• Morte de militante radicaliza eleições e eleva combo de 'medo e ódio' até outubro

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    Por Rodrigo Daniel Silva / Jornal da Metropole

    14/07/2022 - 11:30


    Com as instituições políticas em xeque, o país vai mergulhar nos próximos meses em uma eleição presidencial marcada por tensão, ódio e medo

    POLÍTICA

    - Com as instituições políticas em xeque, o país vai mergulhar nos próximos meses em uma eleição presidencial marcada por tensão, ódio e medo. O pleito caminha para um embate inédito entre um presidente da República e um ex-presidente. As sondagens de opinião mostram que o surgimento da terceira via tem sido improvável. A disputa deve ser realmente entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na busca pela reeleição a qualquer custo, Bolsonaro ampliou os gastos públicos para conceder benefícios sociais a uma parcela do eleitorado que pode ser decisiva. O programa Auxílio Brasil passará de R$ 400 para R$ 600, a fim de conquistar o eleitor mais pobre que hoje vota majoritariamente no PT. PEC KAMIKAZE - A proposta chamada de ‘PEC Kamikaze’ — por deixar um rombo nas contas públicas — ainda prevê auxílio para caminhoneiros e taxistas.

    A oposição já admite que o projeto terá impacto na eleição. O deputado federal Afonso Florence (PT-BA) declarou, em entrevista à Rádio Metropole, que a PEC é uma “fraude eleitoral”, e demonstra que “o governo está no desespero” para conseguir a recondução de Bolsonaro. A ‘PEC Kamikaze’ é considerada inconstitucional por especialistas da área jurídica. Para aprová-la, o governo instituiu um estado de emergência artificial para permitir a Bolsonaro furar o teto de gastos e liberar recursos públicos, mesmo a poucos meses da eleição. Apesar da possível ilegalidade, o poder legislativo se rendeu e acatou a demanda do presidente da República, assim como o fez desarticulando pedidos de impeachment e baixando a cabeça para desmandos constantes. Parte dos parlamentares tem se desdobrado à vontade de Bolsonaro porque foi capitulada pelo orçamento secreto — com o pagamento de emendas sem identificação de destinação aos deputados. Enquanto o Congresso Nacional se curva aos arroubos do chefe do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) parece se preservar, mas deixa dúvidas se será capaz de frear os ímpetos golpistas. MILITARES - A eleição deste ano também será marcada por uma forte presença dos militares, algo sem precedentes desde a redemocratização do país, em 1985. Parte das Forças Armadas, em apoio ao discurso do atual presidente, tem posto em dúvida o sistema das urnas eletrônicas   — utilizadas em todo país a partir do ano 2000. De forma surpreendente, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveiro, tem desafiado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela condução do pleito. Em uma reunião reservada, revelada pela revista Veja, o general disse que a Corte tem a obrigação de responder a questionamentos feitos pelos militares sobre a eleição, e ameaçou fazer uma auditoria na votação e convocar uma comissão para que os integrantes do TSE prestem esclarecimentos sobre o pleito. Ao mesmo tempo em que o ambiente político brasileiro se torna menos civilizado, o país assiste a uma escala de violência. O assassinato do militante petista Marcelo Arruda por um policial bolsonarista, no Paraná, ligou o sinal de alerta sobre a possibilidade de outros crimes ocorrerem durante a campanha. Há o medo de que, caso derrotado, Bolsonaro repita o episódio do Capitólio, nos Estados Unidos, quando militantes armados invadiram o Congresso para contestar a derrota imposta pelos americanos à reeleição de Donald Trump. As principais autoridades do Brasil vieram a público para condenar a morte do militante petista e tentar acalmar a situação. Apesar disso, permanece no país um mar de dúvida se a jovem democracia brasileira será capaz de resistir.

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