Sudoeste Bahia
Publicado em: 30 Mai 2026 / 12h00
Autor: Redação Sudoeste Bahia

Estudante de Barra do Choça conquista prêmio internacional com pesquisa inovadora para produção de café

Foto: Divulgação

O estudante Kenisson Morais Brito, de 18 anos, natural de Barra do Choça, no sudoeste da Bahia, conquistou destaque internacional ao garantir o 4º lugar na categoria Plant Sciences da Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), a maior feira de ciências e engenharia do mundo. O evento aconteceu entre 9 e 15 de maio, em Phoenix, no Arizona (EUA). A paixão de Kenisson pela ciência começou ainda na infância, quando cresceu cercado pela natureza e pela rotina agrícola da região. Já no ensino médio, decidiu aprofundar os estudos e passou a viajar diariamente para Vitória da Conquista para se dedicar à pesquisa. O esforço rendeu frutos: seu projeto propõe uma alternativa natural e de baixo custo para o controle de fungos no café pós-colheita — um desafio comum para produtores do sudoeste baiano. A pesquisa utiliza extrato de erva‑doce como fungicida natural. O composto, batizado de AnisGuard, apresentou desempenho comparável — e em alguns testes até superior — ao de fungicidas sintéticos. Aplicado na lavagem dos grãos, o extrato atua diretamente na estrutura dos fungos, reduzindo sua proliferação e a liberação de toxinas. Segundo dados apresentados pelo estudante, a solução alcançou redução de até 83,8% da carga fúngica, com custo potencial até quatro vezes menor que o de produtos convencionais. O método também permite o reaproveitamento de resíduos como biofertilizante, fortalecendo o solo e reduzindo impactos ambientais. 

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O projeto, intitulado “AnisGuard: avaliação multifacetada do extrato de Pimpinella anisum como fungicida natural, biofertilizante e alternativa custo‑efetiva no controle de Penicillium spp. em café pós‑colheita”, foi desenvolvido na Escola SESI Anísio Teixeira, sob orientação da professora Winne Katharine Souza Rocha e coorientação de Gislaine Amorim Santos. O reconhecimento na ISEF rendeu ao jovem um prêmio de US$ 600. Para Kenisson, a experiência foi transformadora. “Estar ao lado dos melhores jovens cientistas do mundo foi surreal e muito inspirador. A cerimônia de premiação representou toda a minha trajetória até aqui”, afirmou. A delegação brasileira na ISEF 2026 contou com 26 estudantes do ensino médio e técnico. Quatorze deles, incluindo Kenisson, foram selecionados pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na USP. Os demais vieram da MOSTRATEC, no Rio Grande do Sul. Após o prêmio, o jovem reforçou o desejo de seguir carreira científica e desenvolver soluções com impacto social. “A ciência feita no Brasil, inclusive no interior da Bahia, tem potencial para alcançar o mundo”, disse. A conquista coloca Barra do Choça e o sudoeste baiano no mapa da inovação científica, mostrando que pesquisa de qualidade também nasce longe dos grandes centros.