os pacientes ofegantes, o vírus que causa a Covid-19 ataca muitos sistemas orgânicos, em alguns casos proporcionando danos catastróficos.

    SAÚDE

    - Os especialistas estão começando a entender a vasta gama de problemas de saúde causados pelo novo coronavírus, sendo que alguns deles podem ter efeitos persistentes nos pacientes e sistemas de saúde nos próximos anos. As informações são rede CNN. De acordo com a publicação, além dos problemas respiratórios que deixam os pacientes ofegantes, o vírus que causa a Covid-19 ataca muitos sistemas orgânicos, em alguns casos proporcionando danos catastróficos. "Pensávamos que se tratava apenas de um vírus respiratório. Acontece que ele vai para o pâncreas. Ele vai para o coração. Ele vai para o fígado, o cérebro, o rim e outros órgãos. Nós não avaliamos isso no começo", disse o dr. Eric Topol, cardiologista e diretor do Instituto Translacional de Pesquisa Scripps, em La Jolla, na Califórnia. Além do desconforto respiratório, os pacientes com Covid-19 podem apresentar distúrbios de coagulação sanguínea que podem levar a derrames e inflamação extrema que ataca vários sistemas orgânicos. O vírus também pode causar complicações neurológicas que variam de dor de cabeça, tontura e perda de paladar ou olfato a convulsões e confusão.E a recuperação pode ser lenta, incompleta e cara, com um enorme impacto na qualidade de vida.

    Foto: Reprodução | Nasa
    Foto: Reprodução | Nasa

    As manifestações amplas e diversas da Covid-19 são únicas, disse a médica Sadiya Khan, cardiologista da Northwestern Medicine em Chicago.Pessoas com problemas cardíacos subjacentes também têm maior risco de complicações, segundo ela. O que é surpreendente sobre esse vírus é a extensão das complicações fora dos pulmões. Khan acredita que haverá uma enorme despesa e ônus em saúde para indivíduos que sobreviveram à Covid-19. Reabilitação longa: Pacientes que estiveram em unidade de terapia intensiva ou em um ventilador por semanas precisarão passar um tempo considerável na reabilitação para recuperar a mobilidade e a força."Quanto mais velho, mais difícil, e você nunca volta ao mesmo nível de função", disse a médica. Embora grande parte do foco esteja na minoria de pacientes que sofre de doenças graves, os médicos estão cada vez mais se voltando às necessidades de pacientes que não estavam doentes o suficiente para exigir hospitalização, mas ainda sofrem por meses após a infecção. Estudos estão apenas começando para entender os efeitos a longo prazo da infecção, afirmou Jay Butler, vice-diretor de doenças infecciosas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a repórteres em uma entrevista por telefone na quinta-feira. "Ouvimos relatos de pessoas que têm fadiga persistente, falta de ar", disse Butler. "Quanto tempo isso vai durar, é difícil dizer. "Os sintomas do coronavírus geralmente desaparecem em duas ou três semanas, mas estima-se que 1 em cada 10 infectados tenha sintomas prolongados, escreveu a dra. Helen Salisbury, da Universidade de Oxford, no British Medical Journal na terça-feira.