
De janeiro até hoje, 90 crimes contra bancos foram registrados na Bahia. Desses, 57 foram no Banco do Brasil, 15 no Bradesco e 17 nas demais agências. Sobre o assunto, entrevistamos o Major Arthur Mascarenhas, da CIPE/Sudoeste.
A que o senhor atribui esse crescimento dos assaltos?
O crescimento geral é em decorrência da dinâmica do crime. Antes, os bandidos assaltavam os carros fortes, que eram mais fáceis de serem abordados porque estavam nas rodovias. Com a preocupação das empresas de transportes de valores, houve uma migração dos crimes para as cidades. Os criminosos percebiam que o aparato policial daqueles pequenos municípios era bastante defasado e que ali poderiam lograr êxito nas suas ações, com quadrilhas de 12 a 15 bandidos e armamento de grande poder lesivo, enquanto os policiais trabalhavam com pistolas e fuzis tecnicamente ultrapassados.
O senhor destaca que na região Sudoeste houve um decréscimo desse tipo de crime nos últimos dois meses.
Eu reputo esse fato à dinâmica que começamos a dar ao policiamento especializado nas áreas onde víamos, pelas estatísticas dos anos anteriores, como as mais problemáticas. Começamos a fortalecer o policiamento especializado e os nossos policiais têm, hoje, equipamento suficiente para enfrentar qualquer uma dessas quadrilhas.
Mas há municípios em que o aparato policial é mínimo…
Não posso negar que o policiamento das cidades pequenas é insuficiente para combater esse tipo de ação delituosa. Daí que se fez surgir essas companhias especializadas, com efetivo e armamento maiores, maior emprego tático e técnico do que o policiamento convencional.
E os bancos, eles cumprem seu papel no quesito segurança?
O banco poderia fazer bem mais. Hoje, eles se preocupam apenas com o monitoramento eletrônico dentro das suas agências. Se eles contribuíssem mais com o sistema de segurança pública, poderiam fazer um sistema de monitoramento muito mais efetivo na própria cidade e cercanias das suas agências. Estariam contribuindo com seus funcionários e a população em geral, que é quem investe nessas instituições e acaba sendo vítima dessa violência.