
Um estudo do Instituto Combustível Legal (ICL) identificou irregularidades em 28% das amostras de gasolina, etanol e diesel comercializadas no Brasil ao longo de 2025. O levantamento analisou mais de 3.200 amostras em 14 estados, por meio do programa “Cliente Misterioso”. A Bahia aparece com destaque negativo e figura entre os cinco estados com maior incidência de combustível irregular no país, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás.Dentro do estado, o estudo aponta a existência de “zonas de risco”, com maior probabilidade de fraude no eixo metropolitano. Salvador, Lauro de Freitas e Camaçari concentram os principais registros de irregularidades. As fraudes identificadas se dividem em dois tipos principais. O mais recorrente na Bahia é a fraude volumétrica, conhecida como “bomba baixa”. Nesse caso, dispositivos eletrônicos ou softwares adulterados fazem com que a bomba registre um volume maior do que o efetivamente abastecido, levando o consumidor a pagar por combustível que não recebe.O segundo grupo envolve problemas de qualidade, como excesso de etanol anidro na gasolina, adição de metanol e mistura de solventes. Essas práticas comprometem a queima do combustível e podem causar danos ao motor. Além do prejuízo financeiro imediato e da evasão fiscal, o uso contínuo de combustível adulterado pode danificar componentes do veículo, como bicos injetores, velas, filtros, bomba de combustível e catalisador.A fiscalização é realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelos Procons, que reforçam o papel do consumidor no combate às irregularidades. Por lei, os postos são obrigados a realizar o teste de qualidade do combustível na presença do cliente, sempre que solicitado, além do teste de litragem para verificar se o volume abastecido corresponde ao valor pago.