
O Sistema Único de Saúde (SUS) poderá oferecer ainda este ano uma nova forma de prevenção ao HIV. O Ministério da Saúde anunciou que encaminhará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido para inclusão do cabotegravir, medicamento injetável utilizado como profilaxia pré-exposição (PrEP). Diferentemente da versão em comprimidos, que precisa ser tomada diariamente, o cabotegravir é aplicado por injeção a cada dois meses. O medicamento impede a replicação do vírus HIV e tem como principal vantagem facilitar a adesão ao tratamento preventivo. Antes de ser incorporado à rede pública, o pedido será analisado pela Conitec, que avaliará critérios como eficácia, segurança e custo-benefício. A decisão final sobre a oferta do medicamento caberá ao Ministério da Saúde. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica GSK o preço do medicamento e a quantidade de doses que serão adquiridas. Ele afirmou que o valor apresentado pela empresa está dentro do esperado para viabilizar a oferta pelo SUS. O ministro também explicou que outra alternativa, o lenacapavir, que oferece proteção por até seis meses, não será incorporada neste momento devido ao alto custo. Segundo Padilha, o preço apresentado pela fabricante inviabiliza a compra pelo sistema público brasileiro. Atualmente, o SUS já disponibiliza gratuitamente a PrEP oral para pessoas com maior risco de exposição ao HIV. Mais de 350 mil brasileiros já utilizaram o tratamento preventivo. Estudos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que a versão injetável pode aumentar a adesão ao tratamento. Em uma pesquisa com 1,4 mil participantes, 83% preferiram a aplicação em vez dos comprimidos diários, e nenhum dos voluntários que seguiu corretamente o protocolo foi infectado pelo HIV durante o acompanhamento. A expectativa do Ministério da Saúde é que, caso a incorporação seja aprovada, a PrEP injetável amplie o acesso à prevenção e fortaleça as estratégias de combate ao HIV no Brasil.