Sudoeste Bahia
Publicado em: 21 Ago 2025 / 09h00
Autor: Yuri Almeida

A emoção na política: o papel das afetividades na disputa por corações e mentes

Foto: Divulgação

A comunicação política eficaz não se limita à apresentação de dados e argumentos racionais. Ela opera também no campo das emoções e das afetividades, que exercem uma influência poderosa nas decisões políticas (Marcus, Neuman, & MacKuen, 2000). Pesquisas em ciência política e psicologia social demonstram que o medo, a esperança, a raiva, o orgulho e a empatia moldam as preferências políticas e a participação cívica (Westen, 2007). 

Em "Upheavals of Thought: The Intelligence of Emotions" (2001), Martha Nussbaum argumenta que as emoções não são meros sentimentos irracionais, mas sim avaliações cognitivas complexas sobre coisas que valorizamos. Para ela, as emoções envolvem julgamentos sobre eventos externos e nosso próprio bem-estar em relação a esses eventos. Compreender a estrutura cognitiva das emoções é crucial para a justiça, pois elas nos revelam o que consideramos importante e vulnerável em nossas vidas e nas vidas dos outros. Emoções como a compaixão, a raiva justa e o medo podem nos alertar para injustiças e motivar a ação em prol da equidade e do bem comum.

Nussbaum critica abordagens puramente racionais da justiça que negligenciam o papel das emoções na motivação moral e na percepção da vulnerabilidade alheia. Para a autora, a capacidade de sentir empatia e indignação diante da injustiça é fundamental para a construção de uma sociedade mais humana e equitativa. Portanto, a educação emocional e a consideração das emoções no debate público e nas decisões políticas são elementos essenciais para a realização da justiça.