
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior patamar da série histórica. No mesmo período, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas também bateu recorde, alcançando 29%, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29). Os indicadores consideram o crédito bancário e refletem a pressão dos juros elevados e o avanço de modalidades de empréstimo mais caras, como cartão de crédito e operações sem garantia. O cenário persiste mesmo após o lançamento de dois programas de renegociação de dívidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que utilizaram garantias do Tesouro Nacional para facilitar o refinanciamento dos débitos. Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu realizar um leilão para que o governo compre dos bancos dívidas de consumidores com desconto. O Banco Central, por sua vez, informou que prepara novas medidas para conter a concessão predatória de crédito. Endividamento sem crédito imobiliário também cresce - Quando o crédito imobiliário é excluído do cálculo, o endividamento das famílias chegou a 31% da renda em agosto. Já o comprometimento dos rendimentos com o serviço da dívida atingiu 26,7%, também um recorde. Inadimplência segue em nível recorde - Dados do Banco Central sobre o crédito bancário em setembro mostram que a inadimplência nas operações de crédito livre, modalidade em que as instituições financeiras definem as taxas de juros, permaneceu em 6,6% para famílias e empresas, mesmo percentual registrado em agosto. Desde o início do ano, o indicador avançou um ponto percentual. O estoque total de crédito no país cresceu 0,4% em setembro, na comparação com o mês anterior, e chegou a R$ 7,4 trilhões. Em 12 meses, a expansão desacelerou de 9,4%, até agosto, para 8,6%. O spread bancário, diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e os juros cobrados dos clientes, subiu de 34,7 pontos percentuais em agosto para 35,5 pontos em setembro, nas operações de crédito livre. Em meio à política monetária restritiva, o Banco Central projetou, em setembro, que o estoque de crédito brasileiro crescerá 9,1% em 2026, abaixo da expansão de 10,4% registrada em 2025. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está prevista para a próxima semana. A decisão ocorrerá após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 13,75% ao ano.