Sudoeste Bahia
Publicado em: 26 Out 2026 / 18h00
Autor: Redação Sudoeste Bahia

PF intima Flávio a entregar passaporte; senador diz que vai pedir cassação de chapa do PT

Foto: Sergio Lima | Poder 360

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (26) que pretende solicitar a cassação da chapa do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita um dia após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. Horas antes, o parlamentar informou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes e ficou proibido de deixar o país por decisão judicial. Flávio foi derrotado por Lula em uma disputa apertada. O petista venceu com 51,79% dos votos, o equivalente a 64,2 milhões de eleitores, enquanto o candidato do PL somou 48,21%, cerca de 59,8 milhões de votos. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador agradeceu aos apoiadores e voltou a questionar a lisura do processo eleitoral, apesar de não apresentar provas para as alegações. O parlamentar também não fez um reconhecimento direto da derrota nas urnas. “Vou pedir a cassação da chapa do Lula por todos os abusos cometidos durante a campanha”, declarou. Mudança de estratégia - A nova manifestação representa uma mudança de discurso. Na noite da eleição, Flávio havia afirmado que buscaria a anulação do pleito. Agora, o foco passou a ser um pedido de cassação da chapa vencedora. O senador acusa o governo federal de ter provocado desequilíbrio eleitoral por meio de gastos públicos realizados ao longo do ano. Segundo ele, as medidas econômicas anunciadas pela gestão petista teriam influenciado diretamente o resultado da disputa. As críticas também foram direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio voltou a contestar decisões da Corte e afirmou que o ambiente eleitoral foi marcado por interferências que, segundo ele, prejudicaram sua campanha. Intimação da PF - Durante o pronunciamento, o senador revelou que foi intimado pela Polícia Federal após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Segundo Flávio, a decisão judicial determinou a entrega dos passaportes e impôs restrições para viagens internacionais. Ele afirmou que a medida teria sido baseada em declarações atribuídas ao deputado Eduardo Bolsonaro sobre uma possível saída do país em caso de derrota eleitoral. O parlamentar negou ter defendido essa possibilidade e questionou os fundamentos da decisão. Apesar das críticas, disse que cumprirá a ordem judicial e entregará os documentos exigidos pelas autoridades. Oposição ao próximo governo - Mesmo sem reconhecer formalmente o resultado das urnas, Flávio Bolsonaro sinalizou que pretende assumir um papel de liderança na oposição ao novo mandato de Lula. O senador afirmou que irá reunir parlamentares do PL para organizar a atuação do partido no Congresso Nacional a partir do próximo ano. Segundo ele, o grupo pretende fiscalizar as ações do governo e atuar de forma coordenada contra pautas consideradas prejudiciais pela legenda. Investigação e novas restrições - A decisão judicial também proibiu Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro. Tomaz teve bens bloqueados e valores bilionários sequestrados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A medida faz parte de um dos inquéritos que tramitam na Corte e que têm o senador como alvo de investigação. Além das restrições patrimoniais, o advogado também teve passaportes cancelados após decisões relacionadas às apurações conduzidas pela Polícia Federal. O que acontece agora - A defesa de Flávio Bolsonaro ainda poderá recorrer das medidas impostas pela Justiça. Enquanto isso, o senador segue sob as restrições determinadas pelo STF e prepara a ofensiva jurídica que pretende apresentar contra a chapa vencedora das eleições. Nos próximos dias, a expectativa é de que os desdobramentos do caso avancem tanto na esfera eleitoral quanto nas investigações que seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.