Sudoeste Bahia
Publicado em: 21 Set 2026 / 06h00
Autor: Redação Sudoeste Bahia

Abin alerta para risco de pressão dos EUA sobre eleições brasileiras de 2026

Foto: Reprodução

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alerta para um nível considerado “crítico” de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil no contexto das eleições de 2026. O documento foi encaminhado no fim de agosto ao governo federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aponta uma intensificação das ações do governo do presidente Donald Trump sobre o país. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles e pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo o relatório, a estratégia de Washington estaria relacionada à tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e conter o avanço de potências rivais, principalmente a China. O documento afirma que o Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário por manter uma política externa com maior autonomia em relação às exigências norte-americanas. A Abin também aponta que a pressão sobre o país envolve medidas econômicas, comerciais e diplomáticas. Entre os episódios citados estão sanções contra brasileiros e empresas, além da classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelo governo dos Estados Unidos. O relatório ainda menciona iniciativas relacionadas ao processo eleitoral brasileiro, incluindo uma exigência apresentada pelo governo Trump para que o Brasil não impedisse a participação de chamados “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. A solicitação não foi aceita pelo governo brasileiro. Em agosto, o Departamento de Estado dos EUA afirmou ao Metrópoles que Washington respeitaria a escolha dos brasileiros em eleições “livres e justas”. A avaliação da Abin ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington. O órgão classifica o cenário como um risco ao processo eleitoral e recomenda atenção das autoridades brasileiras diante de possíveis ações externas durante o período eleitoral. O relatório, porém, representa uma avaliação de inteligência sobre riscos e não uma comprovação de que o governo dos Estados Unidos tenha interferido diretamente no resultado das eleições brasileiras.