Sudoeste Bahia
Publicado em: 28 Set 2018 / 08h30
Autor: Rodrigo Daniel Silva e Gabriel Nascimento

Alckmin volta a pregar ‘voto útil’ e chama disputa entre PT e PSL de ‘bipolarização equivocada’

Foto: Divulgação

“Quem não gosta do PT, corre para Bolsonaro. Do outro lado, não é possível ter um presidente que não entende nada e quem vai mandar é um banqueiro”, afirma o tucano

O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a condenar, em entrevista à Rádio Metrópole, a disputa plebiscitária entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). Na avaliação do tucano, o pleito deste ano foi marcado por um “momento atípico”. “De um lado, tivemos um ex-presidente da República preso e dando ordem de Curitiba. Do outro lado, um candidato vítima de um atentado covarde. Isso tudo a 20 dias [da votação], mas acho que a definição de voto acontece agora no final. […] Estamos vivendo uma bipolarização equivocada. Quem não gosta do PT, odeia o PT, tem medo do PT, com razão, [..] olha a pesquisa do primeiro turno e corre para Bolsonaro querendo derrotar o PT. Do outro lado, não é possível ter um presidente da República que diz que não entende de nada e quem vai mandar é um banqueiro que diz que vai diminuir imposto de rico, aumentar de pobre, trazer a CPMF, acabar com 13º salário. Fernando Henrique diz bem, precisamos evitar a insensatez”, afirmou. O ex-governador de São Paulo voltou a pregar o voto útil. “Acho que a eleição está em aberto, as grandes mudanças ocorrem no finalzinho. Se a gente pegar 2014, quem estava no segundo lugar e ia era Marina. No fim, ela não foi. Tem uma parte do eleitorado que não quer o PT e olha a pesquisa e acha que Bolsonaro é melhor. Só que tem que olhar que a eleição vai ter dois turnos. O que acontece? Boslonaro, no segundo turno, tem rejeição alta, perde. Então, temos que alertar: você que não gosta do PT, se vota no Bolsonaro, traz o PT de volta. Se chegarmos lá, ganhamos a eleição com humildade”, ressaltou. Alckmin disse ainda que o prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas, ACM Neto, tem agido “firmeza, lealdade ecorreção”. O democrata soteropolitano é coordenador da campanha tucana e um dos defensores de uma propaganda mais agressiva contra o capitão reformado. Sem decolar nas pesquisas, o presidenciável justificou os números pelo fato de ter demorado para entrar na campanha. “Até o mês de abril, eu só me dediquei ao governo do Estado. Eu costumo me empenhar fortemente aquilo que faço e tento fazer. Fui prefeito da minha cidade natal, mergulhei lá seis anos de trabalho intenso, bairro por bairro para melhorar a vida da população. Como governador, a mesma coisa. Quando saí, você já tinha Lula, na época uma candidatura forte, e Bolsonaro anos e anos percorrendo”, comparou. O candidato admitiu que o partido dele está “fragilizado” com as denúncias contra os tucanos, mas ressaltou que a situação atinge todas as siglas. Ele disse que aprovou a autocrítica feita pelo senador Tasso Jereissati (PSDB), que se manifestou contra a presença do PSDB no governo Temer.