
Dois vereadores de Manoel Vitorino e um comerciante foram presos pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (11) durante a Operação Peculatus, deflagrada para apurar o suposto desvio e a comercialização irregular de bens públicos no sudoeste da Bahia. A ação teve como alvo investigados apontados em um inquérito que investiga o desaparecimento de dezenas de caixas d'água doadas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do município. A operação cumpriu dois mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça da Comarca de Poções. Entre os presos estão um vereador e um comerciante, apontados pelas investigações como suspeitos de participação no esquema. Durante o cumprimento das medidas judiciais, os policiais também encontraram uma arma de fogo em um imóvel alvo das buscas. Segundo a Polícia Civil, o armamento pertence a outro vereador de Manoel Vitorino, que foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. As investigações começaram após uma denúncia anônima recebida pela Polícia Civil em janeiro deste ano. Na ocasião, equipes policiais localizaram 41 caixas d'água em Poções. Os equipamentos, avaliados em aproximadamente R$ 120 mil, haviam sido destinados a programas de interesse social e foram recuperados durante a apuração. Dois homens foram presos em flagrante por receptação qualificada após serem encontrados com parte do material. De acordo com a investigação, durante os depoimentos os suspeitos relataram que parte das caixas teria sido adquirida de um vereador do município. Ainda segundo a Polícia Civil, eles também informaram que receberam orientação para retirar as identificações dos equipamentos, incluindo referências à Codevasf. Parte do material recuperado apresentava sinais de adulteração.
Com o avanço das diligências, os investigadores reuniram elementos que, segundo a polícia, apontam para a participação dos alvos no suposto esquema de desvio e comercialização dos bens públicos. Com base no material colhido ao longo do inquérito, a autoridade policial solicitou as medidas cautelares que foram autorizadas pela Justiça e cumpridas nesta sexta-feira. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer completamente a destinação das caixas d'água, identificar possíveis novos envolvidos e aprofundar a apuração sobre o suposto crime de peculato, que consiste no desvio ou apropriação de bens públicos por agente que tenha acesso a eles em razão da função exercida. Os presos permanecem à disposição da Justiça enquanto o caso segue em investigação.