
Dois dias antes de ser alvo de mandado de busca e apreensão da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) utilizou a tribuna do Senado para rebater suspeitas envolvendo seu nome nas investigações sobre supostas fraudes ligadas ao Banco Master. Na ocasião, Wagner classificou como "leviana" uma reportagem da revista Veja que citava seu nome em uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Segundo o senador, não existe qualquer investigação que tenha apontado irregularidades em sua atuação ou na do ministro da Casa Civil, Rui Costa. "A capa da Veja fala que revelará os negócios do PT da Bahia. Eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Polícia Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa", afirmou. O parlamentar também criticou o modelo de delações realizadas por investigados presos e disse não possuir qualquer relação comercial com Vorcaro. "Eu estou muito à vontade porque conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF", declarou. Apesar da defesa pública, a Polícia Federal investiga a suspeita de que Wagner tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões como contrapartida por supostas ações favoráveis aos interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição. A operação também cumpriu mandados em imóveis e empresas ligadas a Augusto Lima na Bahia, em Brasília e em São Paulo. A defesa do empresário afirmou que ele está à disposição das autoridades e considerou as buscas desnecessárias. Jaques Wagner ainda não comentou oficialmente a operação após o cumprimento dos mandados.