
No teatro centenário de caetité
Eu devia ter cinco ou seis anos. Meus pais eram os “festeiros” do 2 de Julho. “Festeiro” era o nome que se dava aos responsáveis pelo evento. A cada ano uma família era encarregada.
Para se levar a termo toda a comemoração, necessitava-se de dinheiro. Então bolaram encenar duas peças no nosso magnífico Teatro Centenário (aquele que foi derrubado para dar lugar a uma agenciazinha do Brasdesco. Coisas de quem abomina a sagrada cultura de um povo. Perdoai-os nobres Sr Durval Castro, mentor da sua construção e Sr João Antônio dos Santos Gumes, o grande arquiteto). Começava ali as minhas incursões nessa fascinante arte! E minhas excursões pelo saudoso e esplêndido Teatro Centenário de Caetité.
Percorri cada milímetro daquele prédio e, quanto mais o fazia, mais meu coraçãozinho se apaixonava por ele. Creio haver nascido com o sangue da arte nas veias. A paixão por ela sempre me moveu em todas as suas direções, ensaiando a pintura em tela, o desenho, o teatro, o artesanato e muitas outras coisas.