Sudoeste Bahia
Publicado em: 28 Fev 2020 / 09h00
Autor: Redação

Caetité: ‘sempre foi orientada, mas não seguia as recomendações nem aceitava ajuda’, diz coordenadora sobre família que solicita ajuda pela internet

Veja o vídeo - Foto: Reprodução

- Uma família que vive em condição de extrema vulnerabilidade social compartilhou nas redes sociais, por meio de fotos e vídeos, a situação na qual vivem na comunidade de Lagoa Grande, zona rural de Caetité. Na casa, com péssimas condições estruturais, residem um casal e mais sete filhos, sendo 03 adolescentes e 04 crianças, uma delas com deficiência. Com a repercussão do caso, inclusive, após o Conselho Tutelar retirar para acolhimento os menores do local, uma vaquinha virtual está sendo realizada para levantar fundos para reforma da casa e compra de itens básicos para a família e até mesmo um leilão beneficente será realizado na localidade de Santa Luzia, no dia 28 de março. O fato do Conselho Tutelar retirar provisoriamente do convívio familiar os menores de idade também repercutir na cidade. Conforme apurado pela reportagem do Sudoeste Bahia, o conselho agiu para zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, que são definidos por Lei, para garantir a segurança e bem-estar dos menores até que a situação seja regularizada. Relatos obtidos pela reportagem dão conta que a família já vinha sendo acompanhada pelos conselheiros há cerca de 04 anos, e o casal foi notificado várias vezes para comparecer a sede do conselho para receberem ajuda e o direcionamento necessário para melhorar a condição de vida familiar. Além disso, não havia luz na residência há cerca de 06 meses e o conselho estaria inclusive levantando recursos para pagar as contas em aberto, comprar material escolar para as crianças, entre outras coisas. Numa dessas visitas a casa, o pai das crianças estava embriagado, ameaçando os conselheiros, sendo então como último recurso, após as inúmeras tentativas de requalificar a vida naquele local, realizada a retirada das crianças do convívio familiar. No próximo passo, o Creas e o Cras Rural, em ação conjunta, irão reestruturar a família, reabilitando-a por meio de psicólogos, assistentes social, advogados, até que a família esteja pronta para receber as crianças e estas voltem ao convívio familiar. Em nota compartilhada nas redes sociais, a coordenadora do Cras Rural em Caetité, Deuzeni reforçou que “O Creas, o Cras e o Conselho Tutelar realizaram seu trabalho dentro de suas atribuições e possibilidades. Essa família foi acompanhada e orientada diversas vezes. Mas infelizmente não podemos obrigar a família a seguir e cumprir essas orientações. Desde 2018 esse caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar, devido a negligência da família. Já esteve até no Ministério Público. Final de 2018, foi encaminhado ao CREAS, devido a violação de direitos, e deixou de ser acompanhada pelo CRAS, mesmo assim, tem dois meses que a assistente social do CRAS vem resolvendo a questão do benefício da filha deficiente. A família sempre foi orientada, mas não seguia as recomendações nem aceitava ajuda. Depois que o pior aconteceu [ crianças retiradas da casa], resolveram pedir ajuda, mas o casal foi negligente o tempo todo. Temos documentos que comprovam o trabalho e as tentativas de  intervenções. A família não foi abandonada. Hoje, o Creas com sua equipe realiza o trabalho de reestruturar a família, para que as crianças possam voltar para lá. O principal problema da família, é o alcoolismo”, disse.