Sudoeste Bahia
Publicado em: 12 Ago 2026 / 05h30
Autor: Redação Sudoeste Bahia

Operação da PF mira ex-secretário do Maranhão por suposto vazamento de informações sobre Flávio Dino

Foto: Gustavo Moreno | STF

A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (11), um mandado de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do Governo do Maranhão, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura a suspeita de que Cutrim tenha obtido informações de acesso restrito e as repassado ao blogueiro Luís Pablo, responsável por publicações envolvendo o ministro Flávio Dino. Segundo a decisão de Moraes, o inquérito investiga a suposta obtenção e divulgação de informações relacionadas a Dino. A Polícia Federal afirma que a apuração começou em novembro do ano passado, após a divulgação de reportagens que questionavam o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e do Governo do Estado pelo ministro. De acordo com os investigadores, há indícios de que Raimundo Cutrim teria acessado sistemas restritos para obter os dados utilizados nas reportagens publicadas pelo blog, que se apresenta como um veículo de "jornalismo independente que incomoda o poder". Por meio da assessoria, Flávio Dino informou que solicitou o reforço das medidas de segurança para ele e seus familiares. O ministro também relatou a interlocutores ter sido alvo de perseguição no Maranhão. Em razão do sigilo do processo, a assessoria afirmou que não poderia comentar detalhes da investigação. Em nota, Luís Pablo declarou manifestar "profunda preocupação com os rumos da investigação conduzida pela Polícia Federal e, especialmente, com a tentativa de criminalizar o exercício da minha atividade jornalística". O blogueiro também afirmou causar "perplexidade que, após a identificação e violação do sigilo de uma fonte jornalística — garantia expressamente protegida pela Constituição Federal —, fatos e relações de natureza estritamente privada, sem qualquer vínculo com a produção ou publicação de conteúdo jornalístico, estejam sendo utilizados para tentar me atribuir uma conduta criminosa". Na mesma manifestação, o jornalista acrescentou que "criminalizar um jornalista, violar sua fonte e devassar relações privadas em razão do exercício de sua profissão representa uma grave ameaça às garantias asseguradas à imprensa e à própria sociedade". A defesa de Raimundo Cutrim foi procurada, mas não havia se pronunciado. O ex-secretário já havia sido alvo de outra decisão do ministro Flávio Dino em julho deste ano. Na ocasião, foram expedidos mandados de busca e apreensão, determinada sua prisão domiciliar e seu afastamento do cargo, sob suspeita de obstrução da Justiça. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu 26 armas em endereços ligados a Cutrim. Essa investigação também está relacionada ao homicídio do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022. Um dos elementos analisados é um áudio em que Raimundo Cutrim é suspeito de orientar familiares de Gilbson Cutrim a alterarem depoimentos prestados à polícia sobre o caso. Gilbson Cutrim foi apontado pela Justiça do Maranhão como executor do crime e acabou condenado a 13 anos de prisão. O episódio ganhou repercussão política e passou a integrar as disputas entre grupos ligados ao cenário pré-eleitoral do Governo do Maranhão, intensificando a troca de acusações entre aliados, dissidentes e adversários políticos. Em nota, a assessoria de Flávio Dino também rebateu as acusações envolvendo o uso de veículos oficiais. Segundo o comunicado, "jamais houve uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão. Um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país".