
Em momento tenso envolvendo figurões da política baiana, a presidente Dilma Rousseff chega no domingo à Bahia, onde participará de duas solenidades. Em ambas, estará cara a cara com o ministro das Cidades, Mário Negromonte, cotado para deixar a pasta na reforma ministerial em curso e abalado pela demissão do seu braço direito no ministério, Cássio Peixoto, ex-chefe de gabinete. Além disso, ela chega a Salvador dias após o anúncio da substituição do também baiano José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras. Apesar da justificativa oficial de que Gabrielli vem ocupar uma secretaria ainda desconhecida do governo baiano, informações de bastidores dão conta de que as relações entre Dilma e o presidente da estatal sempre foram tensas.
No domingo, às 17h, no Fórum Ruy Barbosa, a presidente participará do evento em homenagem ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Na segunda-feira, às 9h, ela vai para Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), onde autorizará as obras de urbanização da bacia do Rio Camaçari, parte da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) e com um investimento previsto de R$ 274 milhões. O detalhe sórdido: Luiz Caetano (PT), prefeito do município vizinho a Salvador, é virtual adversário de Gabrielli nas prévias petistas para as eleições de 2014.
Enquanto o desejo de Caetano de governar o Estado é conhecido, a sucessão do atual governador, Jaques Wagner, é um dos motivos apontados para a saída de Gabrielli da presidência da Petrobras. Pertencente à corrente petista Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Lula, Gabrielli é amigo do ex-presidente e apontado como candidato ao governo da Bahia em 2014 capitaneado por ele. Não custa repetir que o outro motivo apontado para a saída de Gabrielli do comando da estatal é a relação conturbada com a presidente Dilma. Aliás... Será que ela sabe que Caetano é pré-candidato ao governo da Bahia? "Político não dá um passo sem saber onde está pisando", opina um experiente assessor ouvido pela reportagem.
Ciente ou não sobre onde está pisando, a ida de Dilma a Camaçari soa como um atestado de que não morre de amores por Gabrielli e acaba fortalecendo a candidatura de Luiz Caetano ao governo do Estado. A aparição de Dilma em meio à tensão do momento político – que ainda inclui as suspeitas de irregularidades no Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) e a demissão do diretor-geral pernambucano Elias Fernandes – soa mais como um passo calculado para marcar território que uma mera participação nas solenidades. De Camaçari, Dilma segue para a América Central, onde visitará Cuba e Haiti.
O que ele diz lá de Davos
Ontem em Davos, cidade suíça onde é uma das raras autoridades brasileiras presente ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, José Sergio Gabrielli afastou a interpretação de que saiu da presidência da Petrobras para que Dilma Rousseff tivesse maior controle sobre a companhia, por meio da indicação de Graça Foster – amiga pessoal da presidente. "O governo sempre teve e sempre terá o controle sobre a Petrobras, porque é majoritário no Conselho que decide as políticas da companhia", argumentou. Ele lembrou que os projetos da empresa já estão aprovados até 2014, o que significa que a nova presidente só executará uma programação já decidida.
Segundo a Folha de S. Paulo, Gabrielli contou que sua saída da Petrobras já havia sido definida há um ano e meio, ainda no governo Lula, para que voltasse à Bahia. No entanto, ele nega que será candidato ao governo em 2014, outra explicação para a troca de comando na Petrobras, mas admite que resolveu trocar a atividade empresarial pela política. "Sou o presidente mais longevo da Petrobras", afirmou, lembrando que faz seis anos e nove meses que comanda a principal empresa brasileira. Gabrielli deverá assumir uma secretaria ainda não confirmada do governo Jaques Wagner.
Fonte: Bahia 247
JJS