Sudoeste Bahia
Publicado em: 27 Out 2025 / 05h30
Autor: Redação

Delegada é investigada por suposta omissão e falsificação em Cocos

Foto: Reprodução

O delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, determinou o afastamento cautelar imediato e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada que atuava como titular da Delegacia Territorial de Cocos, no Extremo Oeste baiano. As medidas, formalizadas em portarias nesta semana, foram tomadas com base em suspeitas de condutas irregulares que teriam ocorrido entre 2023 e 2025. As denúncias estão registradas em um Procedimento Investigativo Criminal e em uma ação penal que tramita sob segredo de Justiça na Vara Criminal de Cocos.Condutas sob investigação: Segundo a portaria que instaurou o PAD, a investigação vai apurar se a delegada deixou de cumprir atos de ofício de forma reiterada para atender a interesses pessoais.Entre as acusações estão:descumprimento de requisições do Ministério Público e determinações judiciais, o que teria levado à prescrição de investigações;obstrução de ações de órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar e o Creas;inserção de informações falsas em documentos públicos, com o objetivo de reduzir artificialmente o número de inquéritos pendentes e enganar órgãos de controle;auxílio a um vereador preso em flagrante por tentativa de homicídio, ao reclassificar o crime e liberá-lo indevidamente;negligência que teria permitido a fuga de um preso e a soltura irregular de outro, sem alvará judicial.Caso envolve vereador preso em flagrante:De acordo com o site Folha do Vale, o caso citado no PAD envolve um vereador do município, preso em flagrante em julho de 2023 por tentativa de homicídio.Na época, o parlamentar teria agredido e atirado contra um agricultor na zona rural de Cocos, após uma discussão sobre capim. A arma usada no crime não foi localizada.Medidas e restrições judiciais:A portaria que determinou o afastamento da delegada também cumpre decisão liminar da Vara Criminal da Comarca de Cocos e impõe restrições adicionais:proibição de portar armas de fogo, sejam funcionais ou particulares;impedimento de acesso às dependências da Polícia Civil na comarca, exceto em casos de atos processuais autorizados pela Justiça;proibição de contato com servidores da delegacia e testemunhas listadas na denúncia.Processo disciplinar e prazos:Se as suspeitas forem confirmadas, os fatos podem configurar infrações disciplinares previstas na Lei Estadual nº 11.370/2009.A apuração será conduzida por uma comissão composta por três delegados, com prazo de 60 dias para concluir o trabalho — podendo ser prorrogado em casos excepcionais.