Sudoeste Bahia
Publicado em: 07 Mai 2026 / 21h00
Autor: Raquel Franco

Hantavírus pode virar nova pandemia? Entenda doença ligada a mortes em cruzeiro

Foto: Divulgação | Antarctica Cruises

O surto de hantavírus registrado no cruzeiro MV Hondius, no Oceano Atlântico, acendeu alerta internacional após a confirmação de mortes e casos suspeitos da doença. Apesar da preocupação, especialistas e a Organização Mundial da Saúde reforçam que o cenário é muito diferente do observado no início da pandemia de Covid-19. Segundo a OMS, cinco casos ligados ao navio já foram confirmados, enquanto outros seguem sob investigação. A embarcação, que transporta cerca de 150 pessoas, passou dias ancorada próximo a Cabo Verde e deve seguir para as Ilhas Canárias. Mas afinal, qual é o nível de preocupação que o hantavírus representa para a saúde global? O que é o hantavírus? O hantavírus é uma doença transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A contaminação geralmente acontece quando a pessoa inala partículas presentes no ar em locais contaminados. Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de uma gripe forte, incluindo febre, dores musculares, fadiga e dor de cabeça. Em casos mais graves, podem surgir falta de ar, dificuldade respiratória, náuseas, vômitos e problemas pulmonares. A doença passa de pessoa para pessoa? Na maior parte dos casos, não. O hantavírus normalmente é transmitido por roedores. No entanto, a cepa Andes que foi encontrada na América do Sul e investigada no caso do cruzeiro, pode provocar transmissão entre humanos em situações muito específicas de contato próximo e prolongado. Especialistas afirmam que o comportamento do vírus é completamente diferente de doenças altamente contagiosas, como Covid-19, gripe ou sarampo. A epidemiologista Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial de Saúde disse nesta quinta-feira (7), que a doença “não é Covid, não é gripe”, além de transmissão dificultosa e "muito diferente" Existe risco de pandemia? Segundo a OMS, o risco global é considerado baixo. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que não vê semelhanças entre o atual surto e o início da pandemia de coronavírus. Ainda assim, autoridades sanitárias acompanham passageiros que estiveram no navio porque o período de incubação do hantavírus pode chegar a mais de um mês. Há tratamento ou vacina? Não existe vacina específica contra o hantavírus. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e no suporte hospitalar, principalmente nos casos respiratórios mais graves. Especialistas afirmam que o atendimento precoce aumenta as chances de recuperação. O que as autoridades estão fazendo? Passageiros e tripulantes do navio seguem sendo monitorados por equipes de saúde internacionais. Alguns países, como o Reino Unido, recomendaram isolamento preventivo para pessoas que estiveram a bordo da embarcação. O navio também passou por limpeza e desinfecção antes do desembarque previsto nas Ilhas Canárias.