
Faleceu na última terça-feira (14), em sua residência no distrito de Morrinhos, em Guanambi (BA), Alziro Moreira de Almeida, conhecido como Seu Alziro do Reis de Morrinhos. Ele tinha 97 anos e era reconhecido como um dos principais mestres do reisado no Alto Sertão baiano. O sepultamento ocorreu na tarde de quarta-feira (15), no cemitério local, com a presença de familiares, amigos e representantes de grupos culturais. O falecimento causou grande comoção em Morrinhos e na região de Guanambi. Diversas homenagens foram prestadas por grupos de cultura popular, que destacaram o legado de Seu Alziro para a identidade cultural do sertão baiano. A cerimônia de despedida foi marcada por emoção e cânticos tradicionais, simbolizando o respeito e a admiração pelo mestre do Terno de Reis.Com uma trajetória de mais de sete décadas dedicadas à preservação do reisado, Seu Alziro era conhecido como o “Menestrel do Terno de Reis”. Desde a infância, participou de folguedos populares, mantendo viva a tradição com fidelidade aos elementos originais das apresentações — como a marcha de chegada e retirada, os instrumentos artesanais (zabumba, ganzá) e os 114 versos da chamada Ciência do Reis Verdadeiro, base das cantorias de inspiração bíblica. Defensor das raízes do festejo, também preservava o ritual do aprisionamento simbólico das bandeiras entre os grupos, prática que estimulava a criatividade e devoção dos participantes.Além de mestre da cultura popular, Alziro teve papel ativo na vida social de Morrinhos. Na juventude, atuou como jogador de futebol e, ao lado de nomes como Sebastião Pimentel, fundou o Festival de Reis de Morrinhos, que há mais de três décadas se tornou um dos principais eventos culturais do Sertão baiano, reunindo dezenas de ternos e visitantes de toda a região. Viúvo de dona Ilda e pai de Geraldo, já falecido, Seu Alziro deixa filhos, netos, bisnetos, tataranetos e inúmeros admiradores. Gravações em CDs preservam sua voz e estilo, que continuam como referência do reisado tradicional. O festival que ajudou a criar permanece como herança cultural e espaço de resistência às tradições do Sertão.