
O ministro Alexandre de Moraes afirmou nesta terça-feira (17) que investigações preliminares da Receita Federal do Brasil identificaram “diversos e múltiplos acessos ilícitos” a sistemas do órgão, seguidos de vazamento de informações sigilosas. Relator do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, Moraes determinou a apuração de possível vazamento de dados de ministros da Corte, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de familiares.Segundo nota divulgada pelo STF, relatório da Receita apontou a existência de um “bloco de acessos cuja análise não identificou justificativa funcional”. A Procuradoria-Geral da República afirma apurar suspeita de violação de sigilo funcional e sustenta que informações teriam sido exploradas de forma fragmentada para criar “suspeitas artificiais”. A Polícia Federal cumpriu nesta terça quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foram determinadas medidas cautelares, como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, recolhimento domiciliar noturno e afastamento de função pública.Entre os investigados estão Luiz Antônio Martins Nunes, servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados cedido ao Fisco, além de Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. As defesas não foram localizadas. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a Receita realizou rastreamento de dados de cerca de 100 pessoas, incluindo familiares de ministros do STF. O órgão informou ter feito aproximadamente 8.000 procedimentos de checagem e que a auditoria, que envolve 80 sistemas, segue em andamento.O caso ocorre em meio à crise institucional relacionada à liquidação do Banco Master, que colocou familiares do ministro sob escrutínio após reportagens do O Globo.