
Um levantamento do Ministério da Educação (MEC), revelou que 19 dos 33 cursos de Medicina em funcionamento na Bahia obtiveram notas abaixo do esperado na última avaliação do governo federal. Os dados, baseados no Conceito Preliminar de Curso (CPC), apontam um cenário preocupante sobre a qualidade da formação médica no estado. O CPC, principal indicador de qualidade do ensino superior usado pelo MEC, avalia aspectos como desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), infraestrutura, qualificação dos professores e recursos didáticos. Notas abaixo de 3, numa escala de 1 a 5, são consideradas insatisfatórias. Na Bahia, quase 58% das faculdades de Medicina ativas não atingiram essa média mínima.O avanço de cursos privados sem estrutura adequada preocupa especialistas. Para Mariana Dantas, coordenadora da ONG Repensar a Educação Médica, a situação é reflexo de um crescimento desordenado. “A expansão das vagas em Medicina no Brasil aconteceu sem um planejamento rigoroso e com critérios muitas vezes políticos. O resultado é uma formação médica deficitária e perigosa para a sociedade”, afirmou em entrevista ao Jornal da Metrópole. Entre as instituições com as menores notas estão faculdades localizadas em cidades do interior, como Eunápolis (Centro Universitário UniFG), Juazeiro (Faculdade Estácio) e Irecê (Faculdade de Irecê - FAI). Já universidades públicas como a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) se destacaram com notas altas, confirmando a melhor qualidade histórica do ensino superior público.

Ainda segundo a reportagem, a Faculdade Estácio de Juazeiro obteve nota 1, a mais baixa possível, enquanto a Faculdade Pitágoras, de Eunápolis, ficou com nota 2, ambas classificadas como insatisfatórias. As instituições com notas negativas estão sujeitas a sanções, como a suspensão de novos vestibulares e, em casos extremos, o descredenciamento. A avaliação também revela desigualdades regionais. A maior concentração de notas baixas ocorre no interior do estado, onde a expansão de cursos médicos privados tem sido mais intensa nos últimos anos. Segundo especialistas, isso demonstra a necessidade de um controle mais rígido por parte das autoridades educacionais. “A formação médica inadequada compromete não só o futuro profissional desses estudantes, mas também a qualidade do atendimento prestado à população. O Ministério da Educação precisa agir com firmeza”, alertou Mariana Dantas. Procurado, o MEC informou ao Metro1 que acompanha os resultados das instituições e pode adotar medidas regulatórias em casos de desempenho insatisfatório contínuo.