
A apreensão de 23 pistolas calibre 9 mm em um ônibus de turismo na BR-116, em Vitória da Conquista na região sudoeste da Bahia, no dia 23 de novembro de 2020, foi o ponto de partida para uma das maiores investigações da Polícia Federal contra o tráfico internacional de armas. O flagrante, realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), revelou posteriormente conexões entre o Comando Vermelho (CV) e políticos do Rio de Janeiro. Segundo a PRF, o veículo vinha de São Paulo com destino a Poções (BA) quando agentes encontraram duas mochilas pesadas no compartimento de passageiros. Dentro delas estavam pistolas da fabricante croata HS Produkt, todas com os números de série raspados. A partir da apreensão, a PF iniciou rastreamento e descobriu que as armas haviam sido importadas para o Paraguai pela empresa International Auto Supply (IAS), apontada como fornecedora de armamento para facções brasileiras com apoio de militares corrompidos da Dirección de Material Bélico (Dimabel). Com base nas investigações, a PF deflagrou em dezembro de 2023 a Operação Dakovo, que cumpriu 25 mandados de prisão no Brasil e no Paraguai. Entre os alvos estavam o general paraguaio Jorge Antonio Orue Roa e o argentino Diego Hernan Dirísio, considerado o maior contrabandista de armas da América do Sul. O inquérito também identificou compradores ligados ao tráfico no Rio, como Fhillip da Silva Gregório, o Professor, chefe do tráfico no Complexo do Alemão, além de outros intermediários. Em setembro de 2025, novos desdobramentos levaram à prisão do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias) e do ex-secretário de Esporte e Lazer do Rio, Alessandro Carracena, acusados de atuar como braço político da facção.